Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Análise combinatória

Pré-candidatos ao comando da OAB paulista comentam pesquisa

O levantamento de intenções de voto divulgado na quarta-feira (25/6) pela revista Consultor Jurídico repercutiu junto aos candidatos ao comando da OAB paulista.

O pré-candidato Roberto Ferreira colocou o levantamento em dúvida. Ao comentar a pesquisa, Ferreira afirmou ter "dados preliminares diametralmente antagônicos aos retratados na citada pesquisa". Ele preferiu não dar detalhes ainda, mas disse que o levantamento será divulgado assim que ficar pronto.

Já o pré-candidato Luiz Flávio Borges D'Urso disse que uma pesquisa encomendada por sua equipe, feita em março, apontou resultados semelhantes aos do levantamento da Brasmarket.

Para o atual presidente da OAB-SP, Carlos Miguel Aidar, ainda é muito cedo para fazer prognósticos seguros de uma eleição que só acontecerá no fim do ano. "O melhor colocado na pesquisa só tem 10% das intenções de votos do eleitorado pesquisado", afirmou.

Segundo Aidar, candidatos que, no início da eleição, contam com apenas 2% das intenções de voto podem vencer a disputa, a exemplo da ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina. O candidato apoiado por ele, Vitorino Antunes, tem 3% das intenções de voto no ranking geral. (Leia a opinião do presidente da Seccional ao final deste texto).

Ao comentar a pesquisa, Ferreira anunciou uma novidade: sob sua liderança, acaba de nascer a chapa Oposição Unida, que tem como candidato a vice-presidente o advogado Euro Bento Maciel e conta com o apoio de José Roberto Batochio e Aloísio Lacerda Medeiros.

D'Urso afirmou que uma revelação importante da pesquisa é a independência do eleitorado, que não estaria mais sujeito a imposições ou ao conhecido voto de cabresto.

"Os advogados e advogadas estão cada vez mais politizados e acompanham a performance da OAB e dos candidatos, de modo a poder distingui-los levando em consideração seu grau de comprometimento com a classe", afirmou.

O pré-candidato Orlando Maluf Haddad, vice-presidente da OAB paulista, afirmou que a pesquisa é válida, mas destacou que a amostragem não reflete a situação proporcional dos advogados paulistas. Segundo ele, "a maioria dos entrevistados na pesquisa é da capital, mas o interior responde por 60% dos advogados paulistas."

Orlando também comentou ter achado diferente o tratamento dado a Hermes Barbosa e a D'Urso em algumas perguntas. "A do Hermes enumera uma série de cargos que ele já ocupou e uma sobre o D'Urso afirma que o Rubens Approbato o apóia. Por exemplo, o Antônio Cláudio Mariz e o Miguel Aidar apóiam o Vitorino e isso não foi colocado", observou.

Nomes ausentes

A pré-candidata Rosana Chiavassa, que ficou de fora do levantamento, demonstrou muita tranqüilidade ao comentar a pesquisa. Ela falou com Hermes Barbosa, ligado ao advogado que encomendou a pesquisa. Hermes disse que o nome dela não foi incluído porque ele não sabia de sua candidatura.

"Não sugeri [o nome para ser incluído no levantamento] porque eu não sabia [da candidatura]. Ela nunca me telefonou para dizer que era candidata. A Rosana é uma pessoa muito decente, não teria motivo para ficar de fora. O problema é que, sinceramente, não ouvi falar da candidatura dela", afirmou. Rosana é pré-candidata desde janeiro.

D'Urso lamentou a ausência da advogada: "é, no mínimo, uma injustiça não incluí-la. Além de ser a única pré-candidata das eleições na OAB-SP, ela representa uma opção a ser considerada pelo eleitorado."

"Para minha surpresa, eu apareço na pesquisa e ela não. E eu só estou no páreo há aproximadamente um mês. Se eu tivesse encomendado a pesquisa, a Rosana estaria incluída, com certeza. Ela é uma força importante", disse Vitorino.

Orlando também reclamou da ausência da pré-candidata. "Não concordo com o fato de ela ter ficado de fora. Ela e os pré-candidatos da situação Aylton Gimenez e Luiz Antonio Sampaio Gouveia (Pitô) deveriam ter sido incluídos porque são nomes importantes".

As surpresas dos pré-candidatos

Para o pré-candidato Valter Uzzo, secretário-geral da OAB-SP, o resultado da pesquisa foi "uma agradável surpresa". Ele ficou em primeiro lugar entre os candidatos da situação. "Estou muito feliz porque ainda não comecei a campanha efetivamente, ainda não fiz propaganda. E sobretudo porque em primeiro lugar [no ranking geral] está um nome expressivo como o D'Urso, que já tem um vasto material de campanha nas ruas."

Uzzo afirma estar conversando com todos os candidatos e que pensa em diversas possibilidades de composição. "Tenho um bom relacionamento com todos os candidatos, penso em compor até com a oposição", afirmou. O pré-candidato disse que não estabelece condições prévias para firmar uma parceria e que as composições devem ser as mais amplas possíveis. "Só sei que não desisto. Eu serei candidato", completou.

Vitorino Antunes Neto disse que ficou duplamente surpreso com a pesquisa. Primeiro, por ter sido tratado como Vitorino Antunes Filho. "Mas tudo bem, foi uma homenagem ao meu avô", brincou. Em segundo lugar, por sua colocação na pesquisa. O pré-candidato, que foi o último a se lançar ao pleito, afirmou ter ficado feliz por estar tecnicamente empatado com os oposicionistas, em terceiro lugar.

