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Sexta-feira, 30 de maio.

Primeira Leitura: Lula achou por bem aprofundar modelo de arrocho.

Recessão by Lula

O Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas do país, caiu 0,1% no primeiro trimestre do governo Lula, na comparação com os últimos três meses da era FHC. A indústria teve queda de 2,2%. O setor de serviços ficou estagnado, literalmente (0,0%). A agropecuária cresceu 3,7%. O resultado não chocou ninguém, dado que o país está convivendo, não é de agora, com altas taxas de juros, e que o governo Lula achou por bem aprofundar o modelo de arrocho.

O diabo mora no detalhe

Detalhados, os números sugerem um quadro ainda pior. O consumo do governo cresceu pouco, 0,5%. Já as exportações caíram 1,3%, os investimentos das empresas recuaram 4,6%, e o consumo das famílias teve queda de 0,6%, sempre na comparação entre o primeiro trimestre deste ano com o último de 2002.

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O coordenador da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, afirmou que a manutenção de juros altos projeta expectativas negativas também para o segundo trimestre deste ano. O professor Antonio Licha, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que o Brasil vai entrar tecnicamente em recessão no segundo trimestre.

Esquizofrenia petista

Enquanto os números eram divulgados, o Copom sugeria, em ata, a manutenção dos juros altos e culpava, entre outras coisas, supostos reajustes salários (!!) pela resistência da inflação. E, no ABC, entre metalúrgicos, o presidente Lula criava metáforas sobre a felicidade vindoura.

Orquestra desafinada

Lula disse para os cerca de 3 mil funcionários da fábrica da Ford, em São Bernardo, que o governo está afinando a orquestra "e que logo o espetáculo do crescimento vai acontecer no país". Não é o que pensa o Ipea, instituto de pesquisas e estudos subordinado ao próprio governo e que está projetando "um PIB fraco" no segundo trimestre.

Como assim?

Um grupo de 30 deputados federais do PT divulgou o manifesto Tomar o Rumo do Crescimento Já. No documento, os parlamentares lembram que o partido esteve unido na campanha eleitoral e que essa foi uma das razões de ter chegado ao poder, afirmam que o governo precisa, mais do que nunca, de unidade "para enfrentar a dura travessia", e que "a unidade só se afirma na vitalidade do amplo e respeitoso debate democrático". Estranhamente, o futuro presidente da CUT, Luiz Marinho, recomendou ao grupo "cautela".

Assim falou... Luiz Inácio Lula da Silva

"Quando você planta um pé de feijão, tem de esperar 90 dias. E nesse período temos de tomar o maior cuidado para evitar que a planta morra com a primeira chuva."

Do presidente da República, usando, de novo, metáforas e parábolas para justificar por que a economia vai tão mal. Como anda exagerando, lembrou a personagem do filme Muito Além do Jardim, um jardineiro interpretado por Peter Sellers.

"Precisamos nos transformar no país do presente. Até porque, tudo o que se faz muito a longo prazo, demora muito"

Do presidente da República, na quarta-feira, durante seminário sobre fundos de pensão. A frase dispensa comentários.

A história se repete

A roda da mistificação não pára. No momento, a roda enfeita o debate e as ações do governo Lula em relação às negociações comerciais envolvendo a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e a consolidação do Mercosul (Mercado Comum do Sul) pela enésima vez. O professor Paulo Nogueira Batista Jr. escreveu este parágrafo em artigo na edição desta quinta da Folha de S. Paulo: "[No campo das negociações da Alca] o governo Lula começou a se distanciar da orientação do governo Fernando Henrique Cardoso".

Ainda que alguns economistas, analistas e jornalistas queiram mudar a realidade com a simples troca de óculos, a verdade é que, do ponto de vista das negociações e das orientações políticas, o governo Lula não se distanciou um mísero milímetro do que lhe foi legado às 17h do dia 1º de janeiro passado, no Planalto. A única novidade é que Lula não é FHC, Kirchner (Argentina) não é De La Rua/Domingo Cavallo e Nicanor Duarte (Paraguai) não é Marchi. Afora isso, é mais do que mistificação, é a mais pura empulhação, a notícia de que só se negocia a Alca a partir do bloco Mercosul, o que seria o tal "distanciamento". Já era assim, e com a possibilidade de as negociações bilaterais Mercosul-EUA (4+1) andarem, eventualmente, mais rápido do que as negociações Mercosul-Alca.

Isso tudo faz lembrar aquela manchete do extinto jornal Planeta Diário, da atual turma do Casseta, na morte do ditador Emílio Garrastazu Médici. O jornal foi às bancas com este título: "Médici morre, mas passa bem". O governo Lula mexeu-se, mas não saiu do lugar.

Revista Consultor Jurídico, 30 de maio de 2003, 11h17

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