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Quinta-feira, 27 de fevereiro.

Primeira Leitura: rendimento médio do trabalhador despenca.

Arrocho

O rendimento médio do trabalhador brasileiro despencou 5,1% em apenas 30 dias, entre novembro e dezembro do ano passado, segundo pesquisa mensal de emprego do IBGE divulgada quarta-feira. Os números acenderam a luz vermelha no Planalto.

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Shyrlene Ramos de Souza, técnica do IBGE, não vê no horizonte próximo perspectiva de melhora. O câmbio e os juros elevados concorrerão para a queda da atividade, lembrou.

“Com isso, o trabalhador fica sem poder de barganha para negociar aumento salarial”, disse. Falando em juros, um dia antes, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, havia dito que, em caso de guerra, novas e duras medidas econômicas seriam tomadas.

Desastre

O IBGE não apresentou cálculo sobre a perda da renda em 12 meses por causa de mudanças metodológicas feitas durante esse período. Sabe-se, contudo, que o recuo já está próximo de 20% e que, nesse tipo de comparação anual, a renda não pára de cair há 24 meses.

Não há vagas...

O desemprego também aumentou, de 10,5% em dezembro para 11,2% em janeiro. As razões são a sazonalidade negativa para o emprego, típica desse período, e a retração da economia.

O desemprego na Região Metropolitana de São Paulo, que concentra 45% das pessoas ocupadas no país, cresceu mais do que nacionalmente. A taxa regional subiu de 11,7% em dezembro para 13% em janeiro.

... nem salário

O negociador da Fiesp Nildo Masini disse que um reajuste de salário fora da data-base para os metalúrgicos provocará aumento de custos para empresas e repasse a preços, o que gera uma espiral inflacionária e prejudica o próprio trabalhador. Os metalúrgicos pedem reposição salarial de 10%.

Greve?

A Força Sindical e a Federação dos Metalúrgicos de SP entregaram ontem à Fiesp a pauta de reivindicações. O presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, disse que, se não sair acordo até 21 de março, haverá greves.

No caso de empresas que andam exportando bastante, é bem possível que o movimento tenha sucesso. Já nas que dependem do mercado interno...

De novo!

O ministro Guido Mantega (Planejamento) informou que o reajuste salarial dos servidores públicos, que reivindicam 46,85%, não será maior do que 4%. Se for linear, de 2,5%, apenas. De novo, o governo culpou FHC. Ué...

Outra vez!

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu elevar a taxa-Selic e ampliar o compulsório com o objetivo de conter a inércia inflacionária já que o choque de preços no ano passado permanece contaminando a inflação. E reviu as suas previsões para aumentos de preços.

No caso da gasolina, passou de 0,2% na ata passada para 8%. Para o gás de cozinha, foi de 1,6% para 6,4%. Outra vez, os preços dos combustíveis prometem ser os vilões da inflação.

Assim falou...Cesar Maia

“Se eu fosse o governador, no dia 11 de setembro passado, quando houve a rebelião na qual alguns detentos mataram outros de uma facção rival, tinha mandado a polícia invadir Bangu I e matar quantos bandidos fosse preciso para restabelecer a ordem...Porque esses bandidos, ou eles são enfrentados desta maneira ou quem vai ter de se deitar no chão, em função do que eles fazem, é a população."

Do prefeito do Rio de Janeiro, comentando a atual onda de violência.

A história se repete

O governo Lula pretende entregar, embrulhada em papel de seda e fita, a reforma da Previdência. Será ela a diferenciar, espera o governo Lula, a sorte do paloccismo da sorte do malanismo. E, no entanto, a aposta é a mesma. O governo cuida dos fundamentos e melhora a percepção do risco do país (e este é o principal efeito da reforma), que atrai mais capital, que faz o dólar cair, que faz a inflação cair, que permite que se retome a política de redução da taxa de juros, que vai permitir que a economia cresça...

O paloccismo conta com esse círculo virtuoso, até para poder, com ele, “zerar” os custos do arrocho salarial, do corte de gastos, do desemprego. Em suma, a sorte do paloccismo depende, como a de Malan dependia, do comportamento do mercado. Onde é mesmo que se está mudando o modelo?

Revista Consultor Jurídico, 27 de fevereiro de 2003, 8h48

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