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Quarta-feira, 15 de janeiro.

Primeira Leitura: propostas de Lula geram atritos com a CUT.

Drible

A cúpula do PMDB reagiu na terça-feira à ofensiva do governo Lula em favor da candidatura de José Sarney (AP) à presidência do Senado e surpreendeu o PT ao antecipar para amanhã a reunião da bancada que escolherá o candidato do partido ao cargo. Isso aborta a campanha do PT em favor de Sarney, que, pego de surpresa, pode até não comparecer à reunião.

Assim, não!

"O PT estava indo com muita sede ao pote, achando que poderia tratar o PMDB a vara, como faz com a esquerda partidária", disse a Primeira Leitura um membro da cúpula peemedebista.

Feirão

O partido pretendia garantir a eleição de João Paulo Cunha (PT-SP) na Câmara sem precisar do PMDB. Para isso, abriu um balcão de negócios com parlamentares que inclui a promessa de cargos em autarquias federais nos Estados.

Agora, terá de optar entre manter a estratégia - de alto risco - e voltar a negociar com o comando do PMDB.

Oportunidade

Uma das "ofertas": O deputado baiano Benito Gama aceitou trocar o PMDB pelo PTB em troca da diretoria de habitação da Caixa Econômica Federal.

Revolta

As propostas de reformas do governo Lula já começam a criar atritos com as bases históricas do partido. Mesmo sem saber exatamente qual a proposta do PT para a Previdência, a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Seguridade Social (CNTSS), da CUT, sinalizou que é contra o teto único de aposentadoria para trabalhadores do setor público e do privado.

Novos tempos

A Confederação Nacional dos Bancários (CNB) divulgou nota afirmando que "não concorda com a manutenção do processo de venda dos bancos estaduais federalizados". A privatização faz parte do acordo com o FMI e será mantida, anunciou Antônio Palocci (Fazenda) na segunda.

Quem te viu...

Outra mudança de posição: o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, afirmou que não deverá ser feita correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) em 2003.

...quem te vê

Enquanto era oposição, o PT sempre foi a favor da correção. Com a inflação maior, muitas categorias profissionais vão exigir reajustes. Aqueles que trabalham em setores beneficiados pelo aumento das exportações vão certamente conseguir ao menos o repasse da inflação.

Mordida

Ou seja, aquilo que não é ganho salarial, apenas reposição, passará a ser tributado como renda extra pelo Leão. Muita gente que é isenta passará a pagar imposto apenas porque teve o reajuste.

Em queda

A expectativa de entrada de recursos no Brasil voltou a derrubar a cotação do dólar. A moeda americana fechou ontem em baixa de 1,42%, a R$ 3,258, a menor cotação em quatro meses.

Dinheiro novo

Depois de os bancos terem captado quase US$ 1 bilhão, chega a vez das empresas. Ontem, a Companhia Vale do Rio Doce anunciou que fechou um empréstimo externo de US$ 300 milhões, e a Companhia Siderúrgica Tubarão, um financiamento de US$ 39 milhões.

Mas...

São boas notícias, claro, mas é preciso qualificá-las: são empresas exportadoras; têm o rating máximo das agências de risco; os financiamentos são de clientes. A Vale, por exemplo, conseguiu empréstimo de empresas para as quais exporta há 40 anos.

Assim falou...George Soros

"Mudei de opinião. Estou otimista em relação ao Brasil".

Do mega-investidor húngaro-americano, em um seminário sobre globalização em Nova York. Em outubro, ele dissera que o Brasil estava condenado a eleger o tucano José Serra ou "mergulhar no caos".

Ironias da história

A notícia de que o presidente do BC, Henrique Meirelles, ainda recebe uma polpuda "aposentadoria" do banco FleetBoston não parece ter causado muita celeuma nos meios políticos. Agora imagine o leitor o seguinte cenário (irreal, é claro): em 1999, ainda durante o governo FHC, portanto com o PT na oposição, a imprensa descobre que Armínio Fraga tem uma aposentadoria anual paga pelas empresas de George Soros.

Seria ou não um escândalo? Ah, seria... Só o fato de Armínio ter trabalhado para Soros já foi motivo, na época, para reações escandalosas e indignadas. Um parlamentar de esquerda chegou a dizer que a pátria de um especulador como Fraga era o dinheiro. Um renomado escritor, que nunca escondeu sua orientação política, escreveu uma crônica em que Soros parabenizava seu "pupilo" por um bom discurso no fórum de Davos. Os tempos, definitivamente são outros...

Revista Consultor Jurídico, 15 de janeiro de 2003, 9h17

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