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Terça-feira, 24 de junho.

Primeira Leitura: Genoino é o inquisidor-mor, diz deputado do PT.

O dia da verdade

Hoje se saberá de antemão qual o espaço para o crescimento econômico no governo Lula. A reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), que, entre outros pontos de uma pauta extensa, poderá rever a meta de inflação para 2004 e vai anunciar a meta para 2005.

Relevante

Se optar por metas apertadas, como quer o núcleo mais duro do liberalismo econômico que criou raízes no Ministério da Fazenda e no Banco Central, qualquer movimento negativo no mercado internacional obrigará o governo a aumentar os juros e abortar o crescimento no ano que vem e no seguinte. Um filme, de resto, já visto algumas vezes nos últimos anos.

Irrelevante

Parte do tempo da reunião no CMN, que começa às 14h30, vai ocupar-se do show do microcrédito, de como eliminar restrições à atuação das cooperativas e da ampliação do Convênio de Crédito Recíproco. Tudo para preparar mais uma movimentação de tanques do governo Lula.

Muito joio...

Amanhã, Lula anuncia um pacote de medidas para incentivar o crédito e, principalmente, o microcrédito. A Caixa Econômica Federal, segundo seu presidente Jorge Mattoso, vai reduzir os juros para a população de baixa renda de 4,5% a 5% ao mês para 2,5% ao mês. Espera-se ainda a flexibilização do compulsório dos bancos, com redução para aqueles que aderirem ao programa.

...Pouco trigo

Lula venderá esse programa como um grande indutor do crescimento. Sua eficácia, porém, é apenas marginal. Crédito para os mais pobres não substitui a redução da taxa básica de juros da economia. Deve ser visto como medida positiva, mas compensatória, de efeito limitado sobre a atividade, que continuará contida pela Selic de 26% ao ano.

Esqueçam...

Uma semana depois de ter atacado o governo Lula, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso evitou deliberadamente fazer críticas ao seu sucessor. De Londres, afirmou que o governo petista "busca um orçamento equilibrado, reformas e o equilíbrio inflacionário, que visam a criar um clima favorável aos investimentos".

...o que eu disse

FHC disse ainda que, "neste momento", a política econômica "precisa continuar assim" e que, "depois, talvez não seja necessário ser tão estrito". No dia 16, em entrevista ao site do PSDB, FHC afirmou que o PT, para ganhar credibilidade, "exagera na dose". A respeito das declarações anteriores, ele comentou: "O que eu falei foi dentro do PSDB, e muito rapidamente". Bem, no site tucano, a entrevista parecia pensada e era bem grandinha...

Tudo parado

Falando em exagero na dose, isso é bem verdadeiro no caso dos juros. A desaceleração brusca da inflação reflete a paradeira da economia. O IPC-S, índice de preços ao consumidor semanal da Fundação Getúlio Vargas, que estava em 0,57% na medição anterior, caiu para 0,28% na semana passada. Nesse ritmo, vai dar zero no fim do mês.

Deflação

De acordo com pesquisa da Fundação Procon, a cesta básica na cidade de São Paulo já acumula deflação de 1,68% em junho. Só na terceira semana, o conjunto de preços da cesta teve queda de 1,35%.

Assim falou...João Fontes

"Ele [Genoino] é o inquisidor-mor, o chefe dos torquemadas [Tomás de Torquemada, inquisidor espanhol nascido em 1420], o chefe da Gestapo [polícia política de Adolf Hitler]"

Do deputado petista do Sergipe, referindo-se ao presidente do partido, José Genoino. Fontes pode ser expulso do partido por ter divulgado vídeo de 1987 em que Lula criticava mudanças na Previdência.

A história se repetirá?

Amanhã, ou mesmo hoje, pode-se esperar dos telejornais aquela velha matéria, contando o caso de uma Dona Maricota qualquer que, graças a uma linha qualquer de microcrédito, pôde comprar um novo fogão para fritar coxinhas para vender ou uma nova máquina de costura e, assim, melhorou a vida da família. O exemplo, sempre edificante do ponto de vista da realização pessoal, não exemplifica nada em termos de macroeconomia.

Microcrédito é bom para quem o recebe. E só. Economia é muito mais do que a soma de casos individuais. Mas a mídia televisiva abandonou faz tempo qualquer marco de economia política e ocupa-se apenas de minudências, microexemplos.

Revista Consultor Jurídico, 24 de junho de 2003, 9h24

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