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Terça-feira, 10 de junho.

Primeira Leitura: IBGE comprova queda da produção industrial.

Cavalo-de-pau na indústria

A produção industrial brasileira em abril caiu 4,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, o pior resultado nesse tipo de comparação desde dezembro de 2001. Os dados são do IBGE. "Os setores exportadores já não têm o ímpeto para neutralizar o desempenho negativo da produção destinada ao mercado interno", disse o chefe do Departamento de Indústria do instituto, Sílvio Sales.

Sem consumo

O mercado interno parou. Apesar das exportações, a produção de bens duráveis, como carros e eletrodomésticos, teve queda de 13,6%. E a de bens de consumo semiduráveis, como vestuário e calçados, e não-duráveis, como alimentos e remédios, caiu 10,6%, o pior desempenho desde agosto de 1992.

Enquanto isso, no ABC

Enquanto os dados do IBGE eram digeridos pelo país, no ABC paulista, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, se via obrigado a negar que o governo pense em aumentar a meta de superávit primário, hoje em 4,25% do PIB, o que tornaria o aperto na economia ainda mais intenso. "O Palocci [Antonio Palocci, ministro da Fazenda] me garantiu que o superávit fiscal dos próximos anos é o que foi enviado para o Congresso Nacional", disse Dirceu.

Já que perguntou...

"O que vale mais? O que um jornal noticiou ou a garantia que o ministro Palocci me deu?" Ocorre que o que está repercutindo não é uma informação sem fonte definida, "que um jornal noticiou", como tentou fazer acreditar Dirceu, mas sim uma carta de Palocci ao Banco Mundial, de maio último, na qual ele admite uma correção na meta atual do superávit. O jornal Folha de S.Paulo reproduziu termos da carta na edição desta segunda.

Jogo da irresponsabilidade

O presidente do BNDES, Carlos Lessa, defendeu que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) seja revista para beneficiar cerca de 2 mil municípios que estão com as contas em dia, mas não podem contrair novos empréstimos porque estão no limite de endividamento definido pela lei. Lessa afirmou ainda que as exigências do FMI "estrangulam" os projetos das prefeituras.

Os acordos com o FMI estabelecem que investimento público é contabilizado como gasto, e estes são limitados pela meta de superávit primário.

Calma lá...

O presidente do BNDES disse que é mais fácil mudar a lei do que os acordos com o Fundo. O ministro José Dirceu (Casa Civil), que estava junto com Lessa no lançamento do posto avançado do BNDES em Santo André (SP), definiu a situação desses municípios como "injustiça", mas disse que o governo "não vai mudar a LRF".

Saída dentro da lei

Dirceu afirmou que estão em estudo formas legais para que os consórcios municipais tenham acesso a financiamentos que ultrapassem a capacidade de endividamento das prefeituras.

Assim falou...José Dirceu

"O país não pode ficar esperando a redução dos juros. Não existe a redução dos juros e depois a retomada do desenvolvimento. As medidas e as condições para a retomada do desenvolvimento estão sendo tomadas ao mesmo tempo do ajuste".

Do ministro-chefe da Casa Civil. Estranho, porque no dia 23 de maio ele havia reconhecido (sem saber que sua fala estava sendo gravada) que juro de 26,5% ao ano e superávit de 4,25% do PIB eram sinônimo de "cavalo de pau na economia".

A história, segundo a Academia

A esperança acabou. O governo segue uma orientação conservadora. Não haverá mudanças substantivas no país. O PT beijou a cruz da ortodoxia. Foi assim que o filósofo Paulo Arantes e o sociólogo Francisco de Oliveira, históricos simpatizantes do PT e colaboradores de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestaram a sua decepção com o governo Lula em um debate público na USP, na quinta-feira da semana passada, segundo informou a edição de domingo do jornal Folha de S.Paulo.

Na terça, os dois já haviam decidido não comparecer a encontro entre o presidente e intelectuais petistas. "Uma vez adotada a atual política macroeconômica, que não é especificamente brasileira, mas mundial, a saída é uma impossibilidade lógica", afirmou Arantes. Oliveira disse que o programa do tucano José Serra era "melhor" do que o do petista. No caso da Previdência, por exemplo, disse o sociólogo, o candidato tucano tinha em mente um "modelo distributivo".

Revista Consultor Jurídico, 10 de junho de 2003, 11h19

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