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Coração de mãe

Dia da adoção: Filha de Francisco Fausto tem cinco filhas adotivas.

Karla Celina, 39 anos, é a filha mais velha do presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Francisco Fausto, e uma boa personagem nesta segunda-feira (26/5), quando se comemora o Dia Nacional da Adoção. Por não poder ter filhos, Karla adotou cinco meninas. Para ela, a adoção é um gesto de muito amor.

Karla Celina afirma que as pessoas que não puderam ter filhos e tiverem condições de adotar, devem fazê-lo sem medo. "Deus não me mandou filhos da barriga mas, com certeza, mandou do coração", afirmou. O ministro Francisco Fausto tem seis filhos e doze netos, entre os quais cinco são adotados.

"Sou mãe de cinco filhas adotivas e não escolhi sexo, nem cor quando

adotei cada uma delas. A primeira, Ana Carla, chegou quando eu tinha

três anos de casada e ainda pensava que poderia ter filhos. Ela chegou pequenininha, com 1,7 kg, e agora já vai fazer nove anos. Todos, inclusive meu pai, amaram-na desde o início e me deram muita força. Depois da chegada de Ana Carla eu achei que um filho só era muito egoísmo. Se você pode criar outros, por que não criar mais?"

Em seguida, conta Karla, ela e o marido procuraram o Projeto Acalanto, que busca famílias interessadas em adotar crianças que estão nas ruas, e adotaram Ana Júlia. "Ela chegou quando tinha oito meses, com pneumonia, verminose e anemia, mas mesmo assim a criei com todo o amor", disse Karla.

A terceira menina é Maria Eduarda. Ela chegou por meio de uma pessoa muito pobre, que contou à empregada de Francisco Fausto que tinha a intenção de deixá-la na maternidade. Emocionada com a história de que aquela poderia ser mais uma criança sem chance de ter um futuro melhor, buscou-a na maternidade.

Quando Maria Eduarda estava com cinco meses, deixaram outra menina na porta da casa de Karla. Ela não estava em casa e quem a recebeu foi o presidente do TST. A menina também foi adotada e ganhou o nome de Maria Antônia, em homenagem ao marido de Karla, José Antônio, que fazia aniversário exatamente naquele dia.

Já Indira, a quinta menina, estudava desde o maternal com a filha mais velha da filha do ministro, Ana Carla. "Indira, que hoje tem nove anos, veio passar férias na minha casa e nunca mais foi embora. Considero-a como minha filha porque não faço diferença entre nenhuma delas. Com muito trabalho, eu e meu marido queremos proporcionar um futuro para essas meninas", disse Karla.

"Amo a todas realmente e eu não sei responder se ficarei apenas com as cinco. É Deus quem sabe. Foi Ele quem as colocou no meu caminho e eu agradeço por elas estarem comigo. Cada uma tem um jeito, um temperamento e estão sendo criadas com muito amor por toda a família. Meu pai e minha mãe têm netos de sangue, mas não fazem qualquer diferença entre elas. Talvez as minhas filhas sejam até mais paparicadas do que as netas de sangue", afirmou.

Francisco Fausto não esconde o orgulho que sente pela filha e pelas netas: "minha filha fala com muito amor de suas meninas e esse amor se projeta também em mim e em toda a família. Eu e minha esposa gostamos muito das nossas netas e não fazemos de fato nenhuma diferença entre os nossos netos. Para mim é a mesma coisa. Tanto fazem os netos de sangue como os adotivos. Se todos seguissem a iniciativa da Karla, não haveria tantos orfanatos de crianças abandonadas em nosso País."

Cerca de 3.200 crianças vivem em abrigos no Rio

Em 2002, cerca de 200 crianças foram adotadas por famílias no Rio de Janeiro e o Tribunal de Justiça fluminense liberou outras 58 para famílias estrangeiras, principalmente da França e da Itália. As informações foram dadas pelo desembargador Thiago Ribas Filho, da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja).

A média de idade das crianças adotadas por famílias estrangeiras é de quatro anos. No Brasil, segundo a Ceja, quase todas as famílias querem crianças recém-nascidas.

De acordo com o juiz Siro Darlan, do I Juizado da Infância e da Juventude, existem hoje cerca de 3.200 crianças vivendo em abrigos, mas nem todas estão disponíveis para adoção, porque são filhos de pais doentes, que estão cumprindo pena ou não têm, no momento, condições de mantê-las. O juiz disse que os processos de adoção não são complicados e que é possível se inscrever até mesmo pela Internet, no site do TJ-RJ.

Segundo o desembargador Thiago Ribas, o processo entre a inscrição e a entrega da guarda da criança leva menos de um ano e os interessados recebem todo o tipo de apoio e orientação de juizes, promotores e especialistas em relacionamento.

Revista Consultor Jurídico, 26 de maio de 2003, 14h32

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