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Avalanche judicial

Anote-se, em benefício de Edson Vidigal, que não há indícios de que a assinatura do juiz tenha sido aposta a decisões judiciais remuneradas pela quadrilha de Arcanjo Ribeiro.

Mas logo em seguida, sempre embaralhando os fatos, restaurando a confusão, teimando dolosamente na versão fantasiosa da existência de um nexo entre as ações profissionais dos advogados e o Magistrado, ora Querelante, retoma o seu rosário de contumélias, produzindo adiante esta pérola - "Um detalhe complica a situação dos Vidigal." Dos Vidigal, assim mesmo, no plural.

É que de nada adiantaram os esclarecimentos. O advogado, filho do Magistrado, confirmou que foi contactado mas que não aceitou a causa. (Doc. 15)

O Magistrado, muito antes de tudo, já indeferira a liminar e o "habeas corpus", terminativamente. Sequer deu seguimento ao pedido (Doc. 16), cujo mérito teria que ser julgado não no STJ mas no TRF da 1ª Região, onde restou igualmente indeferido. (Doc. 17)

Mas aos objetivos do Sr. Josias de Souza nada disso adiantou. Ignorando o que não lhe interessava, continuou:

(...)

"Um detalhe complica a situação dos Vidigal. (grifamos). Guiando-se pelas gravações, os agentes federais farejaram a passagem de Erick por Cuiabá. Deu-se entre a noite do dia 22 e a madrugada de 23 de janeiro. O filho do ministro Vidigal participou de reunião com lobistas e advogados do bandido Arcanjo Ribeiro. Conversaram madrugada adentro. (grifamos).

O envolvimento de Erick Vidigal com representantes do crime organizado joga gasolina numa fogueira que arde em Brasília desde o final do ano passado. O fogaréu da crescente infiltração de criminosos no aparelho do Estado." (grifamos).

Em sua fúria de "serial killer" da honra alheia, (Doc. 18), escandalosamente, o Sr. Josias de Souza, como sempre subjetivo e descontextualizando, prossegue soberano, impertubável, poderoso candidato, na folha de pagamentos da "Folha de São Paulo", ao posto de Jayson Blair, o repórter que enganou o "New York Times" e, também, ao "Boston Globe". (Docs. 19 e 20)

E aqui está ele, como sempre, sorrateiro.

."FILHO DE JUIZ ESTEVE COM ADVOGADO DE QUADRILHA - Crime organizado. Documento da PF relata reunião de Erick Vidigal, filho do vice-presidente do STJ, com grupo de Arcanjo."

Reproduzindo documento que ele mesmo, querendo dar maior credibilidade às suas ofensas, declara como sigiloso e produzido pelo Núcleo de Inteligência do Departamento de Polícia Federal, Relatório nº 005/03-NIP/SR/MT, o Diretor da Sucursal da "Folha de São Paulo", fazendo-se passar, mais uma vez, perante seu patrão como repórter investigativo, com acesso a grandes fontes, abusa outra vez do direito de informar, destilando agora, de sua bandeja de ofídios, estes venenos:

"Para Avelino, a principal credencial de Erick Vidigal era a paternidade do jovem advogado. Formado há um ano, Erick representava para a quadrilha a perspectiva de obtenção de 'sentenças favoráveis'.

A movimentação de Erick Vidigal levou a polícia a suspeitar de seu pai. Um outro relatório secreto da PF, datado de 28 de janeiro de 2003, traz inclusive a foto do Ministro Edson Vidigal.

Conforme revelou a Folha em sua edição de ontem, escuta telefônica da PF mostrou que Erick chegou a negociar com os bandidos uma decisão que seria tomada por seu pai.

Tratava-se de um habeas-corpus impetrado no STJ para liberar da cadeia Luiz Alberto Dondo Gonçalves, contador da quadrilha do "comendador". A negociação começou em Brasília. Coube a Timóteo Nascimento da Silva a tarefa de estreitar relações com Erick Vidigal.

(...) Num dos telefonemas captados pelo grampo da polícia, em 22 de janeiro, Timóteo informou a Samuel o preço supostamente cobrado por Erick Vidigal pela liberdade do contador Luiz Alberto Dondo Gonçalves.

'É US$ 100 mil, viu?' Samuel quis saber. 'Mas já ta acertado?' E Timóteo: 'Tá acertado lá, o pai dele (ministro Edson Vidigal) pediu pra ele falar com o assessor lá, que tava responsável, já tinha até feito um serviço negativo, eu acho, né?(...)'

Para desespero da quadrilha, o ministro Edson Vidigal negou provimento ao pedido de hábeas corpus. Em outro trecho do grampo, Timóteo conta ao irmão as razões que lhe foram expostas por Erick Vidigal. Recurso semelhante fora indeferido pelo TRF (Tribunal Regional Federal). Uma decisão diferente de seu pai feriria jurisprudência do STF. Soaria escandalosa. Daí a referência ao 'serviço negativo' encaminhado pela assessoria de Edson Vidigal.

A despeito da negativa, os canais com o STJ mantinham-se 'abertos', informou Timóteo a Samuel. Por isso deu-se prosseguimento às negociações com Erick Vidigal. Agora não mais para a obtenção de uma decisão específica, mas para um assessoramento jurídico 'mais amplo', ao custo de R$ 2 milhões.

Erick Vidigal foi conduzido a Cuiabá pelo próprio Timóteo. A reunião foi feita num horário em que a cidade dormia.

Mas o filho do ministro deixou rastros em sua passagem pela capital mato-grossense. Vestígios devidamente registrados na papelada secreta da PF.

(...) Diálogos captados pelo grampo da polícia indicam que não houve acerto no preço. As negociações prosseguiram, sem sucesso, até a semana passada."

Revista Consultor Jurídico, 17 de junho de 2003, 12h44

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