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Crime organizado

Amaerj repudia assassinato de juiz e pede combate ao crime

O presidente da Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro, Luis Felipe Salomão, divulgou nota para repudiar o assassinato do juiz Antônio José Machado Dias e conclamar a sociedade a combater o crime organizado.

"Nosso luto, nossa vergonha e nossa dor desconhecem limites. Nada supera, contudo, nossa imensa indignação. Julgamos inadmissível tolerar que se estendam no tempo, sem neutralizá-las em suas raízes, as diferenças sociais existentes no Brasil, alimentadoras permanentes de focos de violência", afirmou Salomão.

Leia o manifesto da Amaerj publicado no Jornal do Brasil:

MANIFESTO À NAÇÃO

A execução do Juiz de Direito Antônio José Machado Dias, fuzilado por facínoras nas imediações do Fórum de Presidente Prudente, tem um significado que transcende o sempre gravíssimo crime de homicídio. Naquela cidade paulista ocorreram, simultaneamente, o assassinato de um homem de bem e um inominável atentado contra o Poder Judiciário. Como sem tal instituição não existe democracia, consumou-se paralelamente uma agressão ao moderno Estado brasileiro.

Estamos perplexos. Estamos indignados. Mas estamos, sobretudo, decididos a reagir sem medo. Outros países tiveram ou têm sua História marcada por capítulos hediondos. Como escreveu Gabriel Garcia Márquez em Notícia de um Seqüestro, "a Colômbia não havia tomado consciência de sua importância no tráfico mundial de drogas até que os narcotraficantes entraram na alta política do país pela porta traseira, primeiro com seu crescente poder de persuasão e suborno, e depois com aspirações próprias".

Por ter demorado a reagir com o indispensável vigor e o necessário rigor, a Colômbia ainda percorre caminhos balizados pelo sangue. Também ali os bandidos primeiro mataram homens de imprensa. Depois, homens da Justiça. Enfim, passaram a seqüestrar e assassinar candidatos à Presidência da República.

Na Itália, a escalada audaciosa exibiu momentos de gravidade semelhante. Magistrados que combateram a Máfia pagaram com a vida essa dedicação à batalha pela vitória dos valores sociais. O crime organizado sabe avaliar a importância dos alvos a atingir. É por isso que, também no Brasil, mata jornalistas independentes como Tim Lopes. É como se estivesse promovendo a execução da imprensa livre. Também por isso os meliantes passaram a atacar Juízes como Antônio José Machado Dias. Foi o assassinato simbólico do Poder Judiciário.

Nosso luto, nossa vergonha e nossa dor desconhecem limites. Nada supera, contudo, nossa imensa indignação. Julgamos inadmissível tolerar que se estendam no tempo, sem neutralizá-las em suas raízes, as diferenças sociais existentes no Brasil, alimentadoras permanentes de focos de violência. Mas consideramos ainda mais absurdo o adiamento, mesmo que por algumas horas, do combate frontal ao banditismo. Conclamamos toda a sociedade a essa campanha. Mais que campanha, há uma guerra a travar. E uma guerra justíssima.

Temos de adotar medidas de amplo espectro para a rápida restauração da segurança pública. Sejam de curto, médio ou longo alcance, que sejam implantadas de imediato.

Não há, neste momento, diferenças entre governos ou partidos. A hora é de união dos brasileiros decentes, liderados pela força centrípeta do Poder Federal.

A hora é de ação.

Antes que seja tarde.

LUIS FELIPE SALOMÃOPresidente da Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro(AMAERJ)

Revista Consultor Jurídico, 21 de março de 2003.

Revista Consultor Jurídico, 21 de março de 2003, 12h37

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