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Sexta-feira, 6 de junho.

Primeira Leitura: Alencar diz que juros no Brasil são surrealistas.

O vice

José Alencar, o vice-presidente da República, em encontro que reuniu cerca de 1.500 empresários na Bahia, quinta-feira, classificou as taxas de juros brasileiras de "surrealistas e absurdas".

Mais do vice

O discurso de Alencar, na abertura do Congresso da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, foi feito em tom de denúncia. "Estamos assistindo à maior transferência de renda de que se tem notícia, na história do Brasil, do setor produtivo em benefício do sistema financeiro nacional e internacional, e isso não pode continuar porque mata a economia".

O vice não gosta do governo (!?)

Dizendo-se "indignado" com a situação, propôs aos presentes uma cruzada por mudanças: "Temos que nos unir numa verdadeira cruzada, não para matar ninguém, mas para conscientizar o Brasil de que é preciso mudar", disse. Parece até que ele não gosta do governo.

O presidente não gosta do governo (!?)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também parece não gostar de seu próprio governo. Ontem, ele criticou o poder que os "interesses do mercado" têm no Brasil. Disse que esses interesses "ganharam legitimidade oficial para se sobrepor às demais instâncias da vida".

O presidente não gosta do governo - 2

"Nos últimos anos, o Brasil e os brasileiros, em especial nossa juventude, fomos submetidos a uma verdadeira lavagem cerebral", disse Lula. Ele declarou ainda que "decretou-se a primazia do especulativo sobre o produtivo" e disse ser preciso "recolocar o primado dos valores humanos acima do reinado das cifras".

Lula X Lula

Interessante notar que a política econômica do governo Lula, de aperto fiscal e monetário, continua a atender esses mesmos interesses. Ou seja, na prática, também Lula se opõe a Lula.

Eles adoram o governo!!

Mas não se preocupe, leitor, se o governo não gosta do governo. Há quem goste. O FMI, os EUA e os mercados financeiros, por exemplo, adoram o Brasil de hoje, incluída a recessão. O país foi a vedete do seminário "Previsões Financeiras e Econômicas para a América Latina", promovido pelo Council of the Americas, em Nova York.

Eles adoram o governo -2

O governo americano e o FMI não pouparam elogios. O diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI, Anoop Singh, afirmou que o país está no início de um círculo virtuoso, com o aumento da confiança e queda na inflação. "Estamos muito impressionados pela forma como o presidente Lula e seu governo têm seguido o processo de conseguir um consenso para a aprovação das reformas", afirmou.

"Políticas admiráveis"

Segundo o diretor do FMI, o Brasil está nos trilhos. Na mesma linha, o subsecretário do Tesouro dos EUA, John Taylor, disse que o Brasil, graças à política econômica do governo Lula, já pode ser considerado como uma experiência bem-sucedida. Taylor qualificou as políticas de Lula de "admiráveis".

Admiráveis até demais...

As tais "políticas admiráveis" andam admiráveis até demais para manter alguma saúde no país. A cotação do dólar caiu ontem de 2,02%, para R$ 2,860, o menor valor do ano. Ocorre que isso atrapalha as exportações, único segmento que está mantendo empregos no país. Além disso, se as exportações declinarem, o Brasil voltará a enfrentar problemas nas suas contas externas.

Assim falou... José Alencar

"Isso [a estabilidade] foi um trabalho admirável, mas foi ontem. Hoje, o mundo está preocupado com recessão e deflação".

"Isso [a necessidade de reduzir os juros] é o que eu tenho dito como vice-presidente, cidadão brasileiro, empresário licenciado e como homem indignado com o que está acontecendo."

Do vice-presidente da República, primeiro fazendo um elogio ao ministro Antonio Palocci que é, ao mesmo tempo, uma crítica ácida; e, em seguida, mostrando a impossibilidade de alguém tentar censurá-lo, dado que, se não for como político, ele terá voz como megaempresário ou simples cidadão.

A história como ela é

Enquanto o presidente Lula fazia uma defesa retórica da reforma agrária no congresso da CUT, na terça-feira passada, morria mais um trabalhador sem-terra "neste" país, como gosta de acentuar o presidente. Pois bem, "neste país" está havendo um repique de invasões e conflitos entre sem-terra e fazendeiros. Ou até mais grave: estão ressuscitando a moribunda UDR (União Democrática Ruralista).

Tudo porque o governo se recusa a usar a MP 2.183, aquela que controlou os conflitos no campo na era FHC ao impedir que terras invadidas fossem desapropriadas para fins de reforma agrária e que invasores fossem contemplados com lotes em assentamentos. Pensando bem, repique é um termo brando para explicar o aumento de mais de 55% no número de mortos no campo, segundo números da própria Comissão Pastoral da Terra. Os nove mortos do primeiro trimestre do ano passado viraram 14 cadáveres nos primeiros três meses do governo Lula, neste ano.

Revista Consultor Jurídico, 6 de junho de 2003, 10h56

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