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Questão inusitada

Concurso de juiz no RS exige conhecimento sobre Big Brother

Mais de quatro mil candidatos inscritos para o concurso de juiz no Rio Grande do Sul tiveram que responder 90 questões. Uma delas exigia conhecimento sobre o programa Big Brother, da Rede Globo.

De acordo com o texto Sotaques Desterrados, quem faz papel de nordestino na Rede Globo é quase sempre um carioca. O texto de 31 linhas gerou dez questões. A resposta correta a uma delas foi de que "o vencedor do primeiro Big Brother Brasil tinha um sotaque acentuadamente caipira". O primeiro vencedor do programa foi o dançarino Kleber Bambam, de Campinas, interior de São Paulo.

A outra questão que chamou atenção e também foi uma das mais comentadas, segundo o site Espaço Vital, foi a seguinte:

João cede seu apartamento para Luiz e Maria manterem relações sexuais. Sem que eles soubessem, João pretendia gravar em vídeo o relacionamento de ambos, como efetivamente o fez. No decorrer dos fatos, Luiz resolve, contra a vontade de Maria, constrangê-la à realização de cópula anal. Em face do crime de atentado violento ao pudor perpetrado por Luiz, a conduta de João poderia ser caracterizada como:

(A) atípica

(B) culposa

(C) criminosa por ter atuado como participe no cometimento do atentado

(D) criminosa por ter atuado como co-autor no cometimento do atentado

(E) criminosa por ter atuado como autor colateral no cometimento do atentado.

Acertou quem respondeu a letra A.

Cada candidato teve que acertar, no mínimo, 54 questões para prosseguir no concurso público que oferece 80 vagas. A abstenção foi de 9,5%, com ausência de 421 dos 4.438 candidatos inscritos.

Na sexta-feira (30/5), o edital com o resultado da prova objetiva será publicado no Diário da Justiça e também na Internet.

Conheça as questões da prova:

* As respostas corretas estão grafadas em negrito

PROVA OBJETIVA

Instrução: Para responder às questões de números 01 a 10, considere o texto abaixo.

(linha 01) Quem faz papel de nordestino na Rede Globo é quase sempre um carioca. É triste (linha 02) dizer isso desse modo, é triste dizer isso quando se sabe dos méritos dos autores e diretores que conseguiram, nas novelas, falar de regiões remotas (linha 03) desta nossa terra, falar dos "rincões" e dessa multiplicidade de tipos exóticos, caleidoscópicos e bem desenhadinhos (linha 04) que acabaram compondo a imagem de pluralidade dócil do Brasil integrado pela TV. É triste, vá lá, mas também é fato: (linha 05) o novelão das oito firmou-se como um pêndulo incansável entre a cidade (o eixo Rio-São Paulo ou o eixo São Paulo-Rio) (linha 06) e o campo (o interior da Bahia mítica ou então da Bahia mística); o regionalismo, quando chegou à TV, chegou (linha 07) ali como pastiche de si mesmo. Na TV, a prosódia nordestina nunca passou de um "nordestinês" artificial e higienizado. (linha 08) Exceções à parte, o Nordeste da TV está para os nordestes reais assim como o Zé Carioca do gibi está para Madame (linha 09) Satã. No horário nobre, o "nordestinês" falsificado, cheio de facilitações e de glamour, substitui os sotaques nordestinos (linha 10) autênticos e, no mesmo movimento, cassou aos nordestinos o direito de aparecer na TV.

(linha 11) Como cassou o direito à voz dos caipiras. Se há um som que é banido do entretenimento chique no nosso país, (linha 12) esse som é o "erre" dos caipiras. Aquele "erre" que deveria levar um til em cima para ter a sua sonoridade representada (linha 13) adequadamente. A TV ......... o caipira. A propósito, a única virtude daquele Kléberrr que ganhou o primeiro o primeiro "Big (linha 14) Brotherrr" era o seu "r" que parecia um "i" mais fibroso ("fais paite", ele vivia repetindo). Aquele Kléber ........... a fala (linha 15) caipira, anistiou-a, reabilitou-a. Depois sumiu nesse "mundão véio sem porterrra". A fala do interiorzão de São Paulo, (linha 16) de parte de Minas, do Paraná, essa fala é emudecida pela TV, é perseguida como se fosse a própria mula-sem-cabeça. (linha 17) Por todos. Os profissionais que recrutam jovens executivos barram os caipiras. As sogras de Ipanema não querem (linha 18) saber de genros que puxem aquele "erre" que, aos ouvidos delas, soa como um berrante expatriado. Falar com aquele (linha 19) "erre" repuxado é falar como um aleijão ............ . Correntemente, a TV quer eliminar o fatídico "erre" do rude e doloroso(linha 20) idioma. Quer mantê-lo apenas como curiosidade remota, como a moda de viola, o bicho-de-pé, o fumo-de-rolo, os (linha 21) bailes de Ituverava.

