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Chumbo trocado

Ministro do STJ chama procurador de Mato Grosso de 'analfabeto'

O vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Edson Vidigal, afirmou que o procurador da República em Mato Grosso, Pedro Taques, é um "analfabeto" no meio jurídico. O ministro fez duras críticas ao procurador e declarou ser vítima de uma trama do Ministério Público Federal. A crítica foi feita durante a solenidade de posse do novo presidente do Tribunal de Justiça do Estado, José Ferreira Leite.

Durante entrevista coletiva, o ministro acusou Taques de ser o responsável pelo vazamento do conteúdo das escutas telefônicas captadas pela Polícia Federal, nas quais seu filho Erick Vidigal é citado como um intermediador na venda de habeas corpus no STJ, instância em que atua. As informações contidas de grampos autorizados pela Justiça devem ser sigilosas, segundo ele.

Procurado para comentar as declarações, Pedro Taques disse que não iria polemizar. "Não vou bater boca com o ministro", disse. Ele afirmou, no entanto, que o comportamento de Vidigal reflete o destempero de um pai. "Ele tem que deixar de ser ministro, pegar a carteira da OAB e ir defender o filho dele", afirmou o procurador por telefone.

Ainda segundo Edson Vidigal, Mato Grosso está muito mal representado por seus agentes do poder público. Para o ministro, o objetivo de Taques é desviar a atenção das investigações sobre a organização criminosa de João Arcanjo Ribeiro. "Ele está tirando o foco das investigações. De repente, ninguém fala mais dos bandidos", atacou.

O "vazamento" das gravações para a imprensa, segundo ele, já configura uma prova contra o procurador. "Essa é uma prova da falta de isenção e da incompetência profissional", revelou.

Edson Vidigal havia pedido juiz da 3ª Vara Federal César Augusto Bearsi a suspensão do "segredo de justiça" no inquérito policial que apura a intermediação de venda de habeas corpus no STJ. Apesar das argumentações, no início da noite Bearsi indeferiu o pedido. Esta semana, Vidigal prestou espontaneamente depoimento à Polícia Federal e refutou a notícia de que seu filho teria tentado usar o nome dele para intermediar decisões.

A denúncia da suposta venda de sentenças foi publicada no último domingo pelo jornal Folha de São Paulo, que transcreveu parte de conversas telefônicas obtidas a partir de grampo autorizado pela Justiça nos telefones dos irmãos Samuel e Timóteo Nascimento da Silva. Nas conversas, os irmãos tratam Erick de "filho do velho". Erick, que é advogado, reconhece que negociou um assessoramento jurídico com prepostos de Arcanjo, mas desistiu após se aconselhar com parentes e amigos.

No documento em que pedia o fim do sigilo, o ministro diz que "dados importantes das investigações preliminares, feitas antes da instauração desse inquérito, foram repassadas criminosamente ao jornalista Josias de Souza, da Folha".

Leia o pedido do ministro à Justiça

Fonte: Diário de Cuiabá - Luciana Girardelo e Carlos Martins

Revista Consultor Jurídico, 28 de fevereiro de 2003, 8h10

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