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Quarta-feira, 11 de junho.

Primeira Leitura: presidente do BC recita cartilha conservadora.

Tudo certo...

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, abriu terça-feira seminário na Câmara sobre a autonomia do Banco Central e recitou a cartilha conservadora de sempre, mais preocupado em responder às críticas do vice-presidente, José Alencar, à sua atuação do que em explicar até que ponto vai o ajuste recessivo em curso no país.

... nada no lugar

Para seu desgosto, porém, o seminário se transformou num tribunal de acusação da política de juros do governo e reuniu, na censura à política econômica, economistas de correntes e trajetórias tão díspares como o deputado Delfim Netto (PP-SP), o ex-ministro e publisher do Primeira Leitura, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e o professor da Fundação Getúlio Vargas, Paulo Nogueira Batista Júnior.

A meta inadequada

O deputado Delfim, aliado do governo Lula, Nogueira Batista Júnior, próximo do petismo, e Mendonça de Barros consideraram inadequada a meta de inflação para este ano, que, mesmo ajustada, está em 8,5% - era de 3,25% originalmente. "Por que definir uma meta tão ambiciosa, que os economistas, hoje, prevêem que só será atingida em maio do ano que vem?", indagou Delfim.

A meta desmesurada

Nogueira Batista disse que a meta, como foi estabelecida, "é uma ambição evidentemente desmesurada", que acaba afetando a credibilidade do sistema.

A meta a portas fechadas

Mendonça de Barros criticou o fato de o governo já estar discutindo a fixação da meta para 2004 e 2005, a portas fechadas. "Há uma discussão no governo sobre a inflação, e quem é que está participando disso?", indagou.

A turma da meta

Delfim criticou a composição do Conselho Monetário Nacional, que irá definir as novas metas. "São três integrantes da mesma escola, talvez até da mesma classe", afirmou.

Experimentalismo

Mendonça de Barros também criticou o cálculo do núcleo inflacionário, que é diferente de outros bancos centrais do mundo. Esse "experimentalismo" da equipe brasileira obriga o país a manter taxas de juros muito mais altas do que o necessário.

Autonomia, sim

Para Mendonça, na definição de um modelo de autonomia para o BC, existe a oportunidade de "evoluir em direção a uma instituição que, preservando a busca da estabilidade, agregue, também, a busca do desenvolvimento".

Escalada autoritária

O ministro José Dirceu (Casa Civil) desautorizou a decisão da bancada do PT na Câmara, tomada ontem, de liberar a participação de deputados do partido na marcha dos servidores, que acontece hoje, em Brasília. Quem for e fizer discursos contra a reforma ou contra a política econômica deverá sofrer punições partidárias e retaliações políticas, como a perda de cargos sob sua influência ou de vagas em comissões.

Assim falou... Heloísa Helena

"Acabemos com essa farsa de que é uma reforma que vai ajudar os pobres. Os filhos da pobreza têm como referência os serviços públicos, não os discos voadores do FMI. Eu não estou defendendo apenas direitos das corporações, mas o serviço público, que é a referência do pobre."

Da senador do PT (AL), falando sobre a reforma da Previdência em encontro de funcionários públicos.

A história se repete

As Forças Armadas israelenses tentaram matar ontem um dos principais líderes do Hamas, Abdel Aziz Rantisi, desferindo um duro golpe no titubeante processo de paz iniciado na quarta-feira passada, quando os premiês Ariel Sharon (Israel) e Abu Mazen (Autoridade Palestina) se reuniram com o presidente George W. Bush. Helicópteros israelenses dispararam sete mísseis contra o carro onde estava Rantisi, na cidade de Gaza, mas ele escapou.

Duas pessoas morreram e 27 ficaram feridas. Em outro ataque, reagindo ao disparo de foguetes contra o território israelense, tanques e helicópteros atiraram contra uma área residencial, matando três palestinos e ferindo outros 30. O premiê palestino considerou as ações israelenses "atentados terroristas" com o objetivo de sabotar o processo de paz. E o presidente dos EUA declarou-se "profundamente abalado" e disse esse tipo de ataques "não contribui para a segurança de Israel".

O governo israelense admitiu ter tentado assassinar o dirigente do Hamas, alegando sua obrigação de "proteger seus cidadãos". Rantisi, que tem sido um dos principais porta-vozes do Hamas contra um eventual cessar-fogo com Israel, prometeu continuar a "guerra santa até que o último criminoso sionista seja expulso" da Palestina. Outro dirigente do grupo disse que a vingança será "como um terremoto". E, assim, a história se repete: os radicais sempre seqüestram a possibilidade de paz na região.

Revista Consultor Jurídico, 11 de junho de 2003, 10h05

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