(linha 22) Você nunca viu um apresentador de telejornal do meio-dia que, em vez de emitir seu "boa tahrrhde" aspiradamente (linha 23) acariocado, espremesse dos lábios um "tarrrde" acaipirado. Dificilmente verá. Assim como dificilmente verá nordestinos (linha 24) curtidos e secos, genuínos, cerrando os olhos no papel de galã. Você os verá como os vê nos programas humorísticos, (linha 25) passando por bobalhões que não percebem a malícia dos inimigos que lhes cobiçam as mulheres, você os verá em (linha 26) funções subalternas, melancólicas, você os verá como vê os animais em extinção.

Revista Consultor Jurídico, 29 de maio de 2003, 12h44

Comentários de leitores

3 comentários

Parabéns Cristiano pela crítica. Por coisas do...

abreu (Advogado Autônomo - Previdenciária)

Parabéns Cristiano pela crítica. Por coisas do gênero, as pessoas nem acreditam mais na justiça, e nem podem mesmo, diante dos absurdos ridículos perpetrado para um concurso que deveria ser do mais alto nível.

Quem diria que um concurso tão almejado muitos ...

Cristiano (Outros - Empresarial)

Quem diria que um concurso tão almejado muitos tenha que se dar ao displante de inserir um assunto tão baixo e rasteiro que é esse programa de baixarias, idiotices, hipocrisias e medíocridade. O copista que trouxe (porque copiou dos norte-americanos) um programa como esse para a Rede Globo sabe exatamente como induzir o povo a se prender no sofá diante da telinha para ver o que outros idiotas (macacos de circo) fazem durante 24 horas. Mais medíocres são as pessoas que ainda ficam comentando no dia seguinte no local de trabalho o que fulano fez, o que fulana disse, etc... Justamente feito para pessoas idiota e medíocres que não têm o que fazer no mínimo não têm expectativa de futuro, somente ficam olhando, olhando,olhando, e depois se dão ao trabalho de ficar comentando o que fulana fez........ Francamente!!! Eu pensei que o Poder Judiciário tivesse coisas mais importantes para fazer (a demanda é muito grande e acumulativa, e se não trabalharem é pior)do que ficar comentando um programa que no mínimo é desprezível. Tudo que a Rede Globo quer: pessoas formadas pela sua indução e não pessoas formadoras de opinião!! Vejamos um velho ditado oriental: "Os grandes discutem idéias os medianos discutem fatos e os medíocres discutem pessoas" Sábio ditado!

Interessante este texto, mas tenho que discorda...

Ronaldo Chevalier ()

Interessante este texto, mas tenho que discordar da manchete do referido site: "Concurso de juiz exige conhecimento sobre Big Brother". Não estou aqui defendendo os autores da prova ou do concurso, muito pelo contrário, mas, para mim a questão é bem claro e trata-se apenas de uma interpretação correta ou não do texto apresentado que por acaso fala sobre o vencedor do Big Brother. Independente de se conhecer ou não o programa ou seus participantes o canditado deveria analisar o texto e responder as questões... essa em particular nada mais faz do que tentar induzir o canditado a erro (como tantas outras questões em qualquer tipo de prova ou concurso) quando em seu enunciado dia: "02. A crônica de ................. assinale aquele que não constitui um argumento comprobatório de tal tese." Consequentemente a resposta correta é relacionada ao vencedor do Big Brother, isso independe do conhecimento do programa e sim da correta interpretação e assimilação do texto. Que acredito deva ter sido a intenção dos autores.

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