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11 novembro 2003
Ponto de vista
Pesquisa sobre Judiciário deve ser vista com cautela, diz Fausto.
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Francisco Fausto, recomendou cautela na interpretação dos dados da pesquisa feita pela Toledo & Associados. A pesquisa sobre a imagem do Judiciário, Ministério Público, Advocacia e Magistratura foi encomendada pela OAB.
Na avaliação de Fausto, o universo pesquisado não compreende bem o funcionamento dessas instituições. A pesquisa mostrou que o Judiciário e o Congresso Nacional são as instituições que mais geram desconfiança.
"O problema da lentidão não será combatido com a reforma do Judiciário ou com o controle externo do Judiciário e sim com a reforma das leis processuais", afirmou o ministro. Segundo ele, com a adoção de leis que simplifiquem os processos judiciais será possível evitar o excesso de recursos e dar mais efetividade às decisões do Poder Judiciário. A pesquisa revelou que 22% dos entrevistados consideram que "a Justiça não é igual para todos, privilegia brancos e ricos, que não são punidos".
Segundo o ministro Francisco Fausto, a pesquisa reflete ainda uma grave distorção: a de que os juízes são responsáveis pela violência no País. "A violência é resultado de leis ineficientes e de um sistema policial mal equipado e remunerado. A polícia está perdendo a guerra para os bandidos. Hoje é mais fácil botar um juiz na cadeia do que um bandido", afirmou. Para o ministro, o rigor com que a justiça e a polícia tem agido para apurar crimes cometidos por alguns magistrados deve ser louvado. "Isso é muito bom. Lugar de juiz corrupto e de bandido é na cadeia", concluiu.
"O resultado é preocupante e demonstra que todos temos que tomar providências -- o Poder Judiciário, o Congresso Nacional, o Ministério Público e a própria OAB -- porque a pesquisa revela a opinião de uma comunidade que está atenta à repercussão negativa dos fatos", ponderou Fausto. Foram entrevistadas 1.700 pessoas em 16 cidades brasileiras, entre os dias 10 e 26 de setembro passado.
Cinqüenta por cento dos entrevistados não souberam apontar a diferença entre um advogado e um promotor público. Trinta e nove por cento não distinguem um juiz de um advogado. Na opinião do presidente do TST, o grande problema do Poder Judiciário não é corrupção e sim a lentidão. (TST)
Revista Consultor Jurídico, 11 de novembro de 2003
Comentários
Comentários de leitores: 1 comentário
Realmente a lentidão e o excesso de recursos sã...
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