Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Avalanche judicial

...Continuação da ação por danos morais de Erick Vidigal contra a Folha de S. Paulo e o jornalista:

Em outra carta, o advogado Eli Alves da Silva, Vice-Presidente Cultural da Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo, insurge-se contra as mais uma vez limitadas e tendenciosas acusações, pretensamente denunciativas, formuladas pelo Sr. Josias de Souza. Novamente fazendo uso de títulos sensacionalistas, tais como "Conheça a última esperteza da Justiça do Trabalho", o funcionário da Folha de São Paulo abusa da irresponsabilidade ao passar falsas interpretações sobre as questões que envolvem o Poder Judiciário.

Pela análise superficial das cartas colacionadas, conclui-se que o jornalista não mede as conseqüências quando se trata de gerar reportagens sensacionalistas e levianas que possam lhe promover, demonstrando ter especial prazer em acusar covardemente qualquer membro de nossa sociedade, seja um representante da Igreja, do Judiciário, ou, ainda, qualquer cidadão que esteja em seu caminho.

Mas a prova mais contundente sobre a falta de escrúpulos e compromisso com a verdade que permeiam a atuação do jornalista se deu em matérias que envolviam o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Em razão de tais reportagens, hoje o Sr. Josias de Souza é acusado de haver produzido matéria jornalística encomendada pelo Incra com o propósito de prejudicar o MST. Tal acusação tem como principal fundamento o fato do jornalista ter se utilizado de carro e recursos daquele órgão sem achar necessário consignar tal fato em sua reportagem, ainda que o estatuto da Folha de São Paulo assim determine ("a Folha incentiva a realização de viagens pelo jornalista. Quando ela ocorrer a convite e resultar em reportagem, deve ser mencionada ao final do texto a identidade do patrocinador".

O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, entre outros, protocolizou representação no Ministério Público Federal de Curitiba, requerendo apuração das denúncias de desvio de verbas do Incra-PR para financiamento das reportagens da Folha de São Paulo, ante a suspeita de se tratarem de matérias pagas com o objetivo de desmoralizar o movimento dos trabalhadores rurais, por meio de falsas imputações de irregularidades em suas atividades (doc. 28).

O que se viu após as matérias sobre o MST foi a deflagração de uma discussão que envolvia aspectos éticos acerca da atuação da imprensa, onde muitos saíram em defesa do referenciado movimento popular em razão das reportagens supostamente dirigidas produzidas pelos Réus. O que se viu foi a condenação, por diversos segmentos que militam no meio jornalístico, daquilo que foi chamado de tentativa de desmoralização do MST implementada tendenciosamente pelo jornalista Josias de Souza, senão vejamos (docs. 29 e 30):

"(...) Nem caricata nem pretensamente séria, foi apenas grotesca a matéria assinada por Josias de Souza na edição de domingo, 4 de fevereiro, da Folha de S. Paulo. A chamada de primeira página era forte -- "Documento vincula o MST a atividades irregulares" --, sendo seguida de um texto de abertura que falava em "cobrança de pedágio, inadimplência, escriturações duvidosas". Manchete e lide da matéria, de página inteira, tornavam tudo ainda mais sensacional. Falavam em "porões do MST (...) irrigados com verbas públicas", "apuração", "achados". Isso sem falar na decisão, vulgar e insultosa, de grafar a sigla do movimento com cifrão (M$T) no lugar do S.

Como a imensa maioria das pessoas lê apenas chamadas, manchetes e lides, o serviço estava feito. Porém, quem se deu ao trabalho de ler tudo só pôde decepcionar-se, como aliás ocorreu com o próprio Josias: "Os novos relatórios decepcionam. São rasos, ligeiros (...) superficiais", escreveu o articulista na pífia conclusão de um texto que iniciara bombástico. Nada dizem, poderia acrescentar. E muito do que insinuam nada tem a ver com o MST. Não é lindo?

(...)

(...) não ocorre aos josias outra possibilidade, que tantas vezes testemunhei: a de que homens e mulheres humildes, temperados pela luta, desejem continuar apoiando o movimento que os resgatou de uma vida sem perspectivas. O movimento que educa seus filhos em mais de mil escolas (...)

(...) Se tivesse um pouco dessa dignidade, Josias teria ido lá, antes de insultar aquelas famílias." (Texto "Muito Barulho por nada", retirado do site www.oficinainforma.com). (grifos não constam do original).

"(...) A cobertura dos eventos relativos ao MST fornecem outro exemplo de manipulação e/ou fabricação, do recurso às injúrias, calúnias e difamações.

(...)

Ou as "reportagens" como as publicadas pela mesma Folha, em maio de 2000, para "provar" que o MST é corrupto, não obstante o fato de o "repórter" autor das "denúncias", Josias de Souza, ter admitido diante da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) que trabalhou sob orientação e supervisão direta do Incra?" (Texto "Mídia Alternativa versus Pensamento Único") (grifos não constam do original).

Revista Consultor Jurídico, 17 de junho de 2003, 14h58

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 25/06/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.