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Olho do Furacão

Prezados Senhores.

A propósito da matéria "Olho do Furacão - MP acusa Bornhausen de lavar US$ 5 bilhões no exterior" gostaria de manifestar minha preocupação com o fato der este conceituado site estar, novamente, dando ares de credibilidade a esse procurador que já foi, mais de uma vez, desmoralizado em suas declarações. E de fazê-lo justamente numa matéria de tanta importância e repercussão.

Para esta análise gostaria de rememorar aos srs. o material publicado na imprensa nos últimos dias: isso inclui as declarações do ministro da Justiça - absolutamente insuspeito - , o depoimento dos delegados na Comissão de Segurança da Câmara, a carta do procurador americano publicada hoje na imprensa, as declarações do delegado que substituiu Castilho nas investigações sobre o que de fato já foi apurado e o que o delegado Castilho e o procurador Luiz Francisco "vazam", os dados publicados sobre as transferências de recursos dos Srs. Paulo Borhausen e Wigberto Tartucce,as reclamações dos procuradores que efetivamente estão fazendo o trabalho - do Paraná - e que parecem estar conduzindo a investigação com profissionalismo, correção e eficiência, e ao mesmo tempo se revoltam com o estrelismo de LF.

Uma análise isenta de todo este material mostra que:

1 - efetivamente o MP está fazendo um trabalho sério que, Deus queira, pode render frutos importantes;

2 - este trabalho está sendo prejudicado pelo fato de LF e Castilho terem mudado o rumo dos trabalhos, passando a explorá-lo, como feito em ocasiões anteriores, apenas para sua exposição na mídia;

3 - a atuação do Delegado Castilho - ao fornecer dados inúteis e incompletos ao governo americano - é que atrapalha as investigações;

4 - nada do que foi publicado indica que exista um grande número de políticos envolvidos;

5 - as remessas apontadas do Dr. Paulo Borhausen e do dep Wigberto Tartucce são de um ridículo de fazer corar. Dois cidadãos conhecidamente milionários, remetem em seu próprio nome, para conta também em seu próprio nome, importância da ordem de 50.000 dólares. Um deles tem família residindo em Miami e o outro viaja com freqüência. Que indício de crime se pode ver aí?? as outras contas que receberam recursos quase todas apresentam depósitos de pessoas/empresas praticamente desconhecidas e tiveram depósitos de milhões ..... ;

6 - remessa ao exterior agraves de conta cc-5 é e era legal. Portanto só existe razões para desconfiança quando o remetente se esconde atrás de nomes falsos ou laranjas (e nesse caso o MP ainda não sabe a quem pertence e portanto não pode falar em políticos) ou quando apresentam quantias incompatíveis com o patrimônio dessas pessoas;

7 - o Pres. do BACEN, Gustavo Franco, forneceu explicações tecnicamente bem detalhadas, que mostram como transações desse tipo são normais num país que tem liberdade cambial;

Dessa forma, como leitor assíduo desse site, pondero que os Srs. - respeitáveis que são - não podem se curvar ao sensacionalismo desses indivíduos, tendo obrigação de realizar um trabalho analítico mais profundo para noticiar a respeito.

Os precedentes da vida do procurador Luiz Francisco exigem isso de um site que se dedica à informação jurídica e que, portanto, ao darem, curso aos desmandos e exageros dele, reforçam na sociedade o sentimento da existência de impunidade quando - nesses casos - o que existe é a acusação leviana.

Uma última observação: os Srs. conhecem uma só CPI que tenha produzido elementos suficientes para o processo e condenação de um só acusado? A CPI é uma instituição política. Ela serve para dar mídia, mas não pode, a não ser por mera coincidência, até mesmo pelo prazo em que se realiza, produzir provas juridicamente válidas e portanto só serve para, exatamente, propiciar a impunidade.

Eduardo Jorge -- ex-secretário-geral da Presidência da República

ejorge13@uol.com.br

Leia a resposta do jornalista Claudio Julio Tognolli:

O procurador Luiz Francisco foi procurado para a entrevista que deu a este veículo de comunicação. São descabidas as acusações de que ele "vazou" para a mídia deliberadamente as informações que divulgamos. Foi, sim, perguntado por este repórter.

Procuradores da República, como se sabe têm fé pública e recebem seus salários para investigar crimes e indícios de atividades criminosas. É natural que pessoas investigadas não apreciem o fato de serem investigadas. Resistência à criação de CPIs, em geral, são indicadores da necessidade das mesmas.

As posições do procurador são reafirmadas por Francisco Carlos Garisto, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais. O sr. Eduardo Jorge que se apresenta como porta-voz dos Borhausen, tem suas razões para defender o senador: afinal, foi também investigado pelo sr. Luiz Francisco.

Claudio Julio Tognolli - tognolli@uol.com.br

Revista Consultor Jurídico, 16 de junho de 2003, 14h13

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