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Quarta-feira, 18 de junho.

Primeira Leitura: tropa de choque do governo pressiona bancada do PT

Cheque em branco

O Palácio do Planalto e os líderes que formam a tropa de choque do governo no Congresso estão pressionando a bancada do PT e exigindo que os parlamentares assinem um documento apoiando, sem restrições, as propostas da reforma previdenciária.

Esperteza

Só depois do apoio formal, os líderes prometem negociar com o Planalto emendas que possam melhorar a proposta, como a adoção de uma regra de transição para a idade mínima de aposentadoria dos funcionários públicos e o limite de isenção para a contribuição dos inativos. A esperteza não pegou bem e contribuiu para deixar as relações entre a bancada petista e o governo um tanto mais tensas.

Protesto dos servidores

Um dia depois de o governo relançar a Mesa Nacional de Negociação Permanente com os servidores públicos, um grupo de sindicalistas organizou um protesto diferente na Esplanada dos Ministérios: montou uma mesa de 630 metros e distribuiu refeições para cerca de 3 mil pessoas. Detalhe: na "mesa" do governo, é proibido negociar o principal, que são as reformas.

Protesto de Garotinho

O ex-governador e atual secretário de Segurança do Rio, Anthony Garotinho (PSB), fez duras críticas ao governo e acusou o presidente Lula de não honrar compromissos no lançamento da campanha "Acorda, Lula, antes que seja tarde", que reuniu cerca de 2 mil pessoas ontem. Ao som de jingles que pediam a redução dos juros, ele disse que a gestão petista mantém a "política neoliberal de FHC".

Protesto da Força Sindical

A Força Sindical reuniu cerca de 1,5 mil metalúrgicos - 4,5 mil, segundo sua própria estimativa - em frente do prédio do Ministério da Fazenda, em São Paulo, para reivindicar a redução da taxa básica de juros.

Se dependesse só da inflação...

A segunda prévia do IGP-M em junho, apurada pela FGV, apresentou deflação de 0,66%. Os preços no atacado tiveram deflação de 1,19%; no varejo, registraram variação positiva (0,17%), praticamente o mesmo ritmo de alta da primeira prévia deste mês, de 0,16%. Ou seja, mesmo no varejo, a inflação mostra nítida tendência de desaceleração.

Doeu

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava mais preocupado com as críticas feitas na véspera pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista veiculada pelo site do PSDB. FHC havia dito que Lula está exagerando na manutenção da taxa alta de juros. Em resposta, Lula disse que tem cinco meses de governo. "Mas tem gente achando que já deveríamos ter feito o que não fizeram em 40 anos." Afirmou ainda que não pode "se dar ao luxo" de ir morar na França caso seu governo fracasse.

Doeu, mesmo

Numa reação orquestrada - que demonstra que as críticas incomodaram o governo -, algumas das principais lideranças governistas também atacaram FHC. O presidente do PT, José Genoino, disse que o tucano "deveria ser mais humilde e contido" em suas críticas. O líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA), afirmou que FHC "deveria olhar para o passado"; e o líder do governo, Aldo Rebelo (PC do B-SP), declarou que cabe ao tucano "destino semelhante ao do ex-presidente argentino Carlos Menem".

Assim falou...Luiz Inácio Lula da Silva

"Eu não quero unanimidade, quero consenso. Eu não sou dono da verdade. A verdade é o resultado do nosso consenso."

Do presidente da República, sobre as reformas.

Bolsa de Futuros

Primeira Leitura fez ontem sua própria reunião do Copom. E decidiu defender que a taxa básica de juros seja reduzida em 1 ponto percentual. Não há, no nosso entender, nenhuma justificativa política, social, econômica ou técnica para a manutenção da taxa-Selic em 26,5% ao ano, em um cenário recessivo e de queda consistente da inflação. Na verdade, já não havia nas reuniões em abril ou em maio. O fato é que a asfixia da renda e a deterioração do mercado de trabalho reduziram a inflação.

Mas, agora, como demonstram as inúmeras manifestações de empresários, de intelectuais e da base política do governo, além das declarações insistentes do vice-presidente, José Alencar, o paloccismo bateu no limite. Não são propriamente as frases, duras por certo, de Alencar que colocaram o Copom e a política econômica do governo no fio da navalha, foi o próprio cavalo-de-pau na economia. Mas há um obstáculo para a adesão à racionalidade: o compromisso firmado pelo BC com o mercado, segundo o qual o juro perseguiria uma meta inflacionária irrealista e decidida de forma burocrática, sem o aval da sociedade e do Congresso.

Revista Consultor Jurídico, 18 de junho de 2003, 11h22

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