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Guerra no Iraque

Trabalhadores protestam contra guerra em fábrica da Coca-Cola

Depois que a colunista da Folha de S. Paulo, Danuza Leão, sugeriu um boicote ao refrigerante Coca-Cola como forma de repudiar a guerra do Iraque, vários comentários surgiram na Internet sobre o assunto. Há até atitudes concretas contra a marca americana.

Na quarta-feira (26/3), por exemplo, trabalhadores gaúchos ocuparam na pacificamente o pátio da fábrica da Coca-Cola em Porto Alegre (RS), por duas horas, para protestar contra a guerra do Iraque, liderada pelos Estados Unidos.

"A Coca-Cola é uma das empresas que também financia a guerra porque o resultado do trabalho daqui vai para os EUA e acaba se revertendo em ajuda ao ataque ao povo iraquiano", disse à Reuters, por telefone, Quintino Severo, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Rio Grande do Sul.

A CUT faz parte do Comitê de Trabalhadores Gaúchos, que organizou o ato. A ocupação, das 7h às 9h, foi realizada por cerca de 500 pessoas dos setores metalúrgico, bancário, de alimentação, saúde e turismo, segundo Severo.

A empresa, de acordo com sua assessoria de imprensa, não computou o número de manifestantes, mas estimou em algo como 200. Foi distribuído um manifesto em que os trabalhadores consideram a guerra "uma barbárie". "Trata-se de um massacre sem precedentes na história recente da humanidade", diz o texto.

Após deixarem a fábrica da Coca-Cola, os trabalhadores ainda realizaram uma reunião em um posto de gasolina de bandeira Esso, outra empresa norte-americana.

A Vonpar, engarrafadora da Coca-Cola no Rio Grande do Sul, afirmou em nota que entende as diferenças de opiniões e respeita as posições dos movimentos sociais.

Leia a coluna de Danuza Leão -- Folha de S. Paulo (23/3) -- sobre a guerra

DANUZA LEÃO

A guerra

Minha geração não viveu a Segunda Guerra Mundial; durante a do Vietnã, éramos jovens e como jovens estávamos muito ocupados com muitas outras coisas, por isso não acompanhamos o passo a passo que antecedeu a guerra. Apesar disso, tomamos partido -o certo.

A guerra atual, se fosse um filme, seria sobre o cinismo dos poderosos e sua capacidade de distorcer as verdades, mentindo descaradamente; a visão dos falcões de Bush -com seus olhinhos pequenos, juntos e inexpressivos, aquela turma dura que se reúne para rezar antes de planejar a violação das leis- e a imagem dos iraquianos vistos pela televisão deixando as cidades para escapar da matança, tão pobres e desamparados quanto os habitantes de nossas mais pobres regiões, levando tudo o que possuem na vida em duas sacolas ou em pequenas caixas, tem sido desoladora.

Não dá para não pensar: como deve ser a chegada de Donald Rumsfeld em casa? Será que passa a mão na cabeça do filho e ensina, como todo pai, que as leis existem, que temos a obrigação de cumpri-las, que a compaixão pelos inocentes e indefesos, mesmo sendo de um país longínquo, é obrigação, sobretudo, dos que estão no poder?

Aquele orangotango, o porta-voz Ary Fleischer, me intriga. Será que sua mulher, depois de vê-lo na televisão, recebe o marido carinhosamente, com um abraço e um beijo, põe um CD para tocar e diz que teve saudades dele? E os generais, os criativos generais que deram nome a algumas divisões que fazem estremecer até os corações mais duros, como "Operação Decapitação", "Ratos do Deserto", "Águias que Gritam" e a mais apavorante, a "Delta"?

Desta fazem parte soldados treinados há anos, "todos os minutos dos sete dias da semana", para caçar e matar Saddam Hussein, seus filhos e as lideranças militares do Iraque. Mas isso não é assassinato? É. E então? Pois é. Além disso, fazem escuta telefônica, e a imprensa americana -tirando alguns comentaristas- faz vista grossa sobre todos esses crimes. Mas afinal, que gente é essa? E Condoleezza Rice, o que a fez tão dura e tão cruel? Aquele professor de Viena -Freud- faria esse diagnóstico com um pé nas costas, ah, isso faria.

Agora o chefão, Bush. Para quem ignora: o presidente é alcoólatra e deixou de beber depois de freqüentar o AA -Alcoólatras Anônimos. Segundo o AA, os dependentes de álcool, mesmo que passem o resto da vida sem tocar em bebida, continuam sendo alcoólatras, pois o alcoolismo é uma doença -como o diabetes, por exemplo.

Alguns de seus sintomas são a síndrome da grandiosidade e da onipotência, e o dependente deve, para o resto da vida, freqüentar as reuniões com uma certa regularidade. É sabido que Bush nunca mais foi a uma dessas reuniões e pode estar passando por uma fase conhecida como "porre seco", que é se comportar como se estivesse alcoolizado, mesmo sem beber uma só gota. Coitada da mulher do Bush. Coitado do mundo.

O papa foi -sem trocadilho- divino, quando pediu que o presidente Bush não falasse mais em nome do Senhor; a nós, pessoas comuns, só resta sofrer diante da televisão, com a consciência de que estamos sendo testemunhas de um momento histórico -apesar de lamentável- que poderá transformar o mundo.

Como já passamos da idade de ir para a porta da embaixada americana queimar bandeiras, podemos nos revoltar tomando uma atitude que não vai resolver nada, mas que não deixa de ser uma atitude. Pode ser infantil, mas Coca-cola nunca mais.

Fonte: Reuters e Folha de S. Paulo

Revista Consultor Jurídico, 27 de março de 2003.

Revista Consultor Jurídico, 27 de março de 2003, 11h32

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