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Nota oficial

Edson Vidigal divulga nota para negar envolvimento com Arcanjo

O ministro do Superior Tribunal de Justiça, Edson Vidigal, divulgou nota nesta sexta-feira (21/2) para informar que entende ser leviano e criminoso o envolvimento de seu nome nas investigações sobre o grupo liderado por João Arcanjo Ribeiro, conhecido como "Comendador".

Vidigal afirma que tomou conhecimento, através do jornalista Josias de Souza, da Folha de S. Paulo, que seu nome havia sido mencionado numa das conversas telefônicas de integrantes do grupo de Arcanjo.

O ministro também afirmou que seu filho, Erick Vidigal, não pegou a causa de Luis Alberto Dondo Gonçalves, apontado como contador de Arcanjo.

"Estou, neste momento, oficiando ao Ministro de Estado da Justiça pedindo a instauração de inquérito policial específico para este caso, tudo de modo a que não reste, quanto ao que se diz, a mínima sombra de dúvida sobre a minha atuação como magistrado", concluiu.

Leia a nota:

Através do Jornalista Josias de Souza, da "Folha de S.Paulo", fiquei sabendo hoje que o meu nome é citado numa gravação de conversa telefônica entre integrantes de um grupo liderado por João Arcanjo Ribeiro, conhecido como Comendador, sob investigação da Polícia Federal em Mato Grosso.

E mais, segundo ainda o Jornalista Josias de Sousa, um dos meus filhos, Erick Vidigal, que é advogado, estaria entre os interessados na defesa judicial dos investigados, tendo inclusive viajado a Cuiabá, MT, para encontrar-se com eventuais clientes.

Tenho a dizer:

1. O meu filho exerce legalmente a profissão que escolheu. Assim, é livre para aceitar a causa que, nos limites da lei, achar que deve. Não tenho, nem como pai, nem como amigo, tampouco como Magistrado, direito de impedir seu livre exercício profissional.

2. Meu filho confirma que, a chamado profissional, esteve em Cuiabá, MT, encontrando-se com o advogado Eduardo Toledo, que defende o contador Luis Alberto Dondo Gonçalves. O interesse era contratá-lo para acompanhar no TRF-1ª Região, o "habeas corpus" em todos os seus trâmites, até decisão final. Por motivos pessoais e profissionais, meu filho não aceitou a causa.

3. Mais que leviano, é criminoso, porque configura injúria e difamação, o envolvimento do meu nome nos episódios que me foram dados a conhecer pelo Jornalista Josias de Sousa.

4. No exercício eventual da Presidência do STJ, indeferi, em 22 de janeiro último, pedido de liminar em "habeas corpus" nº 25.506, impetrado em favor de Luis Alberto Dondo Gonçalves, apontado como contador do acusado conhecido como Comendador. O nome do meu filho não constava como advogado e se constasse estaria eu impedido.

5. Ainda, quanto ao meu filho, disse eu ao Jornalista Josias de Sousa que o que sei é que ele é casado, tem filha, leva vida difícil e modesta, lecionando em duas faculdades de direito do Distrito Federal e que não conheço, nem é da minha conta conhecer, quem é ou deixou de ser seu cliente.

6. Quanto a magistrados aposentados e filhos de magistrados na ativa, que exercem a advocacia nos Tribunais onde atuaram ou atuam seus pais, minha posição é de há muito conhecida da Ordem dos Advogados do Brasil/OAB e do Ministro da Justiça. Sou contra esse exercício por achá-lo constrangedor e aético.

7. Estou, neste momento, oficiando ao Ministro de Estado da Justiça pedindo a instauração de inquérito policial específico para este caso, tudo de modo a que não reste, quanto ao que se diz, a mínima sombra de dúvida sobre a minha atuação como Magistrado.

Brasília, DF, 21 de Fevereiro de 2003

EDSON CARVALHO VIDIGAL

Revista Consultor Jurídico, 21 de fevereiro de 2003, 21h23

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