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Quinta-feira, 6 de março.

Primeira Leitura: aposta de Lula é a mesma de FHC na segunda gestão.

Impasse na economia

Agora não é mais a esquerda do PT a criar problemas para o Planalto. Gente da elite do partido, como o líder do governo no Congresso, Aloizio Mercadante, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, e a economista Maria da Conceição Tavares estariam questionando a estratégia do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, para a economia.

Aliados, mas descontentes

A lista de críticos incluiria ainda aliados de outras siglas, como o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PPS) e o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), além do presidente do BNDES, Carlos Lessa.

Plano B

Esses petistas e aliados estariam pressionando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a adotar um Plano B para a economia. Lula, contudo, parece convencido de que não há outra alternativa e que o importante neste momento é conseguir realizar as reformas para melhorar a avaliação do setor financeiro internacional sobre o Brasil, abrindo espaço para o crescimento.

O mesmo filme...

Essa é, literalmente, a mesma aposta que o presidente Fernando Henrique Cardoso fez na sua segunda gestão, por orientação do seu ministro da Fazenda, Pedro Malan. Deu no que deu.

... em versão piorada

Ocorre que o Planalto estaria disposto a pôr limites no paloccismo. O presidente teria, inclusive, pedido a Palocci que evitasse nova alta de juros, mesmo que a inflação siga pressionada, segundo informação da revista Época. Monetarismo com limites, porém, é uma tentativa de conciliar o inconciliável, ou seja, contentar ao mesmo tempo o mercado e a economia real.

Falta estratégia

A falta de uma estratégia clara do governo para enfrentar as turbulências no curto prazo é a cada dia mais flagrante. Pior, não há nada também sendo preparado para o longo prazo fora da opção monetarista. O jornal Valor Econômico informa, por exemplo, que o desenho da política industrial permanece indefinido, até porque postos-chave para a elaboração e execução desta política permanecem vagos.

Há vagas

Estão sem titular a Câmara de Comércio Exterior (Camex) e as secretarias de Desenvolvimento da Produção e de Comércio Exterior, ambas do Ministério do Desenvolvimento. O objetivo de uma política industrial seria o de reduzir a vulnerabilidade externa do Brasil.

Impasse também na política

Uma antiga disputa política entre o ministro José Dirceu (Casa Civil) e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), ameaça se transformar numa crise política para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por conta da articulação no Congresso. Dirceu e Mercadante divergem sobre a participação do PMDB no governo e sobre os projetos que devem ser prioritários para a votação.

O principal aliado do ministro no Legislativo é o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP).

Assim falou... Gilberto Dupas

"O Brasil que vai resultar de um dólar no nível de R$ 3,60 é muito pior do que o que vemos hoje em termos de inflação, juros, desestruturação das cadeias produtivas, dívida das empresas."

Do economista e coordenador-geral do grupo de conjuntura internacional da USP, ao alertar o governo Lula para o perigo de ver no real desvalorizado a salvação para as exportações. Dupas cobra uma política industrial.

Ironias da História

Na década de 80, a esquerda criticava o crescente luxo dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, uma suposta descaracterização da cultura popular e a despolitização dos enredos. O carnavalesco da Beija-Flor, Joãosinho Trinta, defendeu-se da patrulha, na época, com a famosa frase: "Pobre gosta de luxo. Quem gosta de pobreza é intelectual".

Pois neste ano, a Beija-Flor, agora sem Joãosinho Trinta, ganhou o título de campeã do Carnaval carioca apresentando a miséria como espetáculo, com direito a carro cuja principal alegoria era um boneco do presidente Lula, de braços abertos, a simbolizar um suposto "banquete do povo". Depois da carnavalização da política, como Duda Mendonça, Lula e sua choradeira eleitoral, está aí a politização do Carnaval. E a miséria virou um passeio na avenida. Mas como dói.

Revista Consultor Jurídico, 6 de março de 2003.

Revista Consultor Jurídico, 6 de março de 2003, 11h31

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