Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Operação Dilúvio

Juiz manda abrir inquérito para apurar vazamento de informações

O juiz da 3ª Vara Federal de Cuiabá (MT), César Augusto Bearsi, determinou a abertura de inquérito policial para apurar o vazamento de conversas telefônicas mantidas entre dois lobistas. A decisão foi tomada com base na petição protocolada quinta-feira, no final do expediente, pelo vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Edson Vidigal.

No despacho, o juiz Bearsi assegura que "quanto ao argumento de que há especulação sobre o envolvimento de um magistrado, isto só existe em imaginação, pois na interceptação e no inquérito até agora em curso, ainda não apareceram evidências sobre a participação de qualquer magistrado e exatamente por isso, é que as investigações tramitam perante esta 3ª Vara Federal/MT".

Para Vidigal, existe uma trama orquestrada por integrantes do Ministério Público com o objetivo de desestabilizá-lo. "O que ocorreu é que as investigações foram prejudicadas. Ou seja, o interesse público foi ferido. Então, não tem mais porquê correr em segredo de justiça. É do interesse da sociedade saber tudo que há neste processo, desde o começo até o fim. É do interesse do povo, não só do Mato Grosso, mas do Brasil, saber de verdade, o que há por trás disso tudo", afirmou o ministro Vidigal durante entrevista na noite da última quinta-feira (27), em Cuiabá antes de saber da decisão do juiz César Bearsi.

Na avaliação do ministro Vidigal, a citação do seu nome num documento enviado à Justiça pelo Ministério Público teve por interesse "alimentar" o noticiário da mídia sem que ele pudesse se manifestar. Isso ocorreria pelo fato de ter foro privilegiado. "Como eu só posso ser processado perante o Supremo Tribunal Federal (STF) e nem moro no Mato Grosso, o noticiário ia ser alimentado com o meu nome por muito tempo até que isso um dia pudesse chegar ao Supremo ou talvez nunca chegasse porque ao final não iriam encontrar nada ao meu respeito, como eu continuo desafiando que encontre. Até lá eu estaria destruído. Lembrai-vos da Escola Base. Até lá eu estaria destruído", avaliou.

Para o ministro Vidigal, tudo que foi divulgado até o momento tem por objetivo mudar o "foco da questão". O ministro apontou que não se fala mais na operação para levar à prisão os integrantes de uma quadrilha que atua no Estado do Mato Grosso e tampouco se conhece os resultados das investigações sobre a construção do fórum de Rondonópolis (MT).

Durante a entrevista o ministro Edson Vidigal apontou falhas no relatório apresentado pelo procurador da República Pedro Taques. Para o ministro, o procurador estaria abrindo precedentes para que se entendesse os desconhecimentos dele no campo do Direito. "Por isso eu quero que quebre o segredo de justiça. Eu não posso falar mais porque não tenho o texto. Mas na hora que quebrar esse segredo de justiça vocês vão ler o que ele escreveu. E vocês vão ver como uma pessoa pode chegar a um cargo tão importante, produzindo documento tão inépto técnica, jurídica e intelectualmente", concluiu. (STJ)

Ministro do STJ chama procurador de MT de 'analfabeto'.

Revista Consultor Jurídico, 28 de fevereiro de 2003, 10h49

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 08/03/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.