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Quarta-feira, 1 de janeiro de 2003.

Primeira Leitura: PSDB vive disputa interna por comando

A regra do jogo

Na disputa pelo comando do PSDB, dois movimentos deflagrados ao longo da semana passada e na última segunda-feira foram decisivos: a escolha dos secretários do governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, e a postura de Fernando Henrique Cardoso na discussão estéril sobre o tipo de oposição que os tucanos devem fazer ao governo Lula.

Escolhendo as armas

O governador Geraldo Alckmin lançou mão da equipe e da influência de FHC e de José Serra – o candidato tucano derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pela Presidência da República, mas que amealhou 33 milhões de votos – para montar a nova equipe do governo de São Paulo.

Estratégia paulista

Com a aproximação política a Fernando Henrique Cardoso e a José Serra, o governador Alckmin sepultou de vez o discurso de Tasso Jereissati e de Aécio Neves, que defendiam a necessidade de “despaulistizar” o PSDB.

Encarnando o papel

FHC, em encontro com a cúpula tucana na tarde de segunda-feira, mandou o partido se comportar como “alternativa de poder”. Tradução: será oposição quem souber sê-lo e tiver as melhores armas políticas e argumentos técnicos para discutir, apoiar, melhorar ou se contrapor às propostas do governo do PT, que hoje se inicia.

Liderança tucana

Dentro do PSDB, não são nem os apadrinhados de Tasso Jereissati nem os de Aécio Neves os mais preparados para essa tarefa. O jogo de Geraldo Alckmin vai forçar, no mínimo, a criação de uma candidatura alternativa e de consenso para o comando do PSDB, em março, em vez da preponderância dos liderados por Aécio e Tasso. O que pode dificultar, naturalmente, a opção de José Serra como presidente dos tucanos.

Nas capitais

Assim como as eleições nas capitais, em 2000, já deixavam entrever um ânimo antigoverno muito claro, as eleições de 2004 dirão a quantas anda o humor do eleitorado com o petismo.

Termômetro

Olhem os números daquele pleito. O PT e as esquerdas tiveram mais votos nas capitais do que todos os grandes partidos alinhados com o governo. O pleito é, pois, um termômetro de opinião pública dos mais reveladores.

Assim falou... um tucano

“São Paulo, pela mão do Alckmin, mostrou (...) que não há projeto de poder que possa deixar o Estado e o governador de fora.”

De uma liderança do PSDB e interlocutor de Fernando Henrique Cardoso, ao expressar a visão do presidente que deixa o Planalto sobre a costura política do governador reeleito de São Paulo e o futuro dos tucanos.

Tudo é história

O site Primeira Leitura reproduz os discursos de diplomação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de dois presidentes eleitos democraticamente: Juscelino Kubitschek (1956) e Jânio Quadros (1960). O primeiro entregou a faixa ao segundo, de acordo com as regras previstas. Jânio, por sua vez, depois de um curto e tumultuado período, renunciou ao cargo e abriu caminho para a crise militar de 1964, que resultou em golpe. Compare os dois estilos. Enquanto Juscelino reitera, a cada palavra, a capacidade de o Brasil resolver suas crises – não custa lembrar que ele foi eleito na seqüência do suicídio de Getúlio Vargas –, Jânio faz questão de ver a sua eleição como ruptura e descontinuidade. Lula inovou pouco, pois, ao dizer, na semana passada, que a história do Brasil se dividiria em dois períodos: antes e depois de sua eleição. Também Jânio tentou se pôr como marco.

Revista Consultor Jurídico, 1 de janeiro de 2003, 11h44

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