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Lavagem de dinheiro

Exterior não atende 70% dos pedidos sobre lavagem de dinheiro

Neste final de semana, em Londrina, no Paraná, estiveram reunidos jornalistas e autoridades para a fundação da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, a Abraji. A tônica das discussões foi o crime organizado. E também a lavagem de dinheiro.

Estima-se que sejam lavados, a partir do Brasil, cerca de US$ 10 bilhões -- a maioria dessa bolada vinda do tráfico de drogas e quadrilhas de crime organizado.

Porém, a grande revelação feita pelo juiz federal Fernando Gonçalves, foi que cerca de 70% das cartas rogatórias expedidas pelas autoridades brasileiras, e que solicitam informações sobre lavagem de dinheiro, não são atendidas pelas autoridades internacionais.

O delegado federal Getúlio Bezerra, coordenador nacional da PF no combate ao narcotráfico, revelou também no seminário que "mafiosos do crime organizado levam apenas oito segundos para lavar dinheiro com bancos internacionais e com a ajuda dos computadores, mas a PF leva oito meses e meio para rastrear essas operações". Para Getúlio Bezerra, é preciso "desburocratizar" as investigações em todo o país.

O procurador Pedro Taques, do MPF, afirmou que bancos internacionais são os grandes vilões desse processo. Taques está jurado de morte pela quadrilha de João Arcanjo Ribeiro, o comendador, empresário e ex-policial mato-grossense hoje preso no Uruguai.

Arcanjo era apontado na página do FBI na Internet como um dos homens mais procurados do mundo, ao lado do saudita Osama bin Laden. Arcanjo, segundo o MPF, lavou mais de US$ 500 milhões, oriundos do crime, com a ajuda de quatro bancos internacionais baseados no Brasil.

"O MPF tem contra Arcanjo agora seis ações penais, com mais de cem testemunhas contra ele. Instituições como esses bancos que ajudaram Arcanjo comportam-se bem em seus países de origem, e até ajudam a rastrear a lavagem de dinheiro. Mas, quando vêm para países do quarto mundo, como o Brasil, ocupam-se de lavar dinheiro".

Taques explica que "a capacidade desses quadrilheiros de mudarem as técnicas de lavagem é bem superior à capacidade que as autoridades brasileiras têm para alcançá-la".

Revista Consultor Jurídico, 3 de junho de 2003, 12h46

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