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'Caso Agroceres'

Confusão no Fórum adia julgamento do caso Agroceres

Após tumulto que terminou com uma ambulância na entrada do Fórum Criminal da Barra Funda, o julgamento do empresário F.Z.A, acusado de matar o pai e ex-presidente da Agroceres, Ney Bittencourt Araújo, em janeiro de 1996, foi adiado. O "Caso Agroceres", como ficou conhecido na época, teve grande repercussão. Araújo foi encontrado com um tiro no peito em seu apartamento na alameda Jaú, no Jardim Paulista.

No primeiro momento, o empresário disse à polícia que encontrou o pai baleado. Depois de um laudo detectar resíduos de pólvora nas mãos do rapaz, ele disse que viu o pai com uma arma no peito tentando suicídio e que teria tentado impedi-lo, ocorrendo assim o disparo acidental.

O julgamento foi adiado por conta de um desentendimento entre a defesa e a acusação na ante-sala do plenário. Do plenário, os presentes que estavam prontos para acompanhar o julgamento ouviram gritos da promotora Eliana Passarelli e depois do juiz Eduardo Francisco Marcondes, pedindo ordem no local. A polícia chegou a ser acionada. O plenário foi esvaziado, Frederico começou a chorar e depois de muito tempo, o julgamento foi adiado.

De acordo com advogada de defesa, Dora Cavalcanti, o motivo do desentendimento foi a recusa do juiz em aceitar documentos complementares do caso e uma nova testemunha que seria incluída na acusação. A promotora que, segundo Dora, teve "comportamento insólito" não teria obedecido aos prazos legais para as inclusões.

O assistente da acusação, Antonio Sergio de Moraes Pitombo, diz que houve, na verdade, "uma manobra" da defesa para esvaziar o julgamento. De acordo com ele, a defesa entregou uma petição na terça-feira, véspera do julgamento, ao juiz pedindo que não fossem aceitos os documentos que já estariam sendo anexados há cerca de um ano. Para ele, houve "inabilidade" do juiz ao acatar o pedido da defesa.

O advogado Luiz Fernando Pacheco, que atua na defesa, afirmou que durante a discussão a promotora tentou agredi-lo e teve que ser contida pelos colegas. Pitombo nega que tenha havido qualquer tentativa de agressão por parte de Eliana. Informalmente, a acusação chegou a falar que a promotora havia sido agredida por membros da defesa. Pitombo não negou nem confirmou esta versão.

Após desentendimento, Eliana passou mal e sua pressão arterial subiu. Uma ambulância do Hospital Albert Einstein chegou ao Fórum para atendê-la. A discussão pôde ser ouvida pelas testemunhas. Entre elas, estavam o ministro de Agricultura, Roberto Rodrigues, e o ex-ministro da Saúde, Alceni Guerra, que ocupou a pasta durante o governo Collor.

Rodrigues era amigo próximo de Araújo e Alceni, amigo de Frederico. Ambos falariam sobre o relacionamento entre pai e filho. Ao deixar o Fórum, Frederico disse que não pretendia que o julgamento fosse adiado e disse que não é culpado no caso. "Sou inocente e quero provar isso".

O texto foi transcrito do site Último Segundo.

Revista Consultor Jurídico, 12 de março de 2003.

Revista Consultor Jurídico, 12 de março de 2003, 19h49

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