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Biodigestor

Delegado diz que PF poderia ser auto-sustentável

A Polícia Federal poderia ser auto-sustentável se a legislação que controla o perdimento de bens de traficantes para a União fosse mais eficaz. A opinião é do delegado federal, Getúlio Bezerra Santos, coordenador nacional de todo o sistema brasileiro de repressão e combate ao narcotráfico.

Para o delegado, boa parte da cocaína vendida -- sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo -- senão quase toda ela, chega ao Brasil via grupos revolucionários armados da Colômbia. "Seria uma injustiça dizer que são apenas e somente as Farc" - diz o delegado, em referência às Farc-EP, Forças Armadas Revolucinárias da Colômbia.

Leia a entrevista concedida à revista Consultor Jurídico.

O que preocupa a PF hoje?

No cenário internacional há uma recomendação expressa na convenção das Nações Unidas, de 1998, e que referendou a Convenção de Viena, no sentido de ser dada uma atenção muito especial, nos próximos dez anos, pra gente cuidar com mais atenção das ditas drogas naturais, ou de procedência natural, como maconha, cocaína e heroína.

Há um perfil de narcotraficante? Há crime organizado ou desorganizado no Brasil?

É um crime organizado. Agora depende também dos níveis de organização. Podemos ter desde quadrilha ou bando até estruturas mais organizadas, dessas que se protegem atrás de empresas de fachada, para poder manejar seus dinheiros. Nós no Brasil, como não produzimos nem cocaína nem heroína, que são as drogas mais pesadas, nós temos aqui um mercado competitivo, eu diria que no Brasil é lobo comendo lobo. No Brasil temos estruturas de todos os níveis, de esquina de rua e aquelas empresas brasileiras criminosas que estão de dedicando mais às redes de distribuição e de transporte, tirando a cocaína dos complexos de produção da Colômbia e da Bolívia e colocando no nosso país ou nos entrepostos vizinhos aqui, para ir pros países do norte.

Há alguma informação de que as Farc põem cocaína no Brasil?

Seria leviano eu dizer Farc. As Farc são um movimento revolucionário político já conhecido, operando na Colômbia há 50, 60 anos lá. Existem grupos armados próximos às fronteiras do Brasil, naquela região de Barranco Minas, onde por sinal para podermos nos situar na geografia, o Fernandinho Beira-Mar estava passando uma temporada, não por vontade, mas porque nós o expulsamos da fronteira do Paraguai, e também estava lá por conveniência comercial.

Existem esses grupos armados naquela região que se dizem revolucionários, ou Farc, ou não sei que sigla possa ter, manobrando com os produtores de cocaína, aquelas pessoas a que estão cuidando das folhas, fazendo a pasta e processando o cloridrato de cocaína. Essas pessoas estão subjugadas por esses movimentos armados. Eu não assinaria Farc, ou "Frente Qualquer Coisa". Agora, os movimentos revolucionários armados da Colômbia, próximos à fronteiras com o Brasil, é que estão controlando os complexos de produção de cocaína. Aliás, a inteligência que a Polícia Federal dispõe me autoriza a dizer isso, mas não estou assinando que sejam as Farc.

São Paulo e Rio, o que mais preocupa a PF nesses estados?

Nossa atividade é fiscalizar as organizações maiores através de um serviço permanente de inteligência, com ênfase na investigação financeira, que é para descapitalizar esses grupos. Ou seja: tirar do tráfico e aplicar contra o próprio tráfico,e e evitar até de tomar dinheiro do Estado, dos programas sociais, para fazer isso, esse combate. A repressão ao tráfico pode ser até auto-financiada. E esse fundamento dessa estratégia é cooperação e integração. Mas o que preocupa a gente é que para poder usar essa ferramenta, essa estratégia, a gente tem que integrar realmente, com as polícias dos Estados. Não integrar policiais, veja bem: é integrar operacionalmente.

Perdimento para a União dá certo?

Existe uma indigência crônica em dizer que a polícia não tem recursos. Quando eu digo autofinanciável, eu tenho um pouquinho e entusiasmo, de otimismo. Muita coisa pode ser obtida através desse processo, viaturas, dinheiro, apartamentos, imóveis, fazendas, aviões. Temos arrecadado isso.

A Secretaria Nacional Anti-Drogas faz leilões desses bens e a polícia fica com 40% desses valores. Agora o processo é um pouco moroso, a legislação é um pouco emperrada, tem, de ser mais fluída, para conseguirmos as coisas com mais celeridade.

Revista Consultor Jurídico, 28 de julho de 2003, 10h01

Comentários de leitores

1 comentário

Existe um ditado que diz: "Enquanto houver plat...

Rodrigo Laranjo ()

Existe um ditado que diz: "Enquanto houver platéia, o show continua". Não adianta polícia, legislativo, judiciário, nada. Enquanto houver drogados, o tráfico continua. Estão discutindo o problema errado. www.wibs.com.br

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