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'Rio de lama'

Luiz Francisco vai processar ex-presidente do Banco Central

"O sr. Gustavo Franco agiu com total ciência dessas operações lesivas, não foi um erro técnico. Ele viu passar em seu gabinete um rio de lama, um rio Amazonas de sujeira e se omitiu". A frase foi disparada ao site Consultor Jurídico pelo procurador da República, Luiz Francisco Fernandes de Souza. Na tarde de quarta-feira (14/5), ele sustentou na Comissão de Finanças e Controle, do Senado, que vai processar o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco. Motivo: remessa ilegal de divisas ao exterior.

Segundo o procurador, as remessas se deram entre 1996 e 1999. Foram feitas pelo Banestado e instituições em Foz do Iguaçu. O procurador disse ao Senado que houve uma "postura permissiva" do Banco Central em relação à utilização das agências bancárias de Foz do Iguaçu e das contas CC5. "Quando digo permissiva, digo que Gustavo Franco sabia o que estava fazendo, sabia muito bem".

Luiz Francisco depôs na audiência pública na comissão do Senado sustentando que esses ardis causaram um desvio de cerca de US$ 30 bilhões para o Exterior em três anos. "Podemos estimar que o dinheiro desviado é da monta de 70% do dinheiro sujo do Brasil". Sustenta a procuradoria esse dinheiro bem que poderia ter "nascido" de narcotraficantes, empresários e políticos corruptos.

Luiz Francisco dispõe de uma lista de 50 mil nomes de políticos famosos que estão no esquema, mas prefere por ora não revelar os nomes "Nós procuradores sustentamos a proposta da senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que é de se criar uma CPI para investigar as irregularidades".

De acordo com a exposição, também no Senado, das procuradoras Raquel Branquinho Nascimento e Valquíria Quixadá Nunes, o esquema operava contava com doleiros, que atuavam em "Foz do Iguaçu, e de contas CC5 abertas em nome de laranjas nas agências do Banestado, Banco do Brasil, Bemge, Banco Araucária e Banco Real. Dali". O dinheiro seria enviado para "instituições financeiras no exterior, sendo que grande parte ia para a agência do Banestado, em Nova York".

Diz Luiz Francisco que as investigações revelaram 137 contas em Nova York, com US$ 14 bilhões em depósitos. "Há desdobramentos para 37 mil contas".

Revista Consultor Jurídico, 15 de maio de 2003, 15h55

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