"A candidatura é recente e nunca havia pensado sobre isso. Nunca trabalhei em cima disso. Meu nome é novidade absoluta e alcançou índices semelhantes de outros nomes já muito conhecidos -- inclusive de alguns que já foram candidatos outras vezes", ponderou.

Vitorino, que é apoiado por Mariz e Aidar, saiu em defesa das lideranças tradicionais: "Os grandes líderes são sempre muito importantes porque eles emprestam a história deles na Ordem para avalizar esta ou aquela candidatura. Não podem jamais ser desprezados. Mas isso não significa transferência de votos. É o candidato que tem de correr atrás de votos."

Hermes disse que é "extraordinariamente positivo" o fato de os números terem indicado que a "era dos coronéis está passando". "Por isso estou lançando um nome novo para concorrer à presidência da OAB paulista -- o advogado Carlos Ergas. Não iria lançar sem uma pesquisa demonstrando que os eleitores querem renovação", declarou.

O lançamento da pré-candidatura aconteceu na quarta-feira (25/6), depois da publicação da pesquisa. Hermes informou que pretende concorrer à Presidência da Caixa de Assistência dos Advogados (Caasp).

Já o atual presidente da Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp), Aloísio Medeiros afirmou que sua única preocupação no momento é com a Associação. Para ele, a pesquisa retrata "algo diferente" do que se percebe nas ruas. "Há um descontentamento grande por parte dos advogados. Parece que a advocacia espera uma atuação mais decisiva para os assuntos que afligem o profissional no cotidiano. Fiquei surpreso com a grande aprovação da administração", afirmou.

Segundo o pré-candidato Clito Fornaciari, "o ponto mais positivo é que a pesquisa revela uma vontade de mudança. E, claro, também fiquei contente de ver que, dentro dessa vontade, eu estou em primeiro lugar na oposição."

O pré-candidato afirmou estar negociando intensamente os cargos da chapa, da qual ele será o cabeça. "Não vi nenhum outro candidato que levaria as nossas propostas para frente. Por isso não seria adequado ficar com outro cabeça. Estamos discutindo cargos na diretoria", afirmou.

Segundo Rosana, a pesquisa está muito certa em apontar que não há favoritos. "Ninguém vai saber quem vai ganhar antes das urnas. Esta eleição está se mostrando muito democrática. O número grande de candidatos só demonstra que o advogado terá opções", afirmou.

"Só é importante lembrar que os advogados ainda não estão aquecidos para a eleição. Quando houver mais divulgação e os advogados tiverem um bom grau de conhecimento dos candidatos -- em agosto, talvez --, uma outra pesquisa poderia apontar resultados mais concretos", completou.

Leia a nota de Carlos Miguel Aidar:

Na verdade, pesquisa de intenção de voto não se discute, porque seus

resultados implicam em incontáveis variáveis, até mesmo de interpretação. E também porque retratam um momento com curta durabilidade, alterada pela dinâmica dos fatos. No entanto, gostaria de fazer algumas ponderações:

1. O processo eleitoral na OAB SP só agora está sendo colocado e a

prova disso está no fato de que não há cristalização em torno de nomes favoritos. O melhor colocado na pesquisa só tem 10% das intenções de votos do eleitorado pesquisado;

2. Como o registro das chapas pode acorrer até 30 dias antes do pleito

-- previsto para acontecer na segunda quinzena de novembro -- o que temos ainda são pré-candidaturas, o que não ficou explicitado;

3. Historicamente, candidatos que saíram com 2% das intenções de voto no início de pleitos gerais, venceram as eleições. É o caso de Luiza Erundina para a prefeitura de São Paulo, e de Luiz Antonio Fleury, para o governo Estado;

4. A exemplo do que acontece nas eleições gerais, a OAB SP terá no

pleito da instituição uma postura vigilante sobre os institutos de

pesquisa. Respeita o direito à ampla liberdade de informação, mas não irá tolerar manipulação ou coação sobre o voto dos advogados.

Por isso mesmo, espera que os institutos atuem de forma transparente, revelando, além do nome do contratante, valor e origem dos recursos, metodologia empregada, plano de amostragem, proporcionalidade das densidades eleitorais, sistema de controle e verificação, data do levantamento e questionário utilizado.

Carlos Miguel Aidar

Presidente da OAB-SP

26/6/03

Nota da redação

O presidente da OAB-SP afirmou que a reportagem sobre a pesquisa não deixou claro que ainda só existem pré-candidaturas. A notícia, contudo, referiu-se a todos os postulantes como pré-candidatos.

Leia também:

26/6/2003 - Eleições na OAB

As críticas e os louvores à pesquisa da Brasmarket.

26/6/2003 - Evento prestigiado

Valter Uzzo recebe título de cidadão paulistano

25/6/2003 - Eleições na OAB-SP

O jogo está embolado, mas D'Urso é favorito no momento.

11/6/2003 - Horário eleitoral

Sady propõe propaganda gratuita para campanha da OAB-SP

27/5/2003 - Idas e vindas

OAB-SP: situação não se une em torno de um só nome.

26/5/2003 - Racha na situação

Orlando Haddad reclama da escolha de Vitorino Antunes

26/5/2003 - Clito Fornaciari Júnior

Advogado faz ponderações sobre mensagem de Clito

22/5/2003 - Zero a zero

OAB paulista: desfaz-se a união das oposições.

22/5/03 - Carreira solo

Advogado diz que não adere à candidatura de Medeiros

21/5/2003 - Dada a largada

Começa a disputa pelo comando da OAB paulista

20/5/03 - Sem segredos

OAB paulista não tem o que esconder de ninguém

20/5/03 - Toque de caixa

Falta controle rígido nas contas da Ordem paulista

Revista Consultor Jurídico, 26 de junho de 2003, 18h28

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 04/07/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.