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Rei do Armarinho

Nova testemunha diz que rei do Armarinho foi envenenado

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O assassinato do comerciante Sérgio Afif Sarruf, de 46 anos, conhecido pelo nome de sua loja na bairro do Bom Retiro ("Rei do Armarinho") ainda não está esclarecido. Mas a cada dia surgem novo detalhes sobre as tentativas de envenená-lo de sua então mulher Emilie Daud Sarruf, de 44 anos.

Os depoimentos de pessoas que trabalhavam para o casal relatam que, antes de ser morto, com um tiro na cabeça, a hoje viúva, aparentemente, teria envenenado o marido pela manhã e pela tarde.

Com ela, foram apreendidos uma série de remédios, dois pares de luvas, veneno para ratos e o revólver calibre 38 do marido, com uma cápsula deflagrada. A diarista Joana Mendes Claudina Queiroz, que trabalhava havia nove anos na casa dos Sarruf, afirmou nesta segunda-feira (17/2) ter visto Emilie colocar uma substância estranha no café de Sarruf. A manicure Cássia Maria Mariano Parolim já afirmou que Emilie teria feito o mesmo pela manhã.

Os depoimentos de Cássia e Joana confirmam as acusações da cozinheira Amenaide Pinho Silva, primeira a afirmar que Emilie já vinha tentando envenenar o marido. Joana é irmã da arrumadeira Angelina Medeiros, que não confirmou parte das suspeitas de envenenamento perante o juiz. Na sexta-feira anterior, Sarruf havia sido hospitalizado por causa de uma intoxicação alimentar. Na quinta-feira, ele faria uma série de exames para saber o que vinha lhe causando o mal-estar.

Na quarta-feira, Joana chegou por volta das 8h30, pouco depois de Cássia ter ido embora. "A Adenaide que me contou que a manicure havia passado lá em casa. Segundo ela, a mulher saiu de lá muito nervosa com o que tinha visto e quase bateu o carro", falou. Quando entrou na casa, a diarista viu Sarruf passando mal, deitado no sofá.

"Assim como na sexta-feira, ele estava muito mal. Peguei o pulso dele e o batimento cardíaco estava super fraco. Dessa vez, ele foi melhorando sozinho. Mas na sexta-feira passei a manhã inteira tentando convencer a dona Emilie a chamar o doutor Fábio, o irmão dele que é médico", narrou. Segundo a diarista, Emilie só teria ligado para o médico na hora do almoço, quando a mãe da patroa chegou em casa.

A diarista contou que serviu café para Sarruf na tarde do dia em que ele foi assassinado. "Ele estava deitado quando a Emilie pediu para eu fazer o café. Ela carregava uma coisa em uma das mãos, que mantinha fechada. Quando cheguei para servir como sempre faço, ela disse que ela mesma serviria e pediu para que eu fosse buscar um penhoar. Fui rapidamente, pois já desconfiava que algo estava errado. No que voltei, ela foi em minha direção e falou que era outro penhoar que ela queria. Quando voltei ela estava dando café na boca dele com uma colher. Estranhei pois estava usando uma xícara de chá, enquanto as duas de café que eu havia levado estavam intactas", falou.

Segundo Joana, sábado, quando Sarruf voltou do hospital, notou que havia sumido um pacote de veneno para matar formigas que ele havia deixado dentro do armário da sala. Ela disse também que as duas filhas do casal vinham reclamando do gosto ruim da água que ficava na vasilha no quarto delas.

"Todos os funcionários da casa experimentamos a água das garrafas que ficavam no quarto das meninas, no quarto do casal, do filho deles e do galão que ficava na parte debaixo da casa e com a água da qual eram enchidas as garrafas. No galão e na garrafa do quarto do Serginho, a água estava normal. Nas outras duas vasilhas, ela tinha um gosto estranho, amargo", afirmou.

Após o crime, assim como a irmã, Joana foi trabalhar na casa da mãe de Emilie. "Saí de lá no último sábado, pois não estava mais suportando aquele ambiente", disse. "Pedi para a minha irmã falar tudo que sabia, mas ela não fez isso quando foi depor. Ficou muito nervosa, chegou até a desmaiar.

Sentiu muito a pressão, a Angelina tem medo de que as meninas deixem de gostar dela se contar tudo que sabe", afirmou. A defesa sustenta que a casa foi invadida por ladrões que mataram Sarruf e fugiram. Tais criminosos não teriam sido vistos pela cozinheira e nem pelo vigia. As meninas permaneceram dormindo no quarto delas e Serginho não estava em casa naquele horário. Um exame residuográfico apontou vestígios de pólvora em uma das luvas apreendidas com Emilie.

Dúvidas do caso:

O que aconteceu nas duas vezes anteriores em que a casa teria sido assaltada?

Em ambos os casos, Sarruf estava viajando a negócios quando os supostos crimes teriam acontecido. Não havia empregado e nem Serginho estava em casa. As meninas estavam dormindo no quarto delas e não foram acordadas pelos assaltantes. Para a defesa, os casos comprovam que a casa era vulnerável e foi possível entrar nela e sair sem que o vigia visse os criminosos. A acusação estranha que em nenhum dos casos foi feito o boletim de ocorrência do roubo das jóias.

Como os pais da acusada chegaram ao local antes da polícia?

Segundo os PMs que socorreram Sarruf, quando eles chegaram a casa, já estava lá dentro a mãe de Emilie, Vilma. Ela aparece em uma fita da Rede Bandeirantes em que é mostrado o momento em que o corpo de Sarruf é retirado da casa.

Vilma estava em sua casa, na Vila Nova Conceição, e o crime aconteceu no Planalto Paulista. A equipe do Consultor Jurídico percorreu a distância no mesmo horário em que o crime aconteceu e demorou cerca de 15 minutos entre um ponto e outro. O vigia garante ter chamado a polícia logo após o tiro e os PMs dizem que demoraram três minutos entre serem acionados e atenderem ao caso.

Qual o motivo do crime?

Familiares e funcionários dos Sarruf são unânimes em dizer que o casal tinha um relacionamento muito bom. No entanto, dizem que as dificuldades financeiras vinham deixando Emilie muito nervosa ultimamente. A empresa da família dela estava em uma situação muito grave.

A situação do Rei do Armarinho não era tão grave, mas não permitia que ele ajudasse a família dela. Cássia conta que enquanto fazia depilação, Emilie vivia ao telefone, falando com gente que lhe cobrava o pagamento de dívidas. Pelo computador, ela enviava dinheiro para os parentes. Raul Chohfi, cunhado de Sarruf, disse ter sido uma das pessoas que emprestou dinheiro a ela.

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Leonardo Fuhrmann é repórter da revista Consutor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 18 de fevereiro de 2003, 13h06

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