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Terça-feira, 11 de março.

Primeira Leitura: novo Lula se porta como herói na Mercedes.

Conciliação de classes

O velho Lula teria engulhos. O novo é saudado e se porta como herói. Na Mercedes, nesta segunda, o presidente falou com a diretoria e depois foi fazer proselitismo para a turma do chão de fábrica. No palanque, diretores da empresa, sindicalistas, gente do governo. Na platéia, a patuléia aplaudia um dos seus. Nunca se viu nada parecido com isso em termos de conciliação de classes, justamente aquilo que o PT disse que veio para não fazer. Mas ninguém cora de vergonha.

Faz bem

Que fique claro! Primeira Leitura acha que Lula faz bem em falar com empresas e trabalhadores. Lula é que diria, há menos de um ano, que isso é tal da manipulação do capital... Sorte do PT que não haja um PT como adversário...

E o governo?

Aliás, é chegada a hora de alguém avisar que o presidente Lula já ganhou as eleições. Na segunda-feira (10/3), ele desandou a criticar as condições de vida dos assentamentos dos sem-terra, reclamou que o Brasil exporta encargos - e pediu reforma tributária - e disse que é preciso acabar com os privilégios da Previdência. Só faltou dizer que o governo não toma nenhuma providência e gritar "Fora FHC!"

E o Plano B?

O debate sobre o tal Plano B foi satanizado por bons e por maus motivos. Os bons: há quem queira ver Antonio Palocci longe do governo. Nem pensar! Ruim com ele; pior sem ele. O PT, é certo, até agora, não tem a menor noção do que fazer. Mas Palocci, ao menos sabe o QUE NÃO DEVE FAZER. Já é bastante. Os maus: o ministro da Fazenda vai mesmo acreditar que tudo se resolve assim, segundo a lógica do vôo de galinha, que é curto e não se sustenta. Vale dizer: os indicadores melhoram um pouco, o Brasil continua sem política industrial e desatento à vulnerabilidade externa, e volta a ficar na UTI diante de uma nova crise externa.

Ah, que mimo!

Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça, se mostra decepcionado com a eclosão da violência no país e diz que estava preparado era para cuidar da reforma do Judiciário. Deixou claro que não tem vocação para ser carcereiro ou coisa que o valha!!! Notável: as coisas são assim mesmo.

Os políticos se preparam para governar a Suíça, pensando numa civilidade partidária da Suécia e de olho dos indicadores sociais da Noruega. Quando descobrem que o Brasil é assim, digamos, meio torto, restam ressentimento e decepção. Vejam o caso de Marta Suplicy: os transportes públicos em São Paulo estão mergulhados no caos, e ela arruma briga com jornalistas, que relatam os fatos...

Bateção de cabeça

De resto, como não reconhecer que o governo está batendo cabeça na questão do Rio? Cadê o tal Plano de Emergência? A violência no Rio e nas grandes cidades não é coisa de agora. O governo, num primeiro momento, empurrado por José Dirceu, botou a tropa na rua.

Depois, viu que elas não tinham o que fazer sem um plano concreto de combate ao tráfico. O prefeito César Maia acusa o petismo de, por enquanto, produzir mais calor do que luz. Moveu os tanques, deu a entender que a coisa era para valer e viu recuar os soldados sem que o cidadão comum tenha percebido qualquer mudança de status na situação...

Assim falou...Luiz Inácio Lula da Silva

"Eu não tinha barba branca, eu não tinha cabelo branco, quando eu ouvia dizer que era preciso fazer reforma na Previdência Social e eu assumi o compromisso de mandar essa reforma também ainda no primeiro semestre e com a ajuda dos 27 governadores e dos prefeitos das capitais."

Do presidente da República, durante discurso na 9ª Feira Internacional do Plástico, nesta segunda, dia 10 de março.

Tudo e história

"A Nova Aristocracia consistirá exclusivamente de eremitas, vagabundos e inválidos permanentes. O Diamante Bruto, a prostituta Tísica, o bandido bondoso para com a mãe, a jovem epilética que tem jeito com animais serão os heróis e heroínas da Nova Tragédia, quando o general, o estadista e o filósofo se tiverem tornado motivo de toda farsa e sátira."

Trecho da fala de Herodes, do texto For the Time Being: a Christmas Oratorio, escrito há mais de 50 anos por W. H. Auden

Revista Consultor Jurídico, 11 de março de 2003.

Revista Consultor Jurídico, 11 de março de 2003, 10h13

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