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Quinta-feira, 9 de janeiro de 2003.

Primeira Leitura: governo emite sinais contraditórios.

Entre o sonho e a realidade

O presidente Luiz Inácio Lula a Silva está visivelmente com problemas para transformar em propostas de governo as bandeiras de campanha. Algumas delas foram simplesmente escondidas ou esquecidas depois da tal da conversão que deixou o mercado tão perplexo quanto satisfeito. Outras, embora continuem a existir em palavras, não se transformam em ações de governo.

Cada cabeça, uma sentença

O governo tem emitido sinais contraditórios. Cada cabeça de ministro, a cada discurso, tem sido uma sentença. Os afazeres de administração econômica de Henrique Meirelles (Banco Central) e Guido Mantega (Planejamento), por exemplo, parecem ter sido ditados por dois presidentes diferentes.

Mais exemplos

Há nítida confusão entre fome e renda; a Caixa Econômica Federal, apesar da criação Ministério das Cidades, continua subordinada ao Ministério da Fazenda; e os conceitos de ciência e tecnologia do ministro Roberto Amaral, que defendeu a bomba atômica, são, no mínimo, contra a Constituição.

Falta estratégia

Depois de uma semana no poder, o governo Lula ainda não disse quais são seus objetivos estratégicos. Continua a usar a crise econômica para justificar a manutenção da política de Pedro Malan.

Falta maioria

Para completar, o PT enfrenta dificuldades para criar uma maioria no Congresso. Na Câmara, conta com pouco mais de 230 cadeiras e não tem sequer maioria simples (257 cadeiras). E agora enfrenta problemas para garantir a presidência da Casa.

Sem PMDB

Lula dispensou o PMDB na montagem do ministério e apostou que a eleição do senador José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado funcionaria como salvo-conduto para garantir a eleição de um petista para a presidência da Câmara.

Corpo estranho

O problema é que Sarney nunca foi realmente do PMDB. É um corpo estranho no partido, os peemedebistas que apoiaram Lula são minoria na bancada da Câmara, e o comando do PT está, agora, sob ameaça da criação do bloco PSDB-PFL.

A alegria de Delfim

O deputado Antônio Delfim Netto (PPB-SP) - ex-ministro dos governos Costa e Silva, Médici e Figueiredo - disse aceitar "com alegria" o convite para integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que vai discutir o tal pacto social.

Juros em queda

Os juros de mercado mantêm tendência de queda com a percepção de investidores de que a desvalorização do dólar deve garantir um alívio sobre a inflação. Ontem, os contratos DI de abril, os mais negociados, tiveram recuo de 1,28%.

E preços também

Na primeira prévia do ano, o IGP-M registrou alta de 1,34% nos preços, segundo a FGV. A mesma prévia do mês passado apontava inflação de 2,61%.

Assim falou... Aloizio Mercadante

"Criar artificialismos para construir maioria às vésperas de disputas como a da presidência do Senado não contribui para o processo democrático."

Do senador eleito e futuro líder do governo no Senado sobre a formação do bloco PSDB-PFL que ameaça tomar a presidência da Câmara, que o PT tinha como garantida. Cabe perguntar a Mercadante: e criar órgãos para pressionar o Parlamento contribui para o processo democrático?

Tudo é história

Em 1945, quando a ditadura do Estado Novo chegou ao fim, o lendário Otávio Mangabeira, deputado e senador pela UDN, disse que a democracia no Brasil era "uma plantinha tenra". De lá para cá, muitos tentaram dar um by pass na dita cuja, inclusive um neto do próprio, Roberto Mangabeira Unger. Seja em livros, seja em artigos, Mangabeira, o Jovem, mostrou que não gosta muito de partidos, sindicatos... Considera-os instituições ultrapassadas. Quando ele, já como guru de Ciro Gomes, propôs uma república plebiscitária, a candidatura presidencial que defendia esfarelou-se. Agora, estamos às voltas com o tal Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, criado pelo PT. Pode ser uma armadilha à institucionalidade democrática.

Revista Consultor Jurídico, 9 de janeiro de 2003, 15h32

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