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Sexta-feira, 13 de junho.

Primeira Leitura: Genoino cobra participação partidária de ministros

Sinal amarelo

A primeira grande manifestação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acendeu o sinal amarelo no comando político do governo e do PT. Uma reunião secreta foi convocada para a própria quarta, em um hotel em Brasília.

Missão impossível?

O presidente do PT, José Genoino, que convocou o encontro, cobrou dos ministros e secretários do PT maior participação na vida partidária e que "vistam a camisa" da defesa das reformas em duas frentes: no Congresso, junto às bancadas que controlam, e nas bases, para evitar desgastes com camadas da sociedade que tradicionalmente apóiam o PT, como os servidores públicos. No segundo caso, a missão é quase impossível.

Inútil desgaste

Os ministros foram orientados a organizar reuniões para defender as propostas oficiais e a receber todos os parlamentares que os procurarem. A idéia parece ser evitar o desgaste provocado pelo episódio em que o senador Paulo Paim (PT-RS) não foi recebido pelo ministro Ricardo Berzoini (Previdência), por orientação de José Dirceu (Casa Civil).

Diálogo áspero - 1

Quando chegava ao Congresso, quinta-feira, para discutir o PPA (Plano Plurianual), o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci foi abordado no Salão Verde da Câmara por um grupo de servidores e discutiu com um deles. "Sempre votamos em vocês", disse o funcionário. "Em mim não, porque só fui candidato uma vez", respondeu Dulci, já nervoso.

Diálogo áspero - 2

"E as assembléias dos professores?", replicou o servidor. "Ah, aí sim", disse o ministro, tentando desvencilhar-se. "Então, não traia a gente", fustigou o outro. "Eu não estou traindo ninguém", replicou Dulci.

Leão de chácara

Cinegrafistas e jornalistas perceberam o bate-boca e, quando se aproximavam para registrá-lo, um assessor de imprensa do ministro, Ricardo Amaral, assumiu a função de segurança e tentou impedir, com empurrões, o trabalho dos "companheiros" das TVs.

Movendo os tratores

Em meio às críticas ao imobilismo da máquina oficial, o governo procura mostrar que está operando. Nesta quinta, Lula e o ministro Roberto Rodrigues (Agricultura) anunciaram a liberação de R$ 2 bilhões para o Moderfrota, programa de modernização da frota de tratores e máquinas agrícolas.

Pró-ativo

Lula também participou ontem de manhã de duas reuniões sobre ações na área social: a do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e a da Câmara de Política Social. O secretário de Emprego do Ministério do Trabalho, Remiggio Todeschini, apresentou ao conselho a proposta do governo do Programa Primeiro Emprego, aquela que nunca sai do papel. Um dia depois de o governo enfrentar manifestações, contudo, vale desengavetar qualquer coisa...

Retrato do Brasil...

A Síntese de Indicadores Sociais 2002, produzida pelo IBGE, mostra que os 10% mais ricos da população ganham 18 vezes mais que os 40% mais pobres. E que o 1% mais rico ganha tanto quanto os 50% mais pobres. A renda prossegue altamente concentrada, apesar de inegáveis avanços sociais. Um dado alarmante: 40 milhões de trabalhadores não contribuem para a Previdência.

... que Lula vai preservar

Lula foi eleito justamente por causa desse estado de coisas mostrado pelo IBGE. O governo, contudo, não tem um só projeto que dê resposta a essas carências. No caso da Previdência, por exemplo, a reforma proposta, essencialmente fiscalista, passa ao largo da necessidade de incluir a mão-de-obra informal e os autônomos no sistema.

Assim falou...Lula

"Eu quero que vocês saiam daqui com a convicção de que não deixem de reivindicar, porque reivindicar é sempre muito importante. (...) Entretanto, eu quero que essa cobrança seja feita com maturidade."

Do presidente da República, um dia depois da primeira manifestação de protesto contra seu governo, ao discursar no lançamento do plano de safra de 2003 e 2004.

Tudo é história

A manifestação de anteontem não foi importante apenas por mostrar a primeira porção significativa de oposição organizada ao governo Lula. A serventia do protesto, se bem lidas as faixas com as comparações entre os governos "Lulla e Collor", está em mostrar o quanto o PT contribuiu para desqualificar o debate sobre a reforma da Previdência: apresentou um projeto que fazia parte de uma agenda vencida até mesmo para os tucanos, que a conceberam, radicalizou as piores partes dessa agenda, tornou-a meramente instrumento de saneamento fiscal e não discutiu nada com sua própria base.

Num certo sentido, Lula é pior do que Fernando Collor: este, ao contrário de Lula, nunca prometera tratar os servidores com o respeito profissional que o PT prometia tratar. Por conta do passado, da campanha de ontem e do governo de hoje, Lula convida os opositores à desqualificação. Cabe ao Congresso o papel de reformar a reforma e dar uma satisfação à sociedade.

Revista Consultor Jurídico, 13 de junho de 2003, 9h41

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