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Troca de comando

Arcanjo é tema de campanha pela troca de comando na OAB-MT

O polêmico empresário e ex-policial João Arcanjo Ribeiro, preso no Uruguai acusado de chefiar o crime organizado em Mato Grosso, tornou-se o personagem e tema central da campanha pela troca de comando da OAB-MT.

O presidente da OAB mato-grossense, Ussiel Tavares, critica quem defende Arcanjo ou pessoas ligadas a ele. O vice-presidente, João Celestino Corrêa da Costa Neto, pré-candidato à presidência da seccional, já defendeu Arcanjo em um processo. Celestino tem o apoio de conselheiros que advogam para o ex-policial ou para Valdir Piran -- acusado de envolvimento com Arcanjo.

O debate surgiu dentro da própria OAB-MT. Segundo Ussiel Tavares, em reunião entre os conselheiros, decidiu-se que não havia incompatibilidade com o exercício da advocacia. Mesmo assim, ele questiona a postura de conselheiros que defendem Piran ou Arcanjo.

Ussiel Tavares informou ainda que esses conselheiros não participam de qualquer assunto sobre combate ao crime organizado dentro da Ordem. Ele contou que foi criticado quando não os convidou, propositalmente, para irem à Brasília discutir o assunto com o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Segundo o presidente da OAB-MT, agiu dessa forma por entender que eles não teriam isenção necessária para debater assuntos sobre o crime organizado.

Também disse à revista Consultor Jurídico que o fato de Celestino ter advogado para o ex-policial contribuiu para que ocorresse o racha dentro da OAB-MT. Ussiel Tavares apóia Francisco Anis Faiad, atual presidente da Caixa de Assistência dos Advogados de Mato Grosso.

"Ele usa isso como mote político", reage o vice-presidente da OAB-MT, que conta com o apoio de mais da metade dos conselheiros. Celestino afirma que foi advogado de Arcanjo durante dois anos. "Deixei de ser advogado dele quando foi denunciado pelo Ministério Público. Percebi que poderia haver incompatibilidade com a minha função. Poderia ser questionado sobre o crime organizado e, se fosse advogado do Arcanjo, daria uma opinião parcial", disse.

Para o vice-presidente da OAB-MT, não há nenhum problema ético no fato de alguns conselheiros que o apóiam advogarem para o ex-policial. Além disso, apoio "não se recusa". Celestino fez questão de lembrar que também é apoiado por mais da metade dos presidentes das subseções de Mato Grosso.

O presidente da OAB mato-grossense disse que pode até compor com rivais históricos -- como a professora e pré-candidata Maria Helena Povoas --, mas não apoiará o vice-presidente. Celestino lembra que foi vice-presidente de Ussiel Tavares mais de quatro anos. "Ele se esquece disso", afirma. Ussiel Tavares responde: "Agora, o conheço melhor e sei que não é a melhor opção".

Além de Celestino, Faiad e Maria Helena Póvoas, são pré-candidatos José Vítor Gargalione e Almino Afonso, entre outros. A OAB-MT, historicamente, sempre teve duas chapas nas eleições, com exceção de 1990. Na ocasião, três chapas disputaram o comando.

Na enquete feita na Internet pelo site 'O documento', Celestino tem 37,4% da preferência eleitoral. Em segundo lugar, está Faiad com 20,09% e em terceiro, os pré-candidatos Maria Helena Póvoas e Almino Afonso, com 13,24% dos votos.

Revista Consultor Jurídico, 4 de junho de 2003, 16h44

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