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Eleições na OAB-SP

OAB-SP: instituto aponta favoritismo de Luiz Flávio D'Urso.

A mais de cinco meses das eleições em que os advogados de todo o país irão às urnas para escolher quem serão os dirigentes da classe nos próximos três anos, a temperatura já é alta. Uma pesquisa da Brasmarket, obtida com exclusividade pela revista Consultor Jurídico, mostra como está o quadro em São Paulo -- colégio eleitoral que reúne cerca de 40% da advocacia nacional.

O levantamento é revelador mesmo para outros estados. Por aferir tendências e perfis, a mostra espelha com alguma fidelidade, em termos de conceitos, o panorama nacional.

A influência das velhas lideranças, caciques e coronéis, por exemplo, já não é a mesma do passado. A pesquisa demonstra que a recomendação dos chamados grandes eleitores -- Rubens Approbato Machado, Roberto Batochio, Carlos Miguel Aidar e Antonio Cláudio Mariz - é levada em conta por apenas cerca de 40% dos eleitores.

Entre os "chefes de clãs", o mais influente é Approbato, presidente do Conselho Federal, cujo apoio influenciaria "muito" a escolha de 14% dos advogados, razoavelmente a escolha de 25% e pouco a opção de 12%.

Uma provável explicação para esse quadro é a juventude dos novos profissionais e o conseqüente desconhecimento dos antigos dirigentes da OAB. A maioria dos entrevistados (35%) advoga há menos de cinco anos e só uma minoria (17%) há mais de vinte anos. Os entrevistados que têm entre cinco e dez anos de profissão representam 26% do levantamento e 22% têm entre dez e vinte anos de advocacia. Estima-se que cerca de 100 mil advogados ingressaram na carreira a partir de 1993, em São Paulo.

Interessante observar que todos os candidatos são, relativamente, conhecidos do eleitorado. A pesquisa foi encomendada à Brasmarket pelo advogado Everson Tobaruela, ligado ao pré-candidato Hermes Barbosa. Segundo o instituto, foram entrevistados 1.300 advogados, sendo 44% da capital, 17% da grande São Paulo e 39% do interior. Desse total, 81% são homens.

Mano a mano

O pré-candidato apoiado por Approbato, Luiz Flávio Borges D'Urso, é o líder na pesquisa de intenção de votos, com 10%. Ele só é superado pelo próprio Approbato que, se fosse candidato, teria o voto garantido de 11% dos entrevistados.

Segundo Ronald Kuntz, presidente da Brasmarket, como ainda não há composição, a disputa está no "mano a mano". D'Urso lidera, com a preferência de 10% dos entrevistados. O oposicionista que mais se tem destacado, Roberto Ferreira, aparece com metade das intenções de voto de D'Urso. Na oposição, o levantamento identifica a liderança de Clito Fornaciari.

Entre os dados surpreendentes está o fato de a pesquisa detectar que Roberto Ferreira é menos conhecido pelos entrevistados que D'Urso. Apesar de D'Urso aparecer com freqüência na mídia, cabe lembrar que Ferreira disputou as duas últimas eleições para a OAB, o que lhe deu alto grau de exposição e visibilidade.

Como a margem de erro da pesquisa é de 2,5%, Orlando Maluf Haddad (7%) e Valter Uzzo (6%) estão empatados em segundo lugar. O pré-candidato apoiado por Miguel Aidar, Vitorino Antunes (3%), e os oposicionistas estão em terceiro lugar. Os nomes da oposição são Hermes Barbosa (5%), Roberto Ferreira (5%), Clito Fornaciari (5%), Euro Bento Maciel (4%), Aloísio Lacerda Medeiros (3%), Adhemar Gomes (1%), Alberto Rolo (1%).

De acordo com o levantamento, se tivessem de escolher entre Uzzo, Vitorino e Orlando Maluf, 27% votariam em Uzzo. Maluf viria em segundo lugar, com 17% da preferência, e Vitorino seria escolhido por 11% dos eleitores. Na oposição, o preferido seria Clito (13%), seguido de Roberto Ferreira (10%) e Euro (9%).

Os números indicam um ligeiro favoritismo de D'Urso, mas a eleição reservaria espaço para surpresas. Como as candidaturas estão fragmentadas e a oposição e a situação têm dificuldades em formar chapas, nenhum pré-candidato pode ser considerado franco-favorito. Cerca de 25% dos eleitores não têm preferência pela oposição ou pela situação e a possibilidade de crescimento das candidaturas está muito ligada à sua capacidade de articulação e composição.

A maioria dos entrevistados (51%) aprova a atual administração da OAB paulista, chefiada por Aidar. A inclinação de 44% dos advogados, contudo, é votar numa chapa de oposição.

O eleitorado está dividido entre novas e velhas lideranças: 40% dos entrevistados preferem um líder tradicional, que todos conheçam, enquanto 38% querem renovação.

A tendência é pró-oposição -- 44% contra 32% a favor da situação. Associado ao grande número de entrevistados que querem um nome novo, esse fator talvez explique a vantagem de D'Urso. Por ter-se lançado contra a vontade da cúpula paulista e por ser um nome relativamente novo, ele se beneficia nos dois lados do balcão.

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Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2003, 19h43

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