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Autonomia tecnológica

Software livre no Brasil será impulsionado por projeto nacional

Está criado o Projeto Software Livre Brasil, com o apoio do governo federal. A deliberação foi tomada no início da noite de sábado (07/06), na sessão de encerramento do IV Fórum Internacional Software Livre, em Porto Alegre. O PSL BR já está incumbido de organizar o V FISL, em 2004, de novo na PUC gaúcha.

A decisão de impulsionar o software livre por meio de uma articulação nacional - reunindo diferentes níveis de governo, entidades públicas e privadas, empresas, universidades, programadores e usuários - foi recebida com entusiasmo pelas cerca de 4 mil pessoas que participaram do IV fórum. O evento contou com 269 palestrantes e teve 24 Estados e 14 países representados.

Nos dias 19 e 20 de agosto, em encontro no Senado Federal, o Projeto Software Livre Brasil realizará sua primeira atividade, quando divulgará à comunidade internacional que o País está aberto para apoiar e implantar softwares livres. O PSL BR inspira-se no Projeto Software Livre RS, que liderou a organização dos quatro fóruns internacionais, estimulou o desenvolvimento de soluções livres na administração pública, além de ter atraído várias empresas de tecnologia para essa vertente da informática.

Marcelo Branco, um dos coordenadores do PSL RS, declarou que, com a iniciativa, nenhum país do mundo fica em condições tão favoráveis como o Brasil para disseminar o software livre. De acordo com ele, o Brasil gasta mais de US$ 1 bilhão em pagamento de royalties, montante que poderia ser destinado à área social. Branco classificou o encontro deste ano como o maior do gênero do mundo. O coordenador destacou a força da Mostra de Soluções Livres, cujos estandes foram ocupados por 20 empresas. Grandes companhias, como IBM e Cisco, ajudaram a patrocinar o FISL.

O IV fórum teve início na quinta-feira (05/06) com uma boa notícia para a comunidade do software livre. O presidente do Instituto Nacional da Tecnologia da Informação - órgão ligado à Casa Civil -, Sergio Amadeu, disse à platéia que o software livre na administração Luis Inácio Lula da Silva é objeto de 'política pública de governo'. Amadeu fez questão de dizer que falava em nome do ministro José Dirceu, a quem representava. No encerramento, Amadeu afirmou que apoiava o anunciado PSL BR.

O articulador de Política Digital do Ministério da Cultura (cargo criado neste governo), Claudio Prado, disse que o ministro Gilberto Gil ajudará a 'tropicalizar a digitalização'. Prado lembrou que o tropicalista Gil inovou nos anos 60 ao levar tecnologia à música. Na opinião do articulador, as pessoas 'mais revolucionárias do governo' são as que estão conduzindo a política de informática. O governo federal esteve representado no evento pelos ministérios da Ciência e Tecnologia, Casa Civil, Planejamento e Cultura e ainda pela Caixa Econômica Federal, Serpro e Eletronorte.

A abertura contou com a presença do governador gaúcho Germano Rigotto, que se mostrou impressionado com a dimensão do evento e a predominância de jovens. Essa característica assegura um futuro promissor à causa que se contrapõe aos softwares proprietários, programas que mantêm os códigos fechados, estabelecem dependência, impedem a autonomia tecnológica e ainda cobram, e muito, por licença de uso. O prefeito de Porto Alegre, João Verle, presente à solenidade, ressaltou que a capital trabalha com o software livre em várias frentes, entre as quais os Telecentos implantados pela Procempa, a companhia de processamento de dados do município.

Uma das estrelas do fórum, o mexicano Miguel de Icaza, da Gnome Foundation, disse que o objetivo do movimento é alcançar um mundo melhor, mais justo, sendo o software livre apenas uma passo nessa direção. Icaza, que vive nos Estados Unidos, é considerado uma dos expoentes da tecnologia no mundo.

Fonte: Projeto Software Livre - RS.

Revista Consultor Jurídico, 9 de junho de 2003, 18h40

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