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Toma lá, dá cá.

TST rebate afirmação feita por Lula em discurso no Planalto

O presidente em exercício do Tribunal Superior do Trabalho, ministro

Vantuil Abdala, reagiu à afirmação feita nesta terça-feira (29/7) pelo presidente da República na solenidade de lançamento do Fórum Nacional do Trabalho.

Em seu discurso de improviso, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que,

talvez, no passado, a Justiça do Trabalho tenha se posicionado contrariamente às iniciativas de lideranças sindicais interessadas na implementação do sistema de contrato coletivo de trabalho.

"Eu fiquei surpreso com as referências feitas pelo presidente da

República em relação a essa questão, quando ele disse que havia

manifestações e segmentos sociais que seriam contrários à adoção do

contrato coletivo de trabalho e talvez a própria Justiça do Trabalho. Se

ele disse a palavra 'talvez' é porque não tinha certeza", declarou Abdala.

"E não poderia mesmo ter certeza, uma vez que a Justiça do Trabalho

nunca se manifestou contrariamente ao contrato coletivo de trabalho.

Muito pelo contrário, todas as declarações da Justiça do Trabalho sempre foram favoráveis a essa modalidade de contrato, como hoje ainda são", completou o ministro. Ele afirmou não saber de onde o presidente da República "tirou essa idéia". (TST)

Leia o discurso de Lula:

Eu estava ouvindo os três oradores e, por alguns segundos, a minha

cabeça viajou pelo tempo. E, possivelmente, alguém mais jovem do que eu não tenha a exata dimensão do que significa esse lançamento do Fórum Nacional do Trabalho.

Coisas que eu e alguns da minha idade sonhamos e brigamos durante um bom tempo, para que pudéssemos democratizar a relação entre capital e trabalho. E nessa viagem que a minha cabeça fazia, eu lembrava de dois momentos importantes, de duas pessoas que estão aqui presentes. Uma delas é o ex-Ministro do Trabalho Arnaldo da Costa Prieto, para que vocês acompanhem a evolução da História. E a evolução do próprio movimento sindical brasileiro, apesar da legislação não ter mudado muito.

Em 1978, o Presidente Geisel mandou ao Congresso Nacional uma lei que criava as chamadas categorias essenciais, que não podiam fazer greve. Aí envolvia bancários, envolvia frentistas de posto de gasolina e outras categorias. E eu lembro que, na época, nós tentamos fazer um movimento para vir a Brasília, e o Ministro Arnaldo da Costa Prieto foi à televisão fazer um pronunciamento em cadeia nacional dizendo que era proibido que os dirigentes sindicais viessem a Brasília. E colocava restrições que, certamente, o Presidente da República tinha discutido.

E eu lembro, meu caro Prieto -- hoje eu posso chamá-lo assim -- que para eu vir a Brasília tive que fazer uma carta de licença do Sindicato,porque se alguém tentasse fazer uma intervenção no sindicato, eu estaria de licença da Presidência, não poderia sofrer uma intervenção. Viemos a Brasília conversar com os Deputados para que não aprovassem aquela lei.

Bendita hora que eu vim a Brasília, porque foi na visita que eu fiz, de gabinete em gabinete -- eu e meia dúzia de dirigentes sindicais, que viemos a Brasília -- que eu descobri a necessidade de criar um partido, porque sentia que nós não tínhamos representantes aqui no Congresso Nacional. E partir daquele instante surgiu a idéia de criar o Partido dos Trabalhadores.

Mas a evolução da História sindical é de tal ordem, que o meu amigo Almir Pazzianoto Pinto, ex-Ministro do Trabalho, ex-advogado do meu sindicato, trabalhava na Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos de São Paulo. Vejam o que é evolução. Eu contratei o Almir em 1975, para trabalhar no Sindicato comigo e o Almir sofria perseguição na Federação porque era tido como comunista, porque advogava para o sindicato de Santos, para o nosso querido companheiro Marcelo Gato.

Eu estou dizendo isso, porque muitas vezes nós fazemos julgamento das coisas pelo momento que estamos vivendo, e não pelo momento histórico em que as coisas se deram.

O movimento sindical, por esses dois fatos que eu citei, evoluiu muito. Quando contratei o Almir, lembro das críticas que eu sofria do pessoal mais conservador, de que eu estava contratando um comunista para trabalhar no meu sindicato.

Eu hoje, trinta anos depois, participando do lançamento deste Fórum Nacional do Trabalho, fico imaginando quantas vezes a ignorância do ser humano ou o medo do ser humano atrapalha a evolução da própria espécie humana. Por quê? Porque eu só me notabilizei como dirigente sindical, lutando contra uma estrutura sindical que considerávamos, na época, fascista e que era cópia fiel da "Carta di Lavoro" de Mussolini.

Foi isso que me fez surgir no movimento sindical e ganhar uma dimensão nacional e da mesma forma a questão trabalhista. Quem trabalhava nas categorias mais evoluídas, maiores, mais organizadas, tinha notadamente uma pauta de reivindicação mais moderna do que as categorias menores.

Revista Consultor Jurídico, 29 de julho de 2003, 17h44

Comentários de leitores

4 comentários

Concordo em gênero, número e grau com os colega...

José Enéas de Miranda Frazão ()

Concordo em gênero, número e grau com os colegas que têm se pronunciado sobre os "arroubos oratórios do homem". Pelo amo de Dweus, não o deixem falar de improviso...

O testo pode ser resumido numa pequena frase, "...

Gilson Santos Brandão (Advogado Autônomo - Trabalhista)

O testo pode ser resumido numa pequena frase, "quem fala demais dá bom dia a cavalo"

Caro Mário Celso Corrêa. Eum um dos comentár...

Othon de Andrade Filho ()

Caro Mário Celso Corrêa. Eum um dos comentários, estranho um militar dizer: "o presidente deles". Ignora o autor do texto e o Sr., que a palavra talvez é sinônimo de possívelmente. Certamente o TST, egrégia instituição, tenha como fim preservar a justiça do trabalho. Não obstante, parecem ignorar os Srs que as instituições são representadas por pessoas e estas, infelizmente, por razões pessoais muitas vezes prejudicam aqueles que representam e entendo (por razões mais profundas) sempre inconcientes. Um grande homem não se reconhece pelos títulos que tem. Um governo não é composto por somente um homem. Um país é como um corpo onde cada cidadão representa suas diversas partes. Quando uma parte de nosso corpo está doente, nós estamos doentes. Enquanto um só cidadão desrespeitar os direitos do próximo, atingirá as outras partes do corpo. Uma vez me disseram que um homem chamado Francisco Cândido Xavier, um coitado segundo alguns, pois sequer terminou o ensino médio, ao ser indagado por um reporter sobre o que esperava do presidente que assumia, respondeu o seguinte: "Eu nada espero! Entendo que devo fazer a minha parte." Enquanto as partes do conjunto se esquecerem de cumprir seu papel, teremos um corpo doente. Se neste momento o representante máximo de nossa nação nos entregasse um país equilibrado e tivessemos o perdão de todos os nossos erros... (fraudes dos empresários, sonegação de impostos das pessoas - quando sonegamos impostos, não lesamos o presidente, lesamos a sociedade para quem os recursos devem ser destinados) ...teriamos novamente em breve tempo, o retorno da desigualdade, porque a doença que contamina o país, está nas pessoas. Somos um conjunto. Talvez se traduz por humildade. othon@tributarista.org.br

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