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Sexta-feira, 21 de março.

Primeira Leitura: posição da França na guerra pode prejudicar Brasil

Amedrontador

A economista Stephany Grifith-Jones, do Institute of Development Studies, da Inglaterra, acredita que o ataque sem o aval da ONU indica que organismos multilaterais, como a OMC, o FMI e o Banco Mundial devem se enfraquecer, o que ela define como "amedrontador", especialmente por causa da importância dessas instituições para a economia dos países latino-americanos.

Vai sobrar...

A oposição entre EUA e França por causa do ataque ao Iraque deve prejudicar as negociações entre os dois países na Organização Mundial do Comércio (OMC). E o enfraquecimento dos acordos na OMC prejudicaria o esforço brasileiro de abrir os mercados americano e francês para os produtos agrícolas do país, segundo o embaixador Rubens Ricupero, secretário-geral da Unctad, a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento.

Baixo nível

O tablóide britânico The Sun chamou o presidente francês Jacques Chirac de "prostituta de Paris". O The Sun já havia chamado o presidente francês de "verme" por causa da posição antiguerra da França, o que afrontou o governo britânico.

Adeus, desarmamento...

A guerra começou, mas a pirotecnia nos céus de Bagdá acabou atraindo tanta atenção quanto a reação de diversos líderes mundiais ao início do ataque americano e britânico ao Iraque, que explicitou o isolamento político dos EUA. O mais emblemático veio da Rússia.

O presidente Vladimir Putin afirmou que o mundo não pode permitir que "a lei do punho substitua o direito internacional". E o Parlamento da Rússia decidiu adiar a votação do tratado firmado com os EUA que previa a redução dos arsenais nucleares dos dois países em dois terços.

Unilateralismo explícito

O secretário americano de Defesa, Donald Rumsfeld, lembrou que os EUA têm "a maior arma de guerra da face da Terra" para proteger... os EUA! Em outra frente, a Casa Branca pediu aos governos de todos os países do mundo que ordenem o fechamento das embaixadas e representações diplomáticas iraquianas até que Saddam Hussein seja retirado do poder.

É mais um papel reservado à ONU que o governo americano arroga para si. Ora, a relação dos países com o Iraque diz respeito às suas respectivas políticas internas. Segundo o direito internacional, Saddam Hussein ainda é o presidente do Iraque.

Colheita

Cresce, no mundo, a rejeição à figura do presidente americano. Em Berlin, algumas das cerca de 50 mil pessoas que protestavam em frente à embaixada dos EUA carregavam cartazes em que se lia "George W. Hitler".

A guerra como marketing

No Brasil, mais especificamente no Planalto, guerra virou oportunidade para marketing. Em pronunciamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou o ataque americano ao Iraque sem o aval da ONU.

E procurou acentuar sua atuação pessoal em relação ao conflito: usou verbos na primeira pessoa por 14 vezes, nove delas no singular: "Desde que assumi a Presidência, tomei uma série de iniciativas em busca de uma solução pacífica para a crise", afirmou, por exemplo. Ocorre que a posição do Brasil é absolutamente secundária nesse conflito.

Bate-bola

Da prefeita petista de São Paulo, Marta Suplicy, sobre os deputados federais do mesmo PT que criticam o governo Lula: "Se você for pegar as alternativas do Babá [João Batista Araújo] e da Heloísa Helena, você põe o Brasil na UTI amanhã"

Resposta da deputada Heloísa Helena (PT-AL):

"Como enfermeira, sei que o Brasil e São Paulo estão na UTI há bastante tempo, e minha luta é para que não cheguem a um estado terminal... Talvez a minha percepção seja precária, porque eu ando onde o povo está"

Está escrito

Logo depois dos atentados de 11 de setembro contra Washington e Nova York, diversos analistas reforçaram a tese de Samuel P. Huntington de que, com o fim da Guerra Fria, o grande conflito do mundo seria um choque entre o Ocidente e o Islã. Em seu livro O Choque de Civilizações e a Recomposição da Ordem Mundial, Huntington defende que as nações ocidentais, com seus valores universalistas, são obrigados a enfrentar povos inebriados com a certeza de sua superioridade cultural e acabrunhados pela realidade de sua inferioridade material, tecnológica e política.

Em novembro de 2001, a revista do Primeira Leitura pediu a Gildo Marçal Brandão, professor-doutor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo, que analisasse o livro de Huntington. Brandão afirma que a tese é "uma arma de combate: fornece um discurso aparentemente racional para a nova elite dominante [nos EUA]".

Revista Consultor Jurídico, 21 de março de 2003.

Revista Consultor Jurídico, 21 de março de 2003, 9h35

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