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Bala na agulha

Repórteres discutem cobertura do crime organizado com autoridades

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Tendo o crime organizado como alvo, cerca de 200 repórteres interessados em se capacitar para a cobertura do assunto se reuniram na sexta-feira e no sábado (30 e 31/5), em Londrina (PR). O evento foi promovido pela recém criada Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), e pelo Centro Knight de Jornalismo nas Américas, capitaneado pelo jornalista brasileiro Rosental Calmon Alves.

Grandes nomes da imprensa nacional, como Marcelo Beraba (Folha de S. Paulo), Fernando Rodrigues (Folha de S. Paulo), Rubens Valente (Folha de S. Paulo), Amaury Ribeiro Junior (IstoÉ), Eduardo Faustini (TV Globo), Cláudio Tognolli (Jovem Pan / Consultor Jurídico) e o jornalista colombiano Gerardo Reyes (El Nuevo Herald), entre outros, dividiram a mesa com representantes de peso do Judiciário (juiz federal Fernando Gonçalves), do Ministério Público (procurador José Pedro Taques) e da Polícia Federal (delegado Getúlio Bezerra).

A lavagem de dinheiro foi identificada pelos palestrantes como a ponta visível do iceberg do crime organizado, em especial do narcotráfico. De acordo com Fernando Gonçalves, como a técnica dos criminosos está cada dia mais requintada, a Justiça, o MP, a polícia e a imprensa têm de estar em constante reciclagem. "A globalização abriu fronteiras para o crime, mas não para polícia", afirmou.

Segundo o jornalista Amaury Ribeiro Junior, a economia brasileira está extremamente imbricada com a lavagem, como no caso dos fundos de investimento. "Então, para fazer esse tipo de cobertura, o jornalista precisa entender de economia, precisa saber como funciona a Bolsa de Valores."

Os juízes, de acordo com Fernando Gonçalves, que é diretor da Associaçào dos juízes Federais, também podem fazer um trabalho mais qualificado se se especializarem. Ele defendeu a criação das varas federais especializadas no julgamento de crimes de lavagem de dinheiro, que deverão ser implantadas este mês nos Tribunais Regionais Federais do país, de acordo com resolução do Conselho da Justiça Federal.

Na opinião do procurador Pedro Taques, o sistema penal brasileiro está desatualizado, e isso dificulta muito as investigações. Ele criticou o fato de ainda estar indefinida a legalidade de procedimentos como a infiltração de policiais nas organizações criminosas e a escuta telefônica. O Código Penal também foi criticado pelo delegado Getúlio Bezerra por não fazer, segundo ele, a devida distinção entre bandos e quadrilhas, por exemplo.

Bezerra, coordenador de Operações de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, informou estar criando a Diretoria de Combate ao Crime Organizado, que fará um trabalho de inteligência sobre narcotráfico, lavagem de dinheiro e roubo de carga.

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30/5/2003 - Lavagem de dinheiro

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Laura Diniz é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 1 de junho de 2003, 22h03

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