Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Sessão tortura

Leia entrevista de Fux sobre as agressões sofridas em assalto

"Dominaram-me e tentaram estrangular-me com a gravata que eu estava usando. Eles puxaram, tiraram minha gravata, amarraram as minhas mãos e começou uma sessão impiedosa de agressão com o coldre do revólver no rosto, socos. Eu sangrava, mas eles efetivamente não paravam. Graças a Deus, tive uma boa resistência e consegui me manter em pé". O relato é do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Luiz Fux, agredido durante um assalto em seu apartamento na última sexta-feira (23/5).

Em entrevista ao repórter Walter Lima, da Rádio Nacional, ele relatou os detalhes das agressões sofridas durante o assalto. "Tanto que teve um momento em que ele queria arrancar uma orelha do meu filho. Ele pegou uma faca na cozinha e cortou um pouco a orelha dele. Então, fiz alguma atitude brusca e ele disse: "Já não te falei para calar a boca?", contou.

Ao tomar conhecimento da entrevista concedida pelo ministro, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Francisco Fausto, afirmou ter ficado "ainda mais impressionado" com o avanço da violência no Rio de Janeiro e voltou a pedir providências enérgicas às autoridades no combate à criminalidade. (TST)

Leia a íntegra da entrevista:

Walter Lima (Repórter da Rádio Nacional) - Estamos ao telefone com o Ministro Luiz Fux do Superior Tribunal de Justiça. Como todo o Brasil já tem conhecimento, S. Ex.ª foi vítima de assalto em sua residência, sofreu ferimentos, mas felizmente passou pelo hospital, aos cuidados dos médicos, e já está em casa recuperando desse fato. Ministro Luiz Fux, o Brasil todo, claro, que torce pelo restabelecimento do senhor, todos torcemos por isso, com certeza gostaria de saber como isso aconteceu. O senhor foi atacado quando chegava com o carro na garagem do seu edifício?

Luiz Fux (Ministro do Superior Tribunal de Justiça) - Não, não entrei na garagem. Desci de um táxi, entrei na portaria e o porteiro estava sentado no local de destino. Há uma porta, que dá para a rua, que foi acionada eletronicamente e abriu para que eu entrasse pelo local próprio. Entrei, caminhei pelo pequeno rol do edifício, subi as escadas e, quando eu estava entrando no elevador, sofri a primeira agressão. Pensei que tivesse sido oriunda de um homem desequilibrado que estava dentro do prédio, mas, ato contínuo, recebi uma coronhada por trás que me abriu um ferimento, o qual tive de suturar.

Com essa coronhada, fui parar nesse movimento todo, num espaço de minuto, entre a portaria principal e a área de serviço, que tem um elevador de serviço - o prédio é pequeno -, onde haviam dois bandidos fortemente armados, como o terceiro e o quarto que estavam na portaria. Então, fizeram força para me dominar. Dominaram-me e tentaram estrangular-me com a gravata que eu estava usando. Eles puxaram, tiraram minha gravata, amarraram as minhas mãos e começou uma sessão impiedosa de agressão com o coldre do revólver no rosto, socos. Eu sangrava, mas eles efetivamente não paravam. Graças a Deus, tive uma boa resistência e consegui me manter em pé.

Então, estranhando que eu ainda continuasse em pé, não sei como havia uma marreta num dos degraus da escada que dá acesso ao primeiro andar, eles a pegaram e me deram uma marretada no joelho para ver se, quebrando meu joelho, eu dobraria a perna. Agüentei a marretada, evidentemente que ela teve sua eficiência, mas esse bandido, que tinha o rosto mais largo, ainda me desferiu mais uma marretada no rosto. E, ato contínuo, cada morador que chegava era dominado e, quando chegou minha filha, tentei partir em defesa dela.

Ele, muito irascível, continuou me agredindo, sempre na altura do rosto, no nariz, no ouvido, no rosto, até que me trancou no quarto, junto com os outros que já tinha pego. Ele queria saber se eu morava na cobertura e onde estava o cofre. Eu não moro na cobertura nem tenho cofre. Eu disse isso, mas ele não acreditou e tentou agredir a minha filha. Coloquei-me na frente e ele me espancou novamente, levando minha filha para o apartamento.

Meu filho estava no apartamento descansando, tomando uma coca-cola na cozinha. Eles amordaçaram meus dois filhos e começaram a perguntar onde estava o cofre. Meus filhos diziam que não tinha cofre. Então, para participar da sessão de sevícia com mais requinte de crueldade, eles foram até o andar inferior, no quartinho onde tinham me trancado, e disse: "Vem só você aqui para cima". Levou-me para cima, junto com meus filhos, e disse a eles que iria me matar. Mandou-me sentar no chão. Eu não sentei, porque eles queriam me chutar no chão. Aí, eu me sentei na cama; eles queriam colocar alguma coisa na minha boca, mas também não permiti. Eles deram com o cabo do revólver na minha boca. Até que, num dado momento, para levar meus filhos ao desespero, eles foram até a cozinha, pegaram uma faca fininha de cortar queijo e me avisaram que iam cortar a orelha do meu filho.

Revista Consultor Jurídico, 27 de maio de 2003, 18h09

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 04/06/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.