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30 julho 2003
Nome aos bois
Procurador Luiz Francisco depõe na CPI do Banestado
O procurador da República Luiz Francisco Fernandes de Souza presta depoimento à CPI do Banestado, nesta quarta-feira (30/7), às 10h. Ele comanda as apurações da lavagem de cerca de US$ 30 bilhões -- a partir do Banestado de Foz do Iguaçu (PR) -- juntamente com as procuradoras Raquel Branquinho e Valquíria Quixadá.
"Vou endossar tudo o que o delegado Castilho disse na terça-feira à CPI. Não poderia ser diferente pelos documentos que vi e testemunhos que tomei. Certamente serei mais contundente que o delegado Castilho. Não sei se darei tantos nomes como ele deu, mas serei mais contundente com certeza", disse Luiz Francisco ao site Consultor Jurídico.
Em seu depoimento na terça-feira (29/7), o delegado José Castilho Neto sustentou que a remessa de recursos para o exterior por meio de contas CC-5 a partir do Brasil virou "lavanderia de dinheiro mundial". O delegado investigou o caso nos Estados Unidos.
Ele também alertou os parlamentares sobre a suposta existência de uma "operação abafa" para evitar a investigação das contas CC-5. "Foi uma atitude covarde e oculta", disse o delegado, oficialmente retirado de cena pelo diretor da PF, Paulo Lacerda, e pelo ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos.
O delegado no entanto elogiou algumas peças da engrenagem humana gigantesca montada para investigar o caso como "o procurador da República Luiz Francisco de Souza, a secretária Nacional de Justiça, Cláudia Chagas, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC). Sem eles não conseguiria ter permanecido este ano por 74 dias naquele país e talvez o trabalho não tivesse prosperado tanto".
Nesta quarta-feira, Luiz Francisco vai nomear as seguintes pessoas como supostas participantes do milionário esquema de lavagem: familiares do senador Jorge Bornhausen, presidente do PFL, e o próprio senador (que aliás já processa o procurador desde que este, pela primeira vez no caso, revelou com exclusividade ao site Consultor Jurídico o nome do senador no cerne das investigações); ex-diretores e o ex-presidente do banco Araucária, Alberto Dalcanale; o doleiro Felice Agge e o empresário Alexandre Negrão, que já foi investigado pela CPI do Narcotráfico (fornecimento ilegal e éter e acetona), e que é tido como o maior produtor de medicamentos genéricos no país; e finamente um político, segundo o procurador, "tucano famoso e muito ligado a esse empresário de genéricos, sobretudo a partir de provas obtidas da lavagem de dinheiro pela conta Tucano via Campinas, Foz do Iguaçu e Nova York".
Lavagem de dinheiro
Especialistas em inteligência financeira, do Judiciário e da advocacia devem responder diversas questões sobre lavagem de dinheiro, no dia 27 de agosto, em São Paulo. No seminário 'Prevenção e combate à lavagem de dinheiro', o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Gilson Dipp, presidente da Comissão Mista de Estudos sobre Crimes de Lavagem de Dinheiro, e o presidente do Coaf -- Conselho de Controle das Atividades Financeiras, entre outros especialistas, farão palestras sobre o tema.
Para outras informações sobre o seminário "Prevenção e Combate à Lavagem de Dinheiro", clique aqui.
Revista Consultor Jurídico, 30 de julho de 2003
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