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Lábia lucrativa

Falso assassino já aplicou golpe em mais de 300 advogados

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Cerca de 300 advogados da cidade de São Paulo caíram num golpe, nos últimos seis meses, aplicado por um homem que se identifica como Weverton Lapinsky Kuhm. Ao solicitar os serviços jurídicos, ele contava que teria matado dois assaltantes em Praia Grande (SP). Pede ajuda do profissional e um empréstimo. Depois, evidentemente, some.

A quantia pedida, geralmente, é de R$ 100. Estima-se, portanto, que o golpista já pode ter ganho mais de R$ 30 mil.

De acordo com a auxiliar administrativa do 1º Distrito Policial de Praia Grande, Jacira Godoy, muitos advogados já ligaram ou foram até lá para obter informações sobre o caso. Segundo ela, todos os dados fornecidos pelo homem que diz se chamar Weverton são falsos, inclusive o nome. O golpe está sendo aplicado há pouco mais de seis meses, conta Jacira.

Uma funcionária da Delegacia Central de Praia Grande, que não quis se identificar, estima já ter atendido ligações de mais de 300 advogados e conversado pessoalmente com pelo menos 20. "Todos querem checar se a prisão preventiva de Weverton já foi decretada", diz ela rindo.

Segundo uma advogada que recebeu o homem em seu escritório, ele aparenta 40 anos, tem aproximadamente 1m60, é magro, tem cabelo castanho escuro bem curto e dentes tortos e amarelados. A advogada contou em detalhes ao site Consultor Jurídico como o golpista agiu com ela e pediu para não ter seu nome revelado por temer represálias. As informações foram confirmadas pelas funcionárias do 1º DP e da Delegacia Central de Praia Grande.

Ele afirmava ser primeiro-tenente do 12º Batalhão do Comando Tático Antibombas e que mora em Praia Grande, no andar de cima do mercado Santa Clara (ou Santa Helena, ou algum outro nome de santa), de sua propriedade.

A história contada é a seguinte: em janeiro de 2002, o mercado foi assaltado por três homens, ele tentou reagir, mas foi baleado por um dos ladrões. Os homens foram presos, mas cerca de um ano depois fugiram da penitenciária e o procuraram para se vingar.

Ao advogado, ele costuma dizer ainda que o episódio aconteceu no dia anterior. O golpista afirma ter sido avisado por sua neta de cinco anos sobre a presença dos estranhos na casa. Nesse momento, ele teria trancado a menina no banheiro e enfrentado os bandidos usando uma pistola. Segundo ele, dois foram mortos e um fugiu depois de ser ferido.

O suposto policial diz ainda que ligou para o comandante do batalhão e foi orientado a ficar "fora do ar por 72h" e contratar um advogado particular. Ele inventa uma desculpa qualquer para ter chegado ao advogado e pede que ele o ajude.

O golpista diz ter cópia do processo referente ao primeiro assalto e afirma que ele está na fase "do 499" (de diligências), demonstrando intimidade com o universo jurídico. Ele conta também que de seus 15 anos na polícia, tem 72 inquéritos administrativos e oito por homicídio. Seu conhecimento técnico fica mais evidente quando ele explica que, entre os homicídios, recebeu três sentenças de impronúncia, foi absolvido sumariamente em dois casos, outros dois foram arquivados e um ainda espera sentença de pronúncia ou impronúncia.

Ele pergunta, então, quanto terá que pagar de honorários e não questiona o preço dado pelo advogado. Na frente do profissional, o susposto policial escreve uma carta para a esposa, em que diz, basicamente: "Eliana, não posso voltar. Preciso que você me mande os documentos e mil reais de adiantamento para o dr. Fulano. Deixei o carro em tal estacionamento. A partir de agora, entrarei em contato com você somente através do dr. Fulano."

O golpista chega a deixar com o advogado um telefone e endereço falsos, além de números de RG e CPF.

Em seguida, vem o golpe. Aparentando estar constrangido, ele conta que saiu correndo de casa e não pegou seus documentos ou dinheiro. "Como não consegui me identificar, o hotel pediu pagamento antecipado. A senhora poderia me emprestar algum para a primeira diária?", disse o golpista à advogada.

Muitos advogados acreditam que a causa é boa e que há garantia de pagamento (o mercado com nome de santa). Acabam ajudando o suposto cliente. Ele vai embora com dinheiro no bolso prometendo ligar no dia seguinte para saber das novidades, mas desaparece.

Laura Diniz é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 30 de janeiro de 2003, 18h21

Comentários de leitores

2 comentários

Desde quando as faculdades de Direito tem a obr...

Adriano P. Melo (Advogado Autônomo - Trabalhista)

Desde quando as faculdades de Direito tem a obrigação de formar pessoas com um mínimo de inteligência para julgar um indivíduo que se faz passar por um homicida? O sr. Fróes, além de ser uma pessoa de educação duvidosa e soberba mais que confirmada, demonstra ser um rábula da pior espécie, pois chamar pessoas de "otários juramentados" é comentário típico de quem se sente no olimpo reservado aos arrogantes travestidos de Advogados.

As péssimas faculdades estão gerando, além de a...

Fróes (Advogado Autônomo)

As péssimas faculdades estão gerando, além de advogados despreparados, otários juramentados e diplomados. Será que a ânsia de angariar uma causa criminal leva o, digamos, advogado, a ser tão estúpido?

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