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Sinal de alerta

Fausto diz que Lula deve ter linguagem mais moderada

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Francisco Fausto, disse nesta quinta-feira (26/6) que as explicações dadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva amenizaram o mal-estar provocado pelo pronunciamento dele no dia anterior em relação aos poderes Judiciário e Legislativo, mas alertou que o episódio pode representar "o início a uma crise entre os poderes Judiciário, Legislativo e Executivo ou dos dois, o do Judiciário e do Legislativo, contra o do Executivo".

Francisco Fausto referia-se às declarações de Lula de que "...não tem cara feia, não tem o Congresso Nacional, não tem o Poder Judiciário, só Deus será capaz de impedir que a gente faça este país ocupar o lugar de destaque que ele nunca deveria ter deixado de ocupar".

Em entrevista ao apresentador Jefferson Ivaniscka, do programa "Notícias do Brasil", da Rede TV, Francisco Fausto afirmou que o presidente da República "expressa-se bem, mas de uma maneira muito sindicalista". "Não é exatamente o que se espera de um presidente da República, que é uma linguagem mais moderada, mais contida e, sobretudo, de muito respeito às instituições nacionais", disse.

Para o presidente do TST , as diferenças que existem entre o Executivo e o Judiciário são pontuais, mas o discurso do Presidente da República "passou a impressão de que havia uma crise institucional, passou a impressão de que o Executivo quer resolver os problemas brasileiros e o Judiciário e o Legislativo estariam impedindo esse trabalho".

Na opinião de Francisco Fausto, Lula tem feito alguns pronunciamentos infelizes e deve conter a linguagem: "Como presidente da República, ou ele modera a linguagem ou do contrário vamos ter essas crises circunstanciais de tempos em tempos". "A questão do presidente não está no que ele pensa, no que ele realmente pensa, mas está na maneira incontida e irrefletida como ele diz as coisas e isso situações como essa", disse.

Em resposta à pergunta do entrevistador, Francisco Fausto reconheceu que a reforma da Previdência Social tem gerado muitas discordâncias entre o Executivo e Legislativo. Ele voltou a defender tratamento diferenciado para os magistrados por se tratar de carreira típica do Estado. Nas condições atuais, nas quais o juiz aposenta-se com proventos integrais, já existe desestímulo e desinteresse pela carreira, afirmou.

Do ponto de vista de remuneração, a iniciativa privada, segundo ele, tem mais fascínio para os novos bacharéis de Direito. "Quando você escolhe a carreira da magistratura, você está trocando esse potencial que você tem para fazer dinheiro por outro tipo de coisa, que é a estabilidade sua e de sua família", explicou. (TST)

Revista Consultor Jurídico, 26 de junho de 2003, 14h31

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