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Sexta-feira, 7 de março.

Primeira Leitura: Palocci tenta mandar recado à Turma do Plano B.

Cala-boca 1

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, convocou a imprensa para falar da revisão do acordo com o FMI, embora não houvesse qualquer novidade sobre o assunto. Na verdade, Palocci queria era usar a imprensa, como fez, para mandar um recado à "Turma do Plano B" - petistas que expressam descontentamento com os rumos do governo, em especial a política monetária e o debate sobre as reformas. Nos dois casos, cobra-se de Lula um projeto de reparação social.

Cala-boca 2

Sobre a taxa-Selic, Palocci foi claro: "Pior do que juros é inflação", destacando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não faz reservas ao entendimento que a Fazenda tem sobre a forma de superar a crise. De acordo com ele, o governo não vai amenizar nenhuma das medidas duras adotadas nas áreas monetária e fiscal. Aos que pedem o tal "Plano B", respondeu que é "insanidade" falar em mudança da política econômica, dada a melhoria de todos os indicadores.

Melhora geral

Palocci se referia aos números do mercado financeiro nas últimas semanas. Ontem, o dólar chegou a valer R$ 3,49 e fechou a R$ 3,50 (-1,51%), o menor nível desde 22 de janeiro. A taxa de risco do Brasil caía nada menos do que 4,05% no fim da tarde, para 1.113 pontos.

Fim da sangria

Os números refletem o bom desempenho da balança comercial no ano e a perspectiva de melhoria, com a comercialização da safra de grãos a partir deste mês. E também o fim da sangria de divisas por meio da conta CC-5. As remessas de dinheiro ao exterior passavam de US$ 1 bilhão por mês entre agosto e outubro do ano passado. Em fevereiro, até o dia 19, as remessas somaram apenas US$ 275 milhões. Em janeiro, menos ainda: US$ 175 milhões.

Fluxo

Com maior ganho na balança comercial e o menor volume de remessa de divisas, o fluxo de dólares no país se mantém positivo há dois meses, situação que deve se manter neste mês.

Turma do Plano B

Enquanto isso, a esquerda do PT - a Democracia Socialista - quer que partido debata plano alternativo para a economia com Celso Furtado, Maria da Conceição e Paulo Nogueira Batista; O senador Aloísio Mercadante (PT-SP), que não se entende com Palocci, é quem dá liga política a esses economistas.

Assim falou... Juvêncio da Fonseca

"Coitada! Tenho dó da Heloísa Helena. O PT não assume que não quer cassar o ACM e deixa a Heloísa Helena nessa situação, falando sozinha."

Do presidente do Conselho de Ética do Senado ao acusar o PT de não querer investigar o senador Antonio Carlos Magalhães, acusado de envolvimento com grampo ilegal na Bahia.

Ironias da História

Cena 1: O ministro José Dirceu (Casa Civil) nega que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pense em revogar a MP antiinvasões baixada pelo governo FHC, como queria o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, da ala esquerda do PT. A MP impede que terras ocupadas por sem-terra sejam vistoriadas para fins de reforma agrária. É uma arma e tanto contra o MST!

Cena 2: A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), irrita-se com o âncora do telejornal SPTV, da TV Globo, Chico Pinheiro, ao ser questionada sobre a ausência de empresas de fora da cidade para disputar a licitação das linhas de ônibus para novo sistema de transporte da capital. "Você acha que é fácil ser prefeita? Vem aqui então sentar no meu lugar!", desafia.

Cena 3: A senadora Heloísa Helena (PT-AL) recorre contra o arquivamento de investigação do envolvimento do senador Antônio Carlos Magalhães nos grampos ilegais da Bahia. E acaba ridicularizada por colegas de outros partidos, que notam no PT o desejo de esquecer essa história.

As três cenas revelam que uma certa forma petista de fazer política, que vigorou nos últimos 20 anos, está se esfarelando no choque do partido com a realidade do poder.

Marta pede à população uma compreensão que o PT nunca teve com governantes. Dirceu, agora, quer enquadrar rapidamente o incômodo e maoísta MST - antes, esse exército servia para desfilar em Brasília contra FHC. E Heloísa Helena é obrigada a engolir o irônico fato de que o PT, hoje, é aliado da oligarquia nordestina que sempre combateu.

Revista Consultor Jurídico, 7 de março de 2003.

Revista Consultor Jurídico, 7 de março de 2003, 9h44

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