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6 novembro 2003
Jogo sujo
Rocha Mattos envolve escritório de advocacia e leva o troco
Ao desconfiar de que estava sendo grampeado, o juiz João Carlos da Rocha Mattos não teve dúvidas: passou a usar telefonemas para fazer contra-informação e tentar afastar o foco de si. É essa, pelo menos, a análise de advogados que se surpreenderam, nesta quinta-feira (6/11), com a divulgação da suposta degravação de uma conversa telefônica entre o juiz e o agente federal César Hermann.
No diálogo, Rocha Mattos tentou implicar o escritório do advogado Arnoldo Wald em irregularidades. Nas conversas gravadas na primeira fase da Operação Anaconda, eles citaram os nomes de vários juízes e ações apresentadas pelo advogado Arnold Wald -- que teriam rendido US$ 30 milhões.
Rocha Mattos insinua ainda que alguns juízes dariam decisões para favorecer um esquema fraudulento envolvendo títulos públicos. Em resposta, o escritório divulgou uma nota pública em que desmonta a tentativa do juiz.
Leia a íntegra da resposta do escritório:
"Em respeito à verdade, o Escritório Wald & Associados Advogados S/C esclarece que as afirmações referentes ao Escritório e atribuídas ao juiz João Carlos da Rocha Mattos, na reportagem intitulada "Gravação mostra Rocha Mattos falando sobre esquema com títulos públicos", publicada pelo jornal O Globo não correspondem à verdade.
O envolvimento do nome do Escritório é indevido, absurdo e caracteriza uma intolerável injustiça, tanto mais que não fomos ouvidos para rebater o enredo fictício criado em diálogo de duas pessoas com quem jamais mantivemos qualquer relação.
É falso que o escritório tenha se beneficiado de qualquer vantagem indevida, sob qualquer forma.
Dentre as centenas de ações que patrocina, o Escritório tem a seus cuidados sete ações referentes a apólices da dívida pública emitidas pela União. A argumentação é única e exclusivamente jurídica e baseia-se em pareceres de juristas respeitados no assunto como Miguel Reale Jr. e Aristides Junqueira Alvarenga.
As sete ações foram apreciadas por cinco juízes diferentes e não por um único como sugere a notícia. Dos sete pedidos, quatro foram julgados improcedentes -- o que mostra a enorme distância entre a realidade e as suposições publicadas.
Diferentemente do que se diz na reportagem, o escritório jamais pediu a distribuição das ações por dependência. Todas as ações foram distribuídas por sorteio eletrônico (feito por computador).
O único integrante do Judiciário de prenome "Marcelo" que atuou em apenas uma das sete ações e deferiu tutela antecipada foi o Dr. Marcelo Mesquita Saraiva. Uma outra antecipação de tutela foi concedida por um outro Juiz, sendo que veio a ser revogada pelo Tribunal.
A isso, acrescente-se que todas as apólices a que se referem as ações permanecem custodiadas na Caixa Econômica Federal -- CEF, aguardando decisão definitiva do Poder Judiciário.
Como em todos os casos em que atuamos, a única remuneração recebida corresponde aos honorários advocatícios devidos pelos serviços prestados (ao longo de muitos anos e por diversos profissionais) e que, compatíveis com os valores de mercado, não atingem sequer 1% do delirante valor referido na reportagem.
O Escritório Wald & Associados Advogados S/C, com cinqüenta anos de existência, pauta-se e sempre se pautou pela mais rigorosa conduta ética e, por isso, vem a público repelir as insinuações indignas e irresponsáveis publicadas."
Revista Consultor Jurídico, 6 de novembro de 2003
Comentários
Comentários de leitores: 5 comentários
Sabem o que mais me espanta? É o fato do espan...
Penso que a conduta do magistrado sob investiga...
Como muitos, nunca tinha ouvido falar do escrit...
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