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Terça-feira, 3 de junho.

Primeira Leitura: Palocci diz que problema do país não é um Fla x Flu.

Mais política, menos técnica

O vice-presidente da República e presidente em exercício, José Alencar, defendeu segunda-feira que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tome decisões políticas em relação à taxa básica de juros, e não puramente técnicas. Para ele, isso serviria para combater a ampliação do desemprego e a retração da economia. "Do ponto de vista da filosofia das taxas de juros, precisamos de decisões políticas, porque, tecnicamente, [as decisões do BC] têm dado errado", disse.

Subconsumo

Para Alencar, os investimentos na economia só advirão quando a taxa de juros cair. "Você tem de adotar juros elevados para inibir o consumo e os investimentos, mas nós somos um país de subconsumo. Não se pode diminuir o consumo de quem não consome", afirmou.

Ironia

Sobre suas opiniões pró-redução de juros antes da reunião passada do Copom terem impedido o BC de fazer isso para escapar da acusação de agir politicamente - versão que o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), tratou de popularizar -, Alencar foi irônico. Afirmou que, assim sendo, vai pedir aumento da taxa para ver se ela cai.

A voz dos sem-voz?

Em consonância com o vice, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), advogou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a politização do debate sobre juros. Em resumo, a posição do senador é a seguinte: se o mercado financeiro faz pressão para que determinada decisão seja tomada pelo BC, a sociedade também deve fazer pressão, segundo seus interesses. Ele prometeu organizar um grande seminário no Congresso sobre esse tema para "dar voz ao outro lado". Aparentemente, ele quer se credenciar como liderança da chamada esquerda do PT.

Os sem-voz

Alguns dos 30 deputados petistas que assinaram, na semana passada, o manifesto que pedia "desenvolvimento já" passaram ontem a dar declarações de apoio a Mercadante.

A voz do dono

De Genebra (Suíça), veio a reação do ministro da Fazenda, Antônio Palocci: "O BC não pode funcionar de acordo com critérios de avaliação político-partidária". E emendou: "Ou você tem um BC que combate a inflação ou você tem um BC político". O ministro ressaltou que "a única pressão que vale para a política monetária é a da inflação".

O dono da voz

Também em Genebra, Lula sentiu o calor do debate que se trava no Brasil e se viu obrigado a defender tanto a política monetária como seu ministro da Fazenda. "Vamos resolver os problemas com tranqüilidade e nenhuma precipitação. (...) Todos nós entendemos que é preciso baixar os juros, mas não se faz isso com bravatas", afirmou o presidente. Em seguida, teceu elogios a Palocci. "Tenho um ministro da Fazenda em que eu confio plenamente, um companheiro há muitos e muitos anos, que muitas vezes tem mais bom senso até do que eu, é mais equilibrado do que eu."

Assim falou...Antônio Palocci

"É preciso encarar isso [a necessidade de o Brasil crescer] como um desafio, não como um problema de Fla x Flu"

Do ministro da Fazenda, irritado com a disputa na base governista entre os querem um Banco Central político ou apenas técnico - uma espécie de reedição da disputa entre desenvolvimentistas e monetaristas que ocorreu no governo FHC.

v>História mal contada

Bem ao contrário do que prometera o ministro do Planejamento e Orçamento, Guido Mantega - que a área social ficaria livre do contingenciamento dos investimentos do governo Lula -, programas da chamada Rede de Proteção Social estão contribuindo significativamente para o superávit primário (4,25% do PIB) prometido ao FMI. Dos R$ 5 bilhões do Fundo de Combate à Pobreza, o governo investiu menos de R$ 1 bilhão. Nada foi investido do Fundo Nacional para a Criança e o Adolescente, que tem R$ 10 milhões no Orçamento.

O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil investiu apenas 10% dos R$ 251 milhões previstos. A ser mantido esse ritmo de arrocho na área social, o governo libera apenas R$ 1 para cada R$ 100 previstos no Orçamento. Três semanas atrás, ao participar da Conferência Anual de Bancos para o Desenvolvimento Econômico, o presidente Lula havia dito que o governo brasileiro "estabeleceu um programa econômico que combina responsabilidade macroeconômica com responsabilidade social".

Revista Consultor Jurídico, 3 de junho de 2003, 9h35

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