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9 outubro 2003

Quinta-feira, 9 de outubro.

Primeira Leitura: "Lula gosta de tudo que é contra o Judiciário."

A hora dos eufóricos

A expectativa de elevação na nota do Brasil pelas agências de classificação de risco provocou ontem melhora substancial de todos os indicadores financeiros. A taxa de risco do país caiu ao menor desde julho de 1998. O C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, alcançou a cotação histórica de 93,5% do valor de face.

A hora dos eufóricos - 2

A Bovespa fechou em alta de 1,92%, com quase 17.804 mil pontos, a maior pontuação desde janeiro de 2001. Há outros detalhes que comprovam o vigor dos negócios: só ontem, o volume financeiro chegou a R$ 1,46 bilhão, giro que não se vê num pregão normal (ou seja, sem operações especiais) desde janeiro de 2001. Com o resultado, a alta da Bovespa em 12 meses já é de 100%.

Face luminosa

Toda essa euforia ocorreu porque a Moody's e a Standard & Poor's melhoraram os ratings de países emergentes. A Moody's deu um upgrade de dois graus na nota da Rússia. A S&P melhorou os ratings da Malásia, da Indonésia e da Tailândia. Para operadores, é provável que uma delas, especialmente a Moody's, decida melhorar a avaliação do Brasil nos próximos dias, reconhecendo a face luminosa do governo Lula: a aprovação do mercado financeiro à sua política econômica.

Face sombria

Euforia no mercado, depressão na economia real. A diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Clarice Messer, disse que ainda é prematuro afirmar que a indústria brasileira esteja em recuperação. Dá para dizer apenas que a produção parou de cair.

Realismo de resultados

O presidente da CUT, Luiz Marinho, entregou ao presidente Lula a proposta de criar frentes de trabalho nas áreas de limpeza, saneamento básico e construção de casas populares. Segundo Marinho, o crescimento, previsto para o último trimestre deste ano, terá impacto na redução do desemprego apenas no fim do primeiro semestre do ano que vem.

Realismo de resultados - 2

Não se ouviram de Marinho críticas à política econômica. Nem elogios. Marinho apenas constata realidades e, com esse perfil calculadamente realista, vai confirmando seu papel de coadjuvante no projeto de poder do PT, do qual a CUT é aliada. Ele expõe os problemas de forma fria e racional e propõe alguma medida atenuante até o dia em que tudo vai melhorar. O quando vai melhorar, no caso, é irrelevante. Com seu discurso de amanhãs floridos, governo e central sindical mantêm a esperança popular tonificada.

A novidade é o poder

Os mais críticos devem desconfiar da atuação de Marinho como sindicalista -- é governista demais, dirão. Não deveriam perder tempo com suspeitas, mas sim olhar com crueza o que nem Marinho, sejamos justos, esconde. Marinho é explícito na intenção e no gesto: ele faz parte de uma estratégia e de um marketing políticos que não são novidade nem na CUT nem no PT. A única novidade é que, agora, os siameses partido e central chegaram ao poder.

Correção de lentes

Se existe algo a ser corrigido nesse trajeto é a visão que os brasileiros têm do sindicalismo. A idéia difundida pela própria CUT de que haveria um sindicalismo independente, a serviço unicamente do interesse do trabalhador, mais uma vez foi desmentida na vida real.

Gravidez pelo ouvido

O presidente Lula engravidou uma agente da ONU pelo ouvido. O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) anunciou que as Nações Unidas devem enviar um relator ao Brasil para inspecionar o Judiciário. O anúncio foi feito depois da reunião de Lula com a relatora especial da ONU para Execuções Sumárias, Asma Jahangir.

O Iraque é aqui?

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, criticou a proposta. "Essa senhora não entende nada sobre como funciona o Judiciário no Brasil." Corrêa atacou Lula por ter apoiado a idéia: "O governo tem gostado de tudo que é contra o Judiciário". O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Francisco Fausto, também reagiu negativamente: "Essa idéia nos coloca no mesmo plano do Iraque. Nós somos o quê? Uma República submetida a um controle internacional?".

Assim falou... Marco Aurélio Garcia

"Não nos peçam para entregar o país"

Do assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, rebatendo as críticas de ministros da área econômica do governo à atuação do governo brasileiro nas negociações comerciais para a formação da Alca.

Lances de uma guerra estranha

"Que não reste dúvida: até o fim, Saddam Hussein sempre preservou a ambição de ameaçar o mundo com armas de destruição em massa." Essa é a mais nova desculpa da Casa Branca para justificar a invasão do Iraque e a deposição de seu ditador. A frase é de Condoleezza Rice, assessora nacional de segurança de George W. Bush, e faz parte de uma ofensiva publicitária do governo para tentar recuperar o estrago em sua imagem produzido pelo relatório ao Congresso de David Kay, o inspetor de armas do próprio governo americano, que disse aos parlamentares que, até agora, nada de realmente importante foi encontrado.

Revista Consultor Jurídico, 9 de outubro de 2003

Comentários

Comentários de leitores: 5 comentários

10/10/2003 12:16 Antonio Fernandes Neto (Advogado Associado a Escritório - Empresarial)
Ninguem conhecia o PT? É isso aí!! Nem a Erundi...
Ninguem conhecia o PT? É isso aí!! Nem a Erundina aguentou esse pessoal.
10/10/2003 02:08 José Israel de Oliveira ()
Para um governo que se espelha em Cuba como mod...
Para um governo que se espelha em Cuba como modelo de nação, poderiamos esperar o que? É eviddente que busca-se uma política para desestabilizar as instituições para poder estabelecer uma ditadura socialista no país. No entanto, até mesmo para realização de tal feito exige-se competência. E isso falta ao governo...Nunca um governo promoveu tanta besteira por metro cúbico como esse. É simplesmente inacreditável.
10/10/2003 00:28 Paulo André Bueno de Camargo ()
Muito bem colocado, Udilberto Jaime Lobo. Isso ...
Muito bem colocado, Udilberto Jaime Lobo. Isso revela apenas uma das inúmeras das contradições entre o discurso e a prática de alguns petistas.

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