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Sexta-feira, 14 de março.

Primeira Leitura: inflação começa a corroer popularidade de Lula.

Choque de realidade

A inflação em alta e opção de oferecer, na economia, mais do mesmo já oferecido por FHC começou a corroer a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo pesquisa do instituto Sensus, feita entre sábado e segunda-feira passados para a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), em apenas 46 dias, a avaliação positiva do governo Lula caiu onze pontos percentuais - de 56,6% para 45%. A avaliação negativa mais do que dobrou (de 2,3% para 7,9%), e a avaliação regular quase dobrou, de 17,7% para 32,7%.

Lula sob avaliação

O desempenho pessoal do presidente Lula sofreu erosão menor, mas também registrou aumento dos índices negativos: em janeiro, 83,6% dos entrevistados pelo Sensus aprovavam o desempenho, contra 78,9% de aprovação em março; a desaprovação cresceu de 6,8%, em janeiro, para 12,3%, em março.

Constrangimento

A expectativa de ter a vida mudada para melhor em um ano e oito meses, pelo governo Lula, registrada na pesquisa de janeiro, subiu, agora, para dois anos e dois meses. Não sem uma ponta de constrangimento, Clésio Andrade (PFL-MG), vice-governador de Minas, presidente da CNT e aliado de Lula desde a campanha, admitiu que o governo do PT paga o preço de ter passado a idéia, na campanha, de ser um "governo com uma proposta de mudança pronta, e não é".

Continuísmo

Em uma escala de 0 a 100, a avaliação sócio-econômica do país, em janeiro, era de 34 pontos percentuais - negativa portanto - e continuou nos mesmos 34 pontos em março, isto é, a população tem a rigorosa sensação de que está vivenciando mais do mesmo.

Desilusão

Em janeiro, 78,2% dos entrevistados acreditavam que o desemprego diminuiria - hoje, são 63,2%. E os que acham que o desemprego vai aumentar ou vai continuar na mesma somam 32,6%, contra 16,7%, em janeiro. O índice dos que acreditavam, em janeiro, que a inflação iria cair era de 63,9% - contra 46% em março.

Mais desilusão

Até a expectativa sobre a corrupção aumentar ou diminuir foi contaminada, apesar de o governo Lula não ter dado maiores motivos para tamanha corrosão: em janeiro, 66,1% acreditam que a corrupção diminuiria; hoje, são só 47,6%. Em janeiro, 13,9% apostavam no aumento da corrupção, percentual que mais do que dobrou - 29,9%.

Na vida real

Não tem jeito, pesquisas refletem a vida real. E sobre isso falaram ontem representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o IBGE. Da CNI, veio a informação de que o crescimento da atividade vai ficar para o fim do ano. Do IBGE, a previsão de que as vendas no varejo continuarão em queda - já caíram 4,86% em janeiro, em relação ao mesmo mês de 2002. A retração do consumo se deu principalmente nos supermercados - o povo está comprando menos comida.

Contra-ataque 1

O governo sentiu o golpe. Tanto assim que o ministro Antonio Palocci (Fazenda) reforçou o discurso de que a reforma tributária servirá para cumprir compromissos sociais, com a adoção de impostos mais justos. O programa Fome Zero, que não sai do papel, também está na mira do governo. Tanto assim que o ministro extraordinário da Segurança Alimentar, José Graziano, teve de desmentir boatos de que estaria demissionário.

Assim falou... Tarso Genro

"É só no final do governo que é possível realmente testar a popularidade de um governante."

Do secretário especial de Desenvolvimento Econômico e Social, à respeito da pesquisa CNT-Sensus que mostrou erosão da popularidade do governo. Segundo ele, no princípio, o que existe é a legitimidade das urnas. No meio, uma séria de medidas necessárias, mas que nem sempre agradam a todos.

Ironias da história

No dia em que saiu a pesquisa mostrando a redução da popularidade do governo Lula, o mercado reiterou seu apoio à continuidade da política econômica, justamente o que está na origem do desgaste da imagem do PT. Com o adiamento da guerra - ainda que por uma semana ou menos -, investidores decidiram dar suas provas de apreço à ortodoxia econômica, ou seja, à opção do ministro Antônio Palocci (fazenda) pelo ajuste fiscal com corte de gastos, por uma política monetária dura e por um pacote de reformas. Essa sempre foi a receita do mercado para o crescimento. O dólar fechou em queda de 1,67%, cotado a R$ 3,41, na menor cotação desde 20 de fevereiro deste ano. A taxa de risco do país caía, até o início da noite de ontem, 2,25%, para o patamar de 1.082 pontos - o menor desde junho do ano passado.

Revista Consultor Jurídico, 14 de março de 2003.

Revista Consultor Jurídico, 14 de março de 2003, 10h36

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