Consultor Jurídico

Artigos

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Figurantes de aluguel

O massacre do governador Joaquim Roriz e o espetáculo

Por 

Na novela mexicana em que se transformou o quarto mandato de Joaquim Roriz, vários atores já se apresentaram no palco. Alguns como estrelas, e outros como coadjuvantes desta peça que não tem prazo para acabar, mas que encanta analistas e críticos de outras regiões com o desejo não somente de assistir ao espetáculo como também, e acima de tudo, com a finalidade de contribuir com o massacre que foi determinado pela oposição.

É como se no bunker de Roriz houvesse as armas de destruição em massa que Bush buscou no Iraque, as quais, por aqui, seriam o turbilhão de ações de as todas espécies sempre com a afirmativa de danos causados à coisa pública; atos que devem ser rigorosamente punidos; mesmo que as provas não sejam consistentes, mesmo que atos baseados em indícios e suposições.

A decisão do procurador-geral da República, a toque de caixa, contrária ao governador indica que a decisão bushiana é mais para agradar ao público que acompanha a novela, do que, efetivamente, prover os julgadores dos elementos necessários à boa e justa decisão.

A tentativa de buscar, dentre os ex-auxiliares do Governador, aqueles que possam oferecer algum tipo de informação que corrobore as acusações bem demonstram a solerte e abusada farsa que complementa a fantasia, como se fossem participações espontâneas. Os novos-velhos personagens que surgem nos cartazes expostos pela mídia são artistas de aluguel que se prestam a fazer os papéis provisórios, no lugar dos que são titulares da ação. Como canastrões das chanchadas do início do cinema brasileiro, estes meros figurantes, em pouco tempo, estarão prestando os seus depoimentos no "Programa do Ratinho", solicitando exames de DNA de nascimentos de idéias obscuras em suas vidas.

Os personagens não estarão sozinhos nas suas declarações, e, vestidos com marcas de grife, surgirão nas páginas de jornais e revistas, como mais um fornecedor de informações vitais, e que, afinal, poderão servir para derrotar, fora das urnas, o governador eleito. Não será novidade que apareçam * a cada dia * um novo denunciante com cartas de defuntos e promessas não cumpridas, prontos para ter o seus quinze minutos de fama nacional. E não será a primeira, nem a última vez que os infiéis estarão a serviço do "quanto pior melhor".

Se verificado o passado, pode-se identificar os que, com credibilidade, se apresentaram perante a sociedade e detonaram os maus políticos e governantes. Como no caso Collor, com a lembrança do depoimento do motorista; de Pedro, o irmão, sustentando as alegações e levando à derrocada o governo; na ação proposta com a seriedade do procurador Aristides Junqueira, e a voz dos jovens caras-pintadas, nas ruas, pedindo o afastamento do presidente. Hoje, na questão Roriz, são ex-amigos, ex-aliados, ex-ex que, no ostracismo, denunciam sem provas e sem convicção. São fatos históricos que indicam as diferenças entre casos passados e a situação na qual se vive em Brasília.

No passado mais recente, a força da palavra da funcionária do Senado Federal, ao declarar, peremptoriamente, a união dos poderosos na violação do painel do Senado e responsabilizando, - olhos nos olhos -, os seus chefes. A renúncia foi inevitável, abrindo caminho para que novos tempos se iniciassem, ainda que, com os mesmos personagens. Assistiu-se a prisão de juízes, e ao afastamento de tantos outros que, verdade ou não, se viram envolvidos em questões que devem ser examinadas com rigor e sem paixão.

Culpados devem ser excluídos do meio social; inocentes devem ser acolhidos e respeitados. O que não se admite mais é assistir ao julgamento impiedoso da mídia e da opinião pública, sustentada, não nos elementos fáticos e probatórios que devem reger as apurações e a formação dos processos, mas em depoimentos sensacionalistas e desprovidos de credibilidade.

 é advogado e ex-secretário de Segurança Pública do DF.

Revista Consultor Jurídico, 11 de junho de 2003, 14h53

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 19/06/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.