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Alarme geral

Corínthians e São Paulo têm minuto de silêncio por juiz assassinado

As primeiras suspeitas sobre a morte do juiz corregedor Antonio José Machado, assassinado nesta sexta-feira, em Presidente Prudente, recaem sobre a quadrilha autodenominada "PCC" (primeiro comando da capital) e não sobre o bando do traficante Fernandinho Beira-Mar.

Embora estejam apenas no início, as investigações apontam nesse sentido segundo autoridades envolvidas na apuração do homicídio. A explicação é que, apesar de ser o mais famoso hóspede da região, não é Beira-Mar, mas as lideranças do PCC que estão há mais tempo no presídio local e com quem o juiz mais vinha tendo problemas nos últimos meses.

Ainda que tenham algo a ver com a morte do juiz, os asseclas do traficante teriam que se escorar na estrutura criminosa dos bandidos paulistas, acredita pelo menos uma autoridade judiciária.

Na final do Campeonato Paulista deste domingo, entre o Corínthians e o São Paulo, haverá 1 minuto de silêncio de pesar pela morte do juiz. O pedido, atendido pela Federação Paulista de Futebol, foi feito pelo advogado Rubens Approbato Machado em nome da OAB e da Associação dos Juízes Federais (Ajufe).

O corpo do juiz foi velado neste sábado (15/3) no Tribunal de Justiça de São Paulo, onde a direção do TJ anunciou a transferência da Corregedoria de Presidente Prudente para a capital paulista. Outras providências serão a vigilância 24 horas nos fóruns e a utilização de detectores de metais.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Marco Aurélio, lamentou a morte do juiz de execução criminal e afirmou que "o crime organizado vem revelando nos últimos dias uma ousadia inimaginável". Para Marco Aurélio, "é preciso que o Estado acorde e atue no saneamento das situações reprimindo de forma eficaz, para o que é indispensável a reflexão sobre os valores que viabilizaram a chegada ao estágio atual".

Durante o velório, em São Paulo, o procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey, anunciou também que, além dos três promotores locais designados para o acompanhamento das investigações, outros integrantes do Ministério Público poderão juntar-se à tarefa que será acompanhada também pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

"Nenhuma hipótese pode ser descartada", comentou Marrey. "Mas é inegável que o crime tem características de pistolagem", analisou o chefe do Ministério Público paulista, observando que o assassinato não foi algo fortuito, como é uma tentativa de assalto em cruzamento com semáforo, por exemplo.

O procurador repetiu uma vez mais a importância de se ter presídios federais de segurança máxima para abrigar os criminosos que atentam contra todo o país. Eles são necessários, afirmou, não apenas para receber os condenados por crimes de competência da justiça federal mas também para socorrer estados cujas estruturas sejam insuficientes para conter os criminosos estaduais. "O presídio federal está previsto na legislação há muitos anos. É intolerável que o assunto só seja relembrado quando há novas mortes", criticou.

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Revista Consultor Jurídico, 15 de março de 2003.

Revista Consultor Jurídico, 15 de março de 2003, 15h05

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