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7 novembro 2003
Garrancho liberado
Médicos e dentistas podem usar letra ruim em receitas, decide TJ-RS.
Médicos e dentistas do município de Esteio (RS) estão liberados para usar "garranchos" -- letra ruim -- nas receitas. A proibição existente em duas leis municipais foi derrubada por vício reconhecido pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, esta semana.
Por maioria, a Corte declarou a inconstitucionalidade da Lei nº 2794/98, com a redação dada pela lei nº 2.814/98. Ambas determinavam "a obrigatoriedade do uso de letra de forma, datilografada ou informatizada, nas receitas médicas e odontológicas", passadas pelos profissionais de Medicina e Odontologia.
A exigência atingia também as certidões de óbito, requisições e prescrições emitidas por profissionais da área da saúde em geral. A ação direta de inconstitucionalidade -- subscrita pela advogada Patricia de Oliveira Mello -- foi proposta pela prefeita municipal.
Para o relator, desembargador Araken de Assis -- cujo voto a maioria dos desembargadores acompanhou -- "não compete à lei local prescrever forma para as receitas médicas, ou interferir com as atividades profissionais dos médicos e farmacêuticos".
O desembargador Osvaldo Stefanello votou em sentido contrário. Argumentou que "escrever uma receita trata-se de proteção à saúde, pois a farmácia deve interpretar corretamente a intenção do médico - uma receita ilegível pode ocasionar danos".
Acompanhando a corrente pró extirpação dos "garranchos", a desembargadora Maria Berenice Dias afirmou que "o entendimento correto da receita é importante não só para a farmácia, mas também para o próprio usuário quando, por exemplo, deve fazer um pedido de entrega do medicamento por telefone".
Seguiram os votos minoritários, ainda, os desembargadores Gaspar Marques Batista e Alfredo Foerster. A declaração de inconstitucionalidade foi acolhida com 20 votos. (Espaço Vital)
Processo nº 70006465751
Revista Consultor Jurídico, 7 de novembro de 2003
Comentários
Comentários de leitores: 3 comentários
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É, senhores leitores. Não tem remédio que cure ...
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