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Terça-feira, 17 de junho.

Primeira Leitura: CUT sugere desconto de dívida bancária em salário.

Do socialismo ao escravismo

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, propôs ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que as dívidas dos trabalhadores com o sistema bancário sejam descontadas diretamente dos salários! Segundo sua assessoria de imprensa, Marinho pretende buscar o apoio dos empresários para a idéia, a começar da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Trabalhadores, uni-vos...

Tudo com o suposto objetivo de reduzir os spreads bancários que a central sindical parece entender ser decorrentes do nível de inadimplência dos tomadores de crédito, em especial pessoas físicas, e não da busca de lucros pelos bancos e da política monetária restritiva da Fazenda e do Banco Central.

...contra a CUT

É inédito o grau de subordinação do sindicalismo que Marinho oferece aos interesses do poderoso de plantão. Chega a ser vergonhoso! Essa proposta não seria jamais feita pela Febraban porque os banqueiros certamente corariam de vergonha...

Benefício zero

Ademais, os bancos sabem que a parcela que seria atingida pela medida seria irrelevante demais para influir no custo dos juros bancários. Só viria o malefício aos trabalhadores, sem qualquer benefício ao conjunto dos brasileiros. Os juros não cairiam por isso.

A escolha de Lula

Os analistas de mercados usaram as seguintes expressões para descrever o clima que cerca a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central: "fio da navalha" e "decidida nos detalhes". Há uma pressão evidente para que a taxa-Selic seja reduzida. Afinal, a inflação está caindo, e a recessão, aumentando.

O BC e o mercado

O problema é que uma eventual redução significaria, de outro lado, reinterpretar o compromisso firmado pelo BC com o mercado, de que o juro persegue uma meta inflacionária. Segundo pesquisa semanal feita pelo BC com cerca de 100 instituições, a expectativa dos bancos para o IPCA (índice oficial de inflação) é de 11,84% no ano. Desde fevereiro, o número não ficava abaixo de 12%. Detalhe: a meta é de 8,5%.

Emparedado

Em resumo, a expectativa do mercado é de que a meta não será cumprida. E essa é a questão central. O fato é que a política de juros está "amarrada" a uma meta sabidamente irreal. Mas, por conta disso, o governo do PT está patrocinando tanto a transferência de renda da economia real para os bancos quanto uma recessão desnecessária.

Déjà vu

Anteontem, em evento na Febraban, Antonio Palocci (Fazenda), reafirmou o compromisso com o combate à inflação. Depois de refutar que o Brasil esteja em recessão, Palocci afirmou que "não adotaria nenhuma medida econômica agora que fosse na contramão do controle da inflação".

Movendo os tanques

Pressionado por manifestações de servidores, de juízes e de membros do Ministério Público, o governo acelerou projetos da chamada "fase 2" da economia e lançou ontem, com a presença de vários ministros, uma mesa permanente de negociação com os servidores públicos.

Mesa vazia

Mas o ministro José Dirceu (Casa Civil) avisou que a reforma está fora da "mesa": o objetivo é discutir o "aprimoramento permanente" do serviço público. Para discutir reformas, Dirceu aconselhou os servidores a procurar o Congresso - quando, na verdade, tenta impedir qualquer tentativa de alteração na proposta.

Assim falou...Antônio Carlos Biscaia

"Esses partidos estão aceitando negociações para apoiar o governo, uns ostensivamente e outros de forma subreptícia. Esse é o grande perigo do momento, essa ausência de oposição, impedindo que o debate seja feito."

Do deputado federal do PT carioca, que se notabilizou pelo combate à contravenção enquanto era juiz, em manifestação do Judiciário contra a reforma da Previdência.

Tudo é história

A CUT começou como "uma organização sindical de massas em nível máximo, de caráter classista, autônomo e democrático". No início, tinha inspiração socialista. Agora, propõe, praticamente, abrir o sigilo bancário dos assalariados ao sistema financeiro. Aberta a porta, alguém acha que algum banco "neste país" (como diria Lula) concederia um empréstimo sem a certeza de que o salário do vivente seria usado como garantia? Triste trajetória. Nem o Estado Novo getulista chegou tão longe...

Revista Consultor Jurídico, 17 de junho de 2003, 9h23

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