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Terça-feira, 17 de fevereiro.

Primeira Leitura: fracassa operação-abafa de PT no caso dos grampos.

 

 

 

Turbulência no Congresso

Fracassou a operação-abafa liderada por petistas no caso dos grampos telefônico na Bahia. ACM, desmoralizado pela imprensa, foi obrigado a desistir de presidir a poderosa Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Provisoriamente, garantiu o senador baiano.

Escândalo...

O cacique baiano desistiu do cargo não apenas por causa da avalanche de denúncias sobre sua participação nos grampos - todas as revistas semanais deram destaque ao escândalo -, mas também porque políticos de várias siglas, inclusive descontentes do PT, não aceitaram a montagem da operação-abafa em torno do caso.

...para baixo do tapete

O senador Edison Lobão (PFL-MA) deverá ser indicado pelo partido para presidir a CCJ, segundo José Agripino, que começou a consultar a bancada. Indicado pelo próprio ACM para ser seu substituto na CCJ, Lobão dá mostras de que prefere varrer tudo para baixo do tapete. Já se disse contra a abertura de uma CPI e também contra o encaminhamento do caso para o Conselho de Ética do Senado. Para ele, basta a investigação em curso na Polícia Federal.

Jogo de cena

Embora o líder do PT na Câmara, Nelson Pelegrino (BA), diga que liberaria a bancada para assinar o pedido de instalação de uma CPI, e José Genoino, presidente do partido, afirme que não criará dificuldades para tanto, os petistas manobram nos bastidores, com o apoio da cúpula do PMDB, para impedir que isso ocorra.

Insistência

À revelia do comando partidário - leia-se, Michel Temer -, o deputado Raul Jungmann (PMDB-PE) disse que iniciará hoje a coleta de assinaturas na Câmara para que se crie a comissão.

Gesto simbólico

Luiz Inácio Lula da Silva disse, durante a leitura da mensagem presidencial que abre os trabalhos do Legislativo, que o Congresso será o palco dos grandes debates sobre as reformas estruturais. Lula afirmou que decidiu ler pessoalmente a mensagem - o que é tradicionalmente feito pelo ministro-chefe da Casa Civil - para traduzir o "seu reconhecimento à autoridade democrática do Congresso".

Depois do recuo

Mas, de fato, sua presença tinha um outro simbolismo. Afinal, na semana anterior, o governo recuou de sua intenção inicial e transformou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social em mero órgão de assessoramento do presidente. Não por acaso, Lula voltou a frisar que o conselho "não vai substituir tampouco relativizar o poder do Congresso Nacional".

Culpas

Dizendo que as fontes das "dores de cabeça" hoje enfrentadas foram originadas por governos que se endividaram cada vez mais para pagar dívidas crescentes a credores cada vez mais desconfiados, Lula deu seu aval, com dois dias de antecedência, à adoção pelo Copom (Comitê de Política Monetária) de nova elevação da taxa-Selic.

Assim falou...José Sarney

"Enfim foi eleito um presidente da República que representa o povo e os setores até hoje excluídos das decisões nacionais."

Do presidente do Senado, no seu discurso de abertura dos trabalhos da atual legislatura. Uma autocrítica involuntária de um ex-presidente da República?

A história se repete

Oito anos em 47 dias! Essa poderia ser a síntese do governo Lula na comparação com os anos FHC. Em menos de dois meses, a nova administração tem repisado rigorosamente todos os comportamentos deletérios verificados ao longo de quase uma década. Ora, dirão, "é muito cedo para fazer tal avaliação". Não, não é! O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez opções nestes menos de dois meses que traduzem um entendimento das pautas política e econômica.

Se Lula está a se igualar nos transes viciosos, não dá sinais de seguir o antecessor, no entanto, nos passos virtuosos. Se o que temos é medida do que será o governo Lula, fica a mudança prometida reduzida à medíocre administração da realidade herdada. Ora, é um truísmo que, não fosse o passado convertido em herança, não seria o petista o presidente, mas outro qualquer. Lula foi eleito para mudar ou para apresentar as melhores desculpas sobre por que não muda?

Revista Consultor Jurídico, 18 de fevereiro de 2003, 9h54